Vão disparar as alergias ao amieiro e à bétula no Norte de Portugal continental

Apesar dos inúmeros benefícios, a libertação dos pólenes produzidos pelas flores é potencialmente prejudicial para pessoas alérgicas. Saiba as zonas do Norte de Portugal continental mais expostas ao pólen nos próximos dias.

As alergias causadas pelo pólen de bétula e de amieiro vão disparar dentro de poucos dias no Norte de Portugal continental.
As alergias causadas pelo pólen de bétula e de amieiro vão disparar dentro de poucos dias no Norte de Portugal continental.

Em pleno mês de abril e com a primavera cada vez mais adiantada, as flores vão produzindo pólenes, grãos minúsculos que se libertam para a atmosfera, essenciais na fertilização e produção de sementes e frutos nas plantas.

De acordo com os mapas de confiança elaborados pelo Departamento de Meteorologia da Meteored, baseados nos dados do CAMS (Copernicus Atmosphere Monitoring Service) - um ambicioso programa de observação da Terra concebido pela União Europeia - haverá concentração de pólen de amieiro e bétula, cujos níveis irão oscilar entre “Alto” e “Muito Alto”, sobretudo na sexta-feira, 10 de abril, e em particular na Região Norte de Portugal continental.

Níveis altos a muito altos de bétula e amieiro e as condições meteorológicas favoráveis a este cenário

Após um breve período bastante mais fresco entre hoje e amanhã, dias 7 e 8 de abril, gerado pela presença de ar polar contido na depressão posicionada a oeste de Portugal continental, a precipitação ajudará a dissipar temporariamente as poeiras e os pólenes responsáveis por alergias. No entanto, o tempo voltará a mudar na quinta-feira (9), estabelecendo-se uma configuração sinóptica favorável ao aumento da concentração de alguns tipos de pólens e, consequentemente, a um agravamento do risco de alergias.

A região mais exposta aos pólenes de bétula e de amieiro será o Norte e de forma muito pontual o Centro-norte, algo que será analisado de forma mais detalhada abaixo.
A região mais exposta aos pólenes de bétula e de amieiro será o Norte e de forma muito pontual o Centro-norte, algo que será analisado de forma mais detalhada abaixo.

Na origem do potencial agravamento das alergias provocadas pela concentração elevada de pólen de amieiro e bétula a partir de quinta-feira (9) estará a conjugação simultânea do afastamento da depressão rumo ao continente africano com o domínio de uma circulação de Es-Nordeste. Os ventos provenientes do interior da Península Ibérica, carregados de pólen, serão favoráveis à dispersão e transporte a longa distância.

Além disto, a ausência de precipitação, fará com que o pólen não seja “lavado” da atmosfera, acumulando-se no ar. Um tempo mais seco e soalheiro como o que se prevê na reta final da semana para a Região Norte, sobretudo na sexta-feira (10), estimula as plantas a libertarem mais pólen e acelera o ciclo de floração de muitas espécies.

Tudo indica que sexta-feira, 10 de abril, será o dia mais crítico na Região Norte em termos de concentração e área geográfica abrangida de pólenes de amieiro e bétula, com os mapas a preverem níveis “Altos” ou “Muito Altos”.

Ademais, embora o anticiclone não se encontre particularmente robusto, a sua influência na nossa geografia será suficientemente decisiva para que ocorra alguma estagnação do ar. Deste modo, o pólen de bétula e ameiro permanece mais tempo em suspensão, com as concentrações a aumentarem gradualmente.

Zonas da Região Norte mais afetadas pelo pólen de bétula e amieiro

Atendendo às previsões para os próximos dias, e tendo em conta especificamente os níveis de bétula e amieiro ilustrados pelos mapas, constatam-se valores elevados no Norte do país, com os distritos de Viana do Castelo, Braga, Vila Real e Bragança a evidenciarem-se como os mais expostos à concentração destes tipos de pólenes.

Na quinta (9) as concentrações começam a crescer e na sexta-feira (10) atingem valores ainda mais elevados. Dentro da Região Norte, o distrito do Porto será o menos afetado. Algumas áreas geográficas do Centro-norte, como os distritos de Aveiro, Viseu e Guarda, também estarão relativamente expostas aos pólenes de amieiro e bétula, apesar das quantidades previstas serem significativamente menores.

Concentração do pólen de bétula prevista pelo modelo CAMS para sexta-feira, 10 de abril.
Concentração do pólen de bétula prevista pelo modelo CAMS para sexta-feira, 10 de abril.

Por último, um dos fatores que poderá explicar o facto do Norte de Portugal continental ser a região mais afetada pela elevada concentração de pólen de bétula e de amieiro é o relevo. Capaz de canalizar os ventos de Nordeste e de dificultar a dispersão vertical do ar em certos momentos, a orografia acidentada leva à acumulação local de pólen, sobretudo nas áreas montanhosas do extremo Norte, tal como se pode visualizar no mapa acima.

No resto do território do Continente, quanto mais para sul, mais reduzidos ou inexistentes serão os níveis de pólen, oscilando entre “Muito Baixo” ou “Baixo” e de forma pontual e muito localizada atingindo o nível “Moderado”.

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