Tendência inesperada em Portugal: uma nova massa de ar subtropical avançará entre 5 e 7 de outubro

A temperatura será a variável meteorológica em destaque nesta previsão para Portugal. Depois de alguns dias mais amenos, uma massa de ar subtropical deverá avançar sobre a Península Ibérica entre 5 e 7 de outubro.
Depois da passagem de uma frente fria pelo território continental, as temperaturas deverão permanecer relativamente contidas nos próximos dias. Contudo, as previsões do modelo ECMWF apontam para uma mudança no início da próxima semana, com a chegada de uma massa de ar mais quente de origem subtropical. Em algumas regiões, os termómetros poderão voltar a aproximar-se ou mesmo atingir os 30 ºC.
Até quinta-feira, temperaturas mais contidas após a passagem da frente
Esta quarta-feira, dia 30 de setembro, será ainda marcada pelos efeitos da frente fria que atravessa Portugal continental. A presença de maior nebulosidade, precipitação e a entrada de ar mais fresco contribuirão para manter as temperaturas máximas relativamente contidas.
Na quinta-feira, 1 de outubro, não são esperadas alterações muito significativas do ponto de vista térmico. O ambiente deverá continuar mais ameno do que aquele que se fará sentir posteriormente, embora as temperaturas mínimas permaneçam relativamente elevadas para esta altura do ano em várias regiões.
Sexta-feira traz uma subida acentuada das temperaturas
A primeira mudança relevante deverá ocorrer na sexta-feira, dia 2, com uma subida generalizada das temperaturas máximas, particularmente nas regiões Centro e Sul.

Segundo os mapas da Meteored, vários locais dos distritos de Beja, Évora, Lisboa, Santarém, Leiria, Coimbra e Castelo Branco poderão aproximar-se ou atingir os 30 ºC. No litoral Norte, os valores serão mais moderados, enquanto no interior Centro e Sul o ambiente voltará a tornar-se bastante quente para o início de outubro.
Este aumento das máximas será, contudo, relativamente breve. Durante o fim de semana e pelo menos até segunda-feira, as temperaturas diurnas deverão voltar a baixar. Há, porém, outro dado importante, as noites e madrugadas continuarão relativamente mais quentes que o normal.
Na madrugada de sábado, dia 3, grande parte de Portugal continental poderá registar temperaturas cerca de 3 a 5 ºC acima dos valores habituais para esta época do ano. Assim, apesar da descida das máximas, as mínimas ainda estarão longe de apresentar um comportamento tipicamente mais fresco de outono, pelo menos até segunda-feira (5).
Uma massa de ar subtropical aproxima-se a partir de dia 5
É a partir de segunda-feira, dia 5, que a configuração atmosférica se torna particularmente interessante. Uma massa de ar quente de origem subtropical deverá avançar em altitude em direção à Península Ibérica, favorecendo uma nova tendência de subida das temperaturas.

Ao mesmo tempo, o ECMWF prevê a presença de uma região depressionária a oeste de Portugal, associada a ar mais frio em altitude (possível formação de gota fria). Este contraste entre duas massas de ar com características térmicas distintas será determinante para o estado do tempo nos dias seguintes.
Por um lado, a advecção de ar subtropical poderá fazer subir novamente os termómetros, por outro, a presença de ar mais frio em altitude poderá aumentar a instabilidade atmosférica.
Entre 5 e 7 de outubro, os 30 ºC poderão regressar, mas com instabilidade
Entre segunda-feira, dia 5, e quarta-feira, dia 7, as temperaturas deverão voltar a subir em várias regiões. O cenário atual admite máximas próximas dos 30 ºC em alguns locais, sobretudo no Sul, uma tendência que poderá mesmo prolongar-se até dia 8.

Contudo, não estamos perante uma situação de tempo necessariamente seco e estável. A proximidade da região depressionária e o contraste térmico em altitude poderão criar condições favoráveis ao desenvolvimento de aguaceiros e eventualmente trovoadas.
Este período entre dia 5 e 7, destaca-se também pela possibilidade de maior instabilidade. O ECMWF sugere precipitação em várias regiões do território, localmente com maior intensidade. Assim, poderão coexistir temperaturas relativamente elevadas com um ambiente atmosférico instável, algo perfeitamente possível quando existe ar quente e potencialmente húmido nas camadas inferiores e ar relativamente mais frio em altitude.
Importa, contudo, sublinhar que a previsão entre os dias 5 e 7 ainda se encontra a médio prazo. Pequenas alterações na posição da depressão a oeste de Portugal poderão modificar significativamente a distribuição da chuva, a possibilidade de trovoadas e até a magnitude da subida das temperaturas. As próximas atualizações dos modelos serão, por isso, essenciais para perceber com maior precisão como evoluirá este episódio.