Ciclone Idai, está a acontecer uma catástrofe 'silenciosa'

Provavelmente não terá visto ou ouvido falar, mas um fortíssimo ciclone tropical está prestes a chegar a Moçambique com rajadas de vento de 200 km/h e chuvas torrenciais, com potenciais danos severos.

Alfredo Graça Alfredo Graça 14 Mar. 2019 - 11:23 UTC
Vista do ciclone IDAI ontem, via satélite MODIS (NASA).

Agora mesmo, Moçambique está em contagem decrescente para receber o impacto de um fortíssimo ciclone tropical, por vezes equivalente a um furacão de categoria 3. A apenas alguns quilómetros das linhas de costa do sudeste africano, a espiral de nuvens apresenta rajadas de ventos próximas a 200 km/h e chuvas torrenciais. Designado de Idai, poderá atingir de forma intensa e devastadora o centro do país às 18h locais, (esta noite em Portugal) de acordo com a última atualização realizada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) esta manhã.

Este é o sétimo ciclone tropical desta temporada no Oceano Índico, uma referência que duplica o valor habitual para esta época do ano. O INAM refere ainda em comunicado que o local do primeiro impacto será algures entre Dondo e Beira, sendo que a previsão anterior apontava a extensão deste evento até Cheringoma.

As autoridades locais desde esta manhã recomendaram aos residentes das áreas com maior risco, Zambézia e Sofala, que permaneçam nas suas casa uma vez que o estado de tempo nestas províncias já está a ser fortemente afetado pelo Idai. O Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGC) declarou ‘alerta vermelho’ devido às inundações. Infelizmente, muitos telhados dos 30 milhões de moçambicanos não aguentaram o vigor da tempestade, também por causa da precaridade extrema dos cimentos. O eco mediático deste ciclone está a ser bastante ténue tendo em conta o impacto que terá.

Ana Cristina, directora do Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE), proclamou que a população deve abrigar-se e evitar estar ao ar livre, tendo confirmado que as escolas encerraram na área a ser atingida. A tempestade prossegue há vários dias num movimento errático. Começou por gerar-se em frente à linha de costa da Tanzânia e depois deslocou-se para este, até Madagascar. Este fim de semana assumia contornos de uma provável dissipação, todavia deu uma reviravolta em direção a oeste, acabando por navegar nas águas quentes do canal de Moçambique. E aí explodiu.

Ondas até 10 metros de altura

O aviso vermelho reforça que este fenómeno será caracterizado por ventos de 200 a 220 km/h e chuvas que podem acumular até 150 milímetros em apenas 24 horas. O mar encontra-se igualmente agitado, esperando-se que no auge ocorram ondas de até 10 metros de altura, o que representa uma séria ameaça à navegação. Está ainda prevista a continuação de ocorrência de chuvas moderadas a fortes (30 a 50 mm/24h), acompanhadas de trovoadas severas e ventos com rajadas a norte das províncias do Niassa e Cabo Delgado.

É igualmente recomendado à população para a tomada de medidas de precaução e segurança face ao risco associado ás chuvas, trovoadas e ventos fortes. Até agora estima-se que fazem falta pelo menos 18 milhões de dólares para cobrir a assistência humanitária das povoações afetadas, e fazem falta kits de higiene e alimentos para reforçar a capacidade do governo, algo que será difícil de concretizar dado que 1583 estradas estão intransitáveis.

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