Trovoadas em Portugal: atividade elétrica intensifica-se nas próximas horas em ambiente de calor extremo
A atividade elétrica deverá aumentar entre domingo e segunda-feira no interior de Portugal, onde o calor intenso, o ar seco e a possibilidade de trovoadas secas poderão agravar o perigo de incêndio rural existente.

Dentro de poucas horas, a atmosfera tornar-se-á mais instável em Portugal continental, favorecendo o desenvolvimento de trovoadas isoladas, sobretudo no interior Norte e Centro. Os mapas de densidade de raios indicam que as primeiras descargas deverão surgir durante a tarde de hoje, concentrando-se nas zonas montanhosas do interior Centro e, pontualmente, do interior Norte. Apesar de dispersas e pouco organizadas, estas células merecem atenção por ocorrerem num ambiente excecionalmente quente e seco.
Atividade elétrica deverá intensificar-se durante a tarde de segunda-feira
Na segunda-feira, a atividade elétrica deverá intensificar-se, com maior concentração de descargas prevista entre Trás-os-Montes, Beira Alta, Serra da Estrela e Beira Interior. A evolução resulta do forte aquecimento diurno, que aumenta a instabilidade atmosférica e favorece o desenvolvimento de novas células convectivas durante a tarde. Ainda assim, não se prevê um episódio generalizado, mas sim fenómenos localizados e típicos do verão, capazes de produzir elevada atividade elétrica em áreas relativamente reduzidas.

O principal motivo de preocupação prende-se com a possibilidade de algumas destas trovoadas evoluírem para situações de trovoada seca. Embora os modelos prevejam aguaceiros associados às células, a precipitação deverá apresentar uma distribuição muito irregular e poderá revelar-se insuficiente para humedecer a vegetação. Nestas circunstâncias, parte da chuva poderá evaporar antes de atingir o solo, permitindo que as descargas elétricas atinjam combustíveis finos extremamente secos, aumentando o potencial de ignição.
Atmosfera muito seca favorece o risco de ignição por descargas elétricas
Para além da atividade elétrica, outros fatores contribuem para agravar o risco. As temperaturas deverão aproximar-se ou ultrapassar os 40 ºC em vários locais do interior, enquanto a humidade relativa descerá para valores próximos dos 10 aos 20 por cento durante as horas mais quentes. Esta combinação favorece uma rápida secagem dos combustíveis vegetais e reduz significativamente a humidade disponível na vegetação.

Simultaneamente, o fluxo de leste continuará a transportar ar quente e seco para Portugal, reforçando a estabilidade nas camadas baixas e contribuindo para manter o ambiente propício à propagação inicial de eventuais incêndios. Embora não se espere vento forte generalizado, poderão ocorrer rajadas moderadas e alterações bruscas da direção do vento nas proximidades das células convectivas, fenómeno que poderá dificultar o combate inicial caso surjam ignições.

Este conjunto de fatores contribui para que grande parte do território permaneça sob perigo muito elevado ou máximo de incêndio rural, bem como sob avisos do IPMA devido ao calor extremo.
Perante este cenário, qualquer descarga elétrica poderá representar um fator adicional de ignição, pelo que se recomenda máxima vigilância e a adoção de comportamentos preventivos nas próximas horas.