Ciclone Idai, está a acontecer uma catástrofe 'silenciosa'

Provavelmente não terá visto ou ouvido falar, mas um fortíssimo ciclone tropical está prestes a chegar a Moçambique com rajadas de vento de 200 km/h e chuvas torrenciais, com potenciais danos severos.

Vista do ciclone IDAI ontem, via satélite MODIS (NASA).
Vista do ciclone IDAI ontem, via satélite MODIS (NASA).

Agora mesmo, Moçambique está em contagem decrescente para receber o impacto de um fortíssimo ciclone tropical, por vezes equivalente a um furacão de categoria 3. A apenas alguns quilómetros das linhas de costa do sudeste africano, a espiral de nuvens apresenta rajadas de ventos próximas a 200 km/h e chuvas torrenciais. Designado de Idai, poderá atingir de forma intensa e devastadora o centro do país às 18h locais, (esta noite em Portugal) de acordo com a última atualização realizada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) esta manhã.

Este é o sétimo ciclone tropical desta temporada no Oceano Índico, uma referência que duplica o valor habitual para esta época do ano. O INAM refere ainda em comunicado que o local do primeiro impacto será algures entre Dondo e Beira, sendo que a previsão anterior apontava a extensão deste evento até Cheringoma.

As autoridades locais desde esta manhã recomendaram aos residentes das áreas com maior risco, Zambézia e Sofala, que permaneçam nas suas casa uma vez que o estado de tempo nestas províncias já está a ser fortemente afetado pelo Idai. O Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGC) declarou ‘alerta vermelho’ devido às inundações. Infelizmente, muitos telhados dos 30 milhões de moçambicanos não aguentaram o vigor da tempestade, também por causa da precaridade extrema dos cimentos. O eco mediático deste ciclone está a ser bastante ténue tendo em conta o impacto que terá.

Ana Cristina, directora do Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE), proclamou que a população deve abrigar-se e evitar estar ao ar livre, tendo confirmado que as escolas encerraram na área a ser atingida. A tempestade prossegue há vários dias num movimento errático. Começou por gerar-se em frente à linha de costa da Tanzânia e depois deslocou-se para este, até Madagascar. Este fim de semana assumia contornos de uma provável dissipação, todavia deu uma reviravolta em direção a oeste, acabando por navegar nas águas quentes do canal de Moçambique. E aí explodiu.

Ondas até 10 metros de altura

O aviso vermelho reforça que este fenómeno será caracterizado por ventos de 200 a 220 km/h e chuvas que podem acumular até 150 milímetros em apenas 24 horas. O mar encontra-se igualmente agitado, esperando-se que no auge ocorram ondas de até 10 metros de altura, o que representa uma séria ameaça à navegação. Está ainda prevista a continuação de ocorrência de chuvas moderadas a fortes (30 a 50 mm/24h), acompanhadas de trovoadas severas e ventos com rajadas a norte das províncias do Niassa e Cabo Delgado.

É igualmente recomendado à população para a tomada de medidas de precaução e segurança face ao risco associado ás chuvas, trovoadas e ventos fortes. Até agora estima-se que fazem falta pelo menos 18 milhões de dólares para cobrir a assistência humanitária das povoações afetadas, e fazem falta kits de higiene e alimentos para reforçar a capacidade do governo, algo que será difícil de concretizar dado que 1583 estradas estão intransitáveis.