Barragens em Portugal com 92% de armazenamento, mas níveis já começam a descer
As barragens em Portugal mantêm níveis elevados no final de abril, após um inverno muito chuvoso. Ainda assim, os dados mais recentes indicam uma inversão da tendência, com o início de uma descida gradual dos volumes armazenados.

Após vários meses marcados pela subida dos níveis de armazenamento, impulsionada por um inverno excecionalmente chuvoso, o final de abril marca uma mudança de tendência: as barragens em Portugal começam a registar uma diminuição dos volumes armazenados.
De acordo com o boletim semanal de albufeiras, a 27 de abril o volume total armazenado atingia cerca de 12 101 hm³, correspondente a 92% da capacidade total, registando uma diminuição de 21 hm³ face à semana anterior, com descidas em 10 bacias hidrográficas. Esta variação semanal, embora pouco expressiva, representa um sinal consistente de inversão face ao padrão dominante dos meses anteriores.
Fim da fase de enchimento dá lugar a uma descida gradual dos níveis
Esta evolução assinala o fim da fase de reposição associada à precipitação invernal e a entrada num período em que passam a dominar as perdas naturais e o consumo.
Nas últimas semanas, a menor frequência de sistemas frontais atlânticos reduziu a ocorrência de precipitação significativa, enquanto a subida das temperaturas começa a intensificar os processos de evaporação e evapotranspiração, contribuindo para a diminuição gradual dos volumes armazenados.

Ainda assim, o nível global de armazenamento mantém-se elevado, refletindo a acumulação dos meses anteriores, com a maioria das albufeiras acima dos 80% da capacidade total e nenhuma abaixo dos 40%, o que coloca o país numa posição confortável à entrada do período seco.
Diferenças regionais persistem apesar do elevado armazenamento
Apesar deste cenário globalmente favorável, a distribuição da água não é homogénea. Algumas bacias hidrográficas, como o Ave e o Mondego, apresentam valores abaixo da média para esta altura do ano, refletindo uma recuperação menos expressiva.
Ao nível local, estas diferenças tornam-se mais evidentes, com albufeiras como Fronhas, com cerca de 47%, ou Torrão, em torno de 70%, a contrastar com outras próximas da capacidade máxima. Estas assimetrias tendem a ganhar importância nas próximas semanas, já que os sistemas com menor armazenamento inicial respondem mais rapidamente à ausência de precipitação prolongada.
Ao mesmo tempo, o aumento da procura de água, sobretudo no setor agrícola, começa a ter maior peso na evolução das reservas disponíveis. Ao longo do mês de maio, a evolução deverá refletir condições mais estáveis, com menor frequência de precipitação significativa, sendo expectável uma descida gradual dos níveis armazenados.

Trata-se de um comportamento típico desta altura do ano, associado à redução do contributo da precipitação e ao aumento das perdas, reforçando a importância de uma gestão eficiente dos recursos hídricos, especialmente durante períodos de maior exigência e menor disponibilidade hídrica.
Não perca as últimas notícias da Meteored e desfrute de todo o nosso conteúdo no Google Discover totalmente GRÁTIS
+ Siga a Meteored