Um padrão típico da transição para El Niño vai impor-se na Europa: os efeitos no tempo em Portugal
A previsão da NOAA indica uma transição para o El Niño, favorável a um padrão atmosférico na Europa que poderá alterar a chuva e as temperaturas em Portugal ao longo dos próximos três meses.

O fenómeno El Niño, designado oficialmente como Oscilação Sul do El Niño (ENSO, em inglês), é um aquecimento anómalo das águas superficiais do Pacífico Central e Oriental. Este fenómeno tem a capacidade de alterar a circulação atmosférica tropical, modificando os padrões globais de precipitação e temperatura.
A previsão da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) para o El Niño coloca em evidência uma transição de La Niña para ENSO-neutro de fevereiro a abril de 2026, com probabilidade de ocorrência de 60%. Mais tarde, a partir do verão, prevê-se uma transição rápida para o El Niño, com anomalia da temperatura da superfície do mar de +0,5 °C no Pacífico Central e Oriental.
A distribuição mais provável dos centros de ação atmosférica nos próximos três meses
Na Europa a transição La Niña - El Niño não costuma ter um impacto tão direto como no continente americano. Não obstante, devido às análises da cartografia sinóptica para um cenário idêntico em anos anteriores (observação de reanálise realizada por especialistas em meteorologia e climatologia), é possível ter uma aproximação do possível padrão atmosférico expectável à médio e longo prazo no continente europeu.
As cartas de reanálise revelam alguma probabilidade de prevalência das baixas pressões sobre o continente europeu no próximo trimestre, especialmente nas latitudes próximas às Ilhas Britânicas, com regiões de altas pressões instaladas tanto no norte da Escandinávia (indício de possíveis novos bloqueios), como nas imediações dos Açores.

O modelo Europeu antevê uma configuração sinóptica para a previsão sazonal dos meses de março, abril e maio muito semelhante à descrita pelas reanálises acima, com possíveis cristas anticiclónicas localizadas tanto no norte, como no sudoeste da Europa, o que seria favorável à circulação de baixas pressões no Atlântico central e noutras regiões europeias.
Quais são os efeitos esperados em Portugal?
Colocando a nossa geografia no centro das atenções, este novo cenário poderá traduzir-se numa mudança nos padrões de precipitação e temperatura durante a primavera climatológica. É importante realçar que a ENSO chega com um sinal muito fraco a Portugal (correlação baixa), mascarada noutros índices e padrões, seja qual for a fase.
A última atualização da previsão sazonal do modelo Europeu mostra que é provável que as temperaturas sejam superiores à média nos arquipélagos de Açores e Madeira, e em grande parte da geografia do Continente (exceto Alentejo e Algarve, onde não se observa uma tendência definida). Isto também se perspetiva para grande parte da Europa continental.
No que concerne à precipitação, os mapas apontam para uma probabilidade acrescida de um trimestre mais húmido ou chuvoso do que o habitual nas Regiões Norte, Centro e Alto Alentejo, algo que também se observa em muitas outras zonas da Europa. Para o resto da geografia continental portuguesa, bem como nos arquipélagos de Açores e Madeira, não existe uma tendência clara ou definida.

Tendo em conta as previsões sazonais dos meses de março, abril e maio para as variáveis de temperatura, precipitação e pressão ao nível do mar, é provável que ocorra um certo predomínio das circulações atlânticas, com possíveis bloqueios nas latitudes altas e um anticiclone dos Açores não muito distante da geografia de Portugal continental, havendo ainda assim, azo à passagem de sistemas frontais.
É importante lembrar que estas tendências a longo prazo possuem um grau de fiabilidade relativamente baixo, e que na primavera a atmosfera é muito dinâmica e variável, pelo que há que acompanhar as próximas atualizações dos modelos de previsão sazonal, tanto do modelo Europeu, como da NOAA.