Ciclone, furacão ou tufão: afinal, qual é a diferença?
Furacão, tufão ou ciclone são três nomes que parecem designar fenómenos diferentes, mas que na realidade correspondem à mesma grande família de tempestades. Como nasce então um destes gigantes atmosféricos e o que o faz ganhar tanta força?

Em primeiro lugar convém desde logo referir que ciclone, furacão ou tufão são todos o mesmo fenómeno meteorológico, associados a um estado do tempo severo. A grande diferença entre eles está, precisamente, na designação: varia sobretudo consoante a região do planeta onde o fenómeno ocorre.
Quando o oceano aquece, a atmosfera entra em ação
Os ciclones tropicais formam-se, em geral, sobre águas oceânicas muito quentes, com temperaturas superiores a cerca de 26,5-27 ºC. O calor e a humidade fornecidos pelo oceano alimentam fortes movimentos ascendentes do ar, associados a grandes nuvens de desenvolvimento vertical, como os cumulonimbus.

Para que o processo avance, é preciso uma perturbação atmosférica pré-existente, com alguma organização, convergência nos níveis baixos e rotação. À medida que o ar quente e húmido sobe, condensa e liberta calor, contribuindo para aprofundar uma área de baixa pressão. Se as condições forem favoráveis, o sistema organiza-se e intensifica-se.
Mas existe um "inimigo" poderoso: o cisalhamento vertical do vento. Quando a direção ou velocidade do vento varia significativamente com a altitude, pode desorganizar a estrutura do ciclone, dificultando a sua formação ou enfraquecendo um sistema já desenvolvido.
Um só fenómeno, vários nomes pelo mundo
A rotação da Terra dá origem ao efeito de Coriolis, essencial para conferir rotação aos ciclones tropicais. Por isso, estes sistemas não se formam muito habitualmente muito perto do Equador, onde o efeito é demasiado fraco. A direção da circulação também varia entre hemisférios: no hemisfério norte os ciclones tropicais rodam no sentido anti-horário, enquanto que no hemisfério sul rodam no sentido horário.
E é precisamente a região onde ocorrem que determina o nome. No Atlântico Norte e leste do Pacífico são chamados furacões; no oeste do Pacífico, tufões; e, por fim, no Índico e no sul do Pacífico, ciclones tropicais. Quando atingem terra, fenómeno conhecido como landfall, tendem a perder força, sobretudo porque deixam de receber o fornecimento de energia de águas quentes e sofrem maior atrito sobre a superfície continental.
No "olho do furacão": silêncio no coração do caos
No centro de um forte ciclone tropical situa-se o famoso olho, uma região que pode apresentar condições surpreendentemente tranquilas e, por vezes, céu relativamente limpo. Em seu redor está a parede do olho, onde se concentram alguns dos ventos e das chuvas mais violentos do sistema.

Esta calmaria é, contudo, enganadora. Quando o olho percorre uma determinada região, a tempestade ainda não cessou. Pouco depois, a parede do olho regressa, com os ventos a soprar da direção oposta.
Curiosidades: algumas das alegadas origens das palavras “Furacão” e “Tufão”
E de onde são procedentes os nomes? A origem de furacão está associada às palavras indígenas das Caraíbas e ao nome maia Hurakan, enquanto tufão vem de uma etimologia mais disputada, relacionada com termos asiáticos como ṭūfān e tai fung, havendo também uma possível ligação ao grego typhon.
O que é certo é que, na eventualidade de algum dia estarmos ao vivo perante o mesmo extraordinário mecanismo da natureza, seja ele furacão, ciclone ou tufão, assistiremos ao desenrolar de um gigantesco sistema atmosférico alimentado pelo calor do oceano e capaz de transformar energia em vento, chuva e destruição à escala de centenas de quilómetros.