Bloqueio do estreito de Ormuz trava comércio de fertilizantes e faz disparar os preços. Sementeiras estão em risco
Durante o ano, 30% dos fertilizantes utilizados em todo o mundo passam pelo estreito de Ormuz, cujo tráfego está severamente bloqueado desde 28 de fevereiro. Só o preço da ureia já aumentou 50% (ronda os 760 euros a tonelada), numa altura em que os agricultores preparam os solos para as sementeiras de primavera e verão.

A intermediação diplomática do Paquistão nos últimos dois dias ajudou à fixação de uma trégua entre os Estados Unidos que inclui um cessar-fogo de duas semanas e a abertura do Estreito de Ormuz, cujo tráfego estava bloqueado em mais de 90% desde 28 de fevereiro.
Na tarde desta quarta-feira, porém, o Irão suspendeu, de novo, o tráfego naquele canal de navegação, em virtude de Israel continuar os ataques no Líbano desrespeitando o cessar-fogo, o que faz perigar a retoma da circulação de mercadorias pelo estreito de Ormuz.
Há uma semana, António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas (ONU), nomeou o português Jorge Moreira da Silva para liderar um grupo de trabalho focado no comércio de fertilizantes e na necessidade de facilitar a movimentação de bens e matérias-primas essenciais naquele canal de navegação.
E os fertilizantes são, de facto, produtos essenciais ao setor agrícola, sobretudo os feitos à base de azoto, que são utilizados para a produção de cerca de metade dos alimentos produzidos mundialmente.
Portugal afetado pelos custos dos fertilizantes
Portugal é um dos países que pode sofrer com a escassez no mercado destes produtos ou, pelo menos, com a subida galopante dos seus preços. Várias organizações de agricultores queixam-se, para já, do aumento exponencial dos preços.

A ureia ronda já os 760 euros a tonelada, a solução azotada está a ser comercializada a cerca de 465 euros a tonelada, por exemplo. E há agricultores que reportaram a falta de sulfato de ferro no mercado, um produto utilizado no controlo de lesmas e caracóis nas sementeiras de milho.
O governante português revelou ainda que reuniu com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, a 27 de março, precisamente o dia em que Jorge Moreira da Silva foi destacado para liderar o mecanismo da ONU para facilitar o comércio de fertilizantes no estreito de Ormuz.
40% dos fertilizantes passa por Ormuz
O tema da reunião foi a necessidade da reabertura de circulação de cereais e fertilizantes, particularmente para a agricultura nos países africanos.
“Quarenta por cento do tráfego de fertilizantes passa pelo Estreito de Ormuz”, frisou o ministro Paulo Rangel a propósito da importância destes fatores de produção.
Os cálculos são do Grupo do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), União Africana (UA), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) através do seu Escritório Regional para África e Comissão Económica das Nações Unidas para África (CEA).

Os números foram apresentados durante a 58.ª sessão da Comissão Económica para África.
De acordo com os números do relatório, a falta de fertilizantes em alguns países africanos pode ter consequências mais gravosas do que a crise dos combustíveis provocada pelo colapso quase total do Estreito de Ormuz por ordem do Irão.
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