APA alerta: Portugal continua a enviar milhões de toneladas de resíduos para aterros
Portugal enfrenta um problema grave na gestão de resíduos: todos os anos cerca de três milhões de toneladas de resíduos urbanos acabam em aterros sanitários, o que representa mais de 50% do total produzido no país.

Este problema de gestão de resíduos foi destacado recentemente numa campanha da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) que alerta para a urgência de melhorar os índices de separação e reciclagem de resíduos na origem, promovendo comportamentos mais sustentáveis entre os cidadãos.
Campanha "Vamos Lixar o lixo" e o problema da deposição de resíduos em aterros
A campanha, intitulada “Vamos lixar o lixo”, pretende sensibilizar a população para o impacto ambiental e social deste modelo de gestão de resíduos centrado na eliminação dos mesmos em aterro. A iniciativa sublinha que a solução passa por uma correta separação dos resíduos (como vidro, plástico, metal, papel, cartão e biorresíduos) para que possam ser encaminhados para a reciclagem ou valorização energética, evitando este envio massivo para os aterros.
Segundo os dados mais recentes disponíveis sobre os resíduos urbanos em Portugal continental, no Relatório do Estado do Ambiente 2025, a quantidade produzida em 2023 foi de 5,06 milhões de toneladas, ou cerca de 502 kg por habitante por ano, um valor ligeiramente abaixo da média europeia.

No entanto, a deposição em aterros manteve-se elevada, representando aproximadamente 59% dos resíduos gerados no mesmo período. Este padrão evidencia um desfasamento entre as metas de gestão de resíduos fixadas a nível nacional e comunitário e a realidade prática: a União Europeia estipula objetivos ambiciosos para 2035, como reduzir a deposição em aterros para apenas 10% dos resíduos urbanos, exigindo um desvio de milhões de toneladas de resíduos para operações de reciclagem e valorização.
A deposição em aterros manteve-se elevada, representando aproximadamente 59% dos resíduos gerados no mesmo período.
A gestão sustentável de resíduos em Portugal baseia-se numa hierarquia reconhecida internacionalmente, que define primeiro a prevenção na origem, seguida da preparação para reutilização, reciclagem, outras formas de valorização (incluindo energética) e, por último, a deposição ou eliminação em aterros. Esta abordagem, promovida pela APA, visa não só reduzir a quantidade de resíduos enviados para eliminação, como reforçar a eficiência na utilização dos recursos naturais através de uma verdadeira economia circular.
Já houve uma evolução, mas não é suficiente
Apesar de existir uma evolução positiva na recolha seletiva de resíduos em Portugal, o país ainda se encontra “a alguma distância” das metas de reciclagem e reutilização desejadas, especialmente no que diz respeito à redução do envio para os aterros. Para além da sensibilização pública, as iniciativas técnicas e políticas também são fundamentais.
Organizações ambientais e entidades públicas têm vindo a propôr medidas para reduzir de forma significativa o volume de resíduos urbanos destinados aos aterros, assim como o aumento da reciclagem multimaterial, investimentos em infraestruturas de tratamento e mecanismos de triagem mais eficientes.