Como está o coronavírus a influenciar a qualidade do ar na China?

O coronavírus continua a dar que falar. Ainda não se sabe quanto tempo vai durar a quarentena de quase vinte cidades chinesas, mas já se conhecem alguns dados da sua repercussão na qualidade do ar. Contamos-lhe aqui.

Maider Rodríguez Maider Rodríguez Alfredo Graça 11 Fev. 2020 - 14:44 UTC
coronavírus e qualidade do ar
As medidas tomadas devido ao coronavírus melhoraram a qualidade do ar na China.

A 7 de janeiro as autoridades chinesas confirmaram que tinham identificado um novo coronavírus. Desde então, não se parou de publicar notícias relacionadas com este vírus que já se vai expandindo por todo o mundo e que já superou os 1000 mortos, mais de 42.000 infetados e cerca de vinte cidades que estão de quarentena até novo aviso.

Um vírus que, contudo, tem uma dupla face: melhorou a qualidade do ar na China. Como? Ora, precisamente uma das medidas mais drásticas tomadas pelas autoridades chinesas foi a que mais contribuiu: a quarentena. O facto de que uns 50 milhões de pessoas, equivalente quase à população espanhola, não possam sair das suas cidades e não possam deslocar-se por terra, mar ou ar teve muito a ver com os níveis de NO2. Além disso, este vírus também coincidiu com as celebrações do Ano Novo chinês, um período de férias que também influencia positivamente a qualidade do ar do país asiático.

Analisando os dados

As redes sociais fizeram eco na última semana das imagens capturadas por um instrumento de monitorização atmosférica, TROPOMI (Tropospheric Monitoring Instrument), a bordo do satélite de observação terrestre Sentinel-5 Precursor. Este espectrómetro é capaz de monitorizar gases como o ozono, o metano, o monóxido de carbono, o dióxido de nitrogénio ou o dióxido de enxofre presentes na atmosfera.

As imagens de satélites mostram concentrações muito baixas de NO2 no passado 30 de janeiro em relação à média do mês de janeiro de 2019, um gás contaminante emitido principalmente pela atividade industrial e pelo trânsito. Uma clara diferença que se pode detetar especialmente em Wuhan, a cidade de origem da epidemia e que está em quarentena desde 23 de janeiro. Não obstante, esta situação pode extrapolar-se para o resto do país asiático.

A melhoria da qualidade do ar na China foi, portanto, evidente nas últimas semanas devido ao coronavírus e às medidas tomadas. Uma baixa concentração que não poderá ser explicada somente tendo em conta as variáveis meteorológicas.

E agora?

A maior operação de saúde da história continua em curso mas ainda são muitas as pessoas que não podem sair das suas casas. As drásticas medidas estendem-se por cidades de toda a China, até tal ponto, que em algumas delas como Huanggang, a segunda cidade mais afetada pelo vírus, só uma pessoa por família pode sair de casa a cada dois dias para ir buscar mantimentos. Os guardas controlam a temperatura dos cidadãos ao comprovarem a sua identidade e o motivo pelo qual saem de casa. Uma medida que se estende também às povoações próximas e que ficou mais rígida desde a semana passada.

Para a maioria dos chineses as férias do Ano Novo já terminaram. De momento, e enquanto continuarem vigentes estas medidas estritas, o ar que o país asiático respirar será, paradoxalmente, mais limpo que o habitual. Não esquecer que a China é o país mais contaminador do mundo, emite cerca de 30% das emissões para a atmosfera a nível mundial.

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