Altântico continua sem furacões: um recorde em 60 anos de registos

Embora o pico climatológico da época dos furacões já tenha sido ultrapassado, o Atlântico continua excecionalmente calmo: ainda não se formou nenhum furacão em 2026, uma situação sem precedentes desde o início das observações por satélite.

Embora a formação de furacões nos trópicos seja uma preocupação nesta altura do ano, o Atlântico tem-se mostrado particularmente tranquilo há várias semanas.
Embora a formação de furacões nos trópicos seja uma preocupação nesta altura do ano, o Atlântico tem-se mostrado particularmente tranquilo há várias semanas.

Embora o pico de atividade da temporada de furacões tenha acabado de ser atingido, até à data não se formou nenhum furacão no Atlântico nesta temporada — um facto particularmente raro.

Um recorde desde 1966!

A temporada de furacões no Atlântico estende-se oficialmente de 1 de junho a 30 de novembro, período em que as condições são mais favoráveis à sua formação. As águas oceânicas atingem, então, uma temperatura suficientemente elevada, enquanto a atmosfera se torna mais propícia ao desenvolvimento dos sistemas tropicais.

A maior atividade ciclónica ocorre geralmente entre agosto e outubro, atingindo o seu pico, em média, por volta do dia 10 de setembro. Segundo a NOAA, quando se aproxima o dia 10 de setembro, já se formaram, em média, três furacões no Atlântico — um cenário bem diferente do observado este ano.

De facto, até 19 de setembro de 2026, não se formou qualquer furacão na bacia do Atlântico desde o início da época dos ciclones, algo inédito desde o início das observações por satélite em 1966.

Até agora, o recorde de furacão formado mais tarde na temporada era partilhado pelo Gustav, em 2002, e pelo Humberto, em 2013 — tendo ambos atingido a categoria de furacão a 11 de setembro, um dia depois do pico climatológico de atividade, fixado a 10 de setembro.

Antes da era dos satélites, algumas tempestades que se desenvolviam longe da costa podiam passar despercebidas, o que tornava os registos menos completos. No entanto, uma nova análise dos dados identificou um precedente em 1941, quando um furacão se tornou o primeiro da temporada apenas a 21 de setembro. Se não se formar nenhum furacão antes dessa data em 2026, este recorde histórico também poderá ser batido.

É possível um ano sem furacões?

Desde o início da temporada, formaram-se apenas cinco tempestades com nome na bacia do Atlântico, sendo que nenhuma delas atingiu ainda a categoria de furacão. As mais intensas, Bertha e Edward, atingiram um máximo de 50 nós — ou cerca de 93 km/h — de ventos sustentados, mantendo-se, assim, muito abaixo do limite de 119 km/h necessário para se transformarem em furacões.

Uma temporada sem furacões continua a ser um acontecimento extremamente raro. Desde o início dos registos, em 1851, apenas em duas temporadas — 1907 e 1914 — não se registaram furacões no Atlântico. No entanto, é importante relembrar que, antes da era dos satélites, alguns furacões que se formavam em alto mar poderiam ter passado despercebidos e sem registo.

Esta baixa atividade deve-se sobretudo ao início do fenómeno El Niño, que pode atingir uma intensidade histórica este ano. Este fenómeno aumenta o cisalhamento do vento sobre o Atlântico, fator que dificulta o desenvolvimento dos sistemas tropicais e limita significativamente a sua intensificação.

A situação é muito diferente no Pacífico, onde o fenómeno favorece a formação e o fortalecimento dos sistemas tropicais. Desta forma, surge um contraste acentuado entre as duas bacias, com uma atividade ciclónica significativamente maior no Pacífico, enquanto o Atlântico se tem mantido excecionalmente tranquilo nos últimos meses.

No entanto, a época ainda não terminou e o Atlântico poderá voltar a estar ativo nas próximas semanas. Uma área no centro do oceano está atualmente sob observação especial do NHC, que lhe atribui uma probabilidade de 40% de se transformar numa depressão tropical ou tempestade tropical nomeada nos próximos sete dias.

Resta saber se esta área se intensificará o suficiente para se tornar o primeiro furacão desta temporada invulgarmente tranquila de 2026, ou se o Atlântico permanecerá livre de furacões nas próximas semanas, o que resultaria numa temporada sem precedentes desde o início das observações modernas.

Referência da notícia

Jesse Ferrel. Atlantic goes without a hurricane through Sept. 12, breaking 60-year record.