O especialista Alfredo Graça anuncia chuva: "entre domingo e segunda prevê-se a primeira gota fria relevante do outono"

Outubro iniciará estável meteorologicamente. Porém, os aguaceiros e trovoadas não tardarão a regressar entre sexta (2) e segunda (5), sendo uma gota fria formada a oeste de Portugal continental no domingo (4) uma das possíveis responsáveis da continuidade da instabilidade.

Entre domingo e segunda-feira, dias 4 e 5 de outubro, prevê-se a formação da primeira depressão com expressão em altitude (ou gota fria) potencialmente relevante do outono. Relevante? Como assim? Significará isto que vai chover seriamente em Portugal? E quando? E onde?

Todas estas questões são aquelas que costumam surgir quando nos remetemos somente aos títulos das notícias e que, intuitivamente ou não, acabam por distorcer o conteúdo que realmente importa numa previsão do tempo: relembramos que é essencial ler para além dos títulos e que uma previsão não é uma exatidão (!).

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Em primeiro lugar importa esclarecer que, após a fase final da passagem da frente fria nesta quarta-feira (30) pelo nosso território - pois ainda estão previstos alguns períodos de chuva nalgumas zonas do país nas próximas horas - o estado do tempo voltará a estabilizar na quinta-feira, 1 de outubro, esperando-se um dia geralmente anticiclónico em Portugal continental.

Quinta-feira, 1 de outubro, com períodos de céu nublado, mas ainda estável e anticiclónico. Aproveite este dia para realizar atividades ao ar livre ou pendurar a roupa.
Quinta-feira, 1 de outubro, com períodos de céu nublado, mas ainda estável e anticiclónico. Aproveite este dia para realizar atividades ao ar livre ou pendurar a roupa.

Amanhã, dia 1, espera-se céu pouco nublado ou limpo, embora com aumento temporário da nebulosidade nas regiões do interior durante a tarde. Prevê-se ainda uma ligeira subida das temperaturas máximas, especialmente no interior Norte e Centro. As máximas mais elevadas estão previstas para cidades como Évora, Beja e Faro (28 ºC).

Quanto à depressão isolada em altitude… já lá vamos. Primeiro, falemos das condições meteorológicas previstas para os dias que antecedem a sua formação.

Na sexta e no sábado o tempo voltará a ficar instável

Para sexta-feira e sábado, dias 2 e 3 de outubro, prevê-se céu geralmente muito nublado. Além disto, nestes dois dias a passagem de ondulações poderá desencadear períodos de aguaceiros, geralmente muito irregulares e dispersos, e potencialmente acompanhados de trovoadas, sendo, como já é habitual em episódios de precipitação convectiva, difícil localizar com precisão as áreas potencialmente mais expostas.

Previsão de nebulosidade e precipitação para as 16:00 de sábado, 3 de outubro.
Previsão de nebulosidade e precipitação para as 16:00 de sábado, 3 de outubro.

No entanto, em traços gerais, os mapas da Meteored parecem assinalar as regiões do interior de Portugal continental como as mais expostas, não se descartando que surja alguma célula convectiva de forma ocasional em zonas do litoral.

Entre domingo e segunda é possível que se forme uma gota fria

O modelo europeu (ECMWF) prevê a entrada de ar frio nos níveis médios e altos da troposfera sobre o noroeste da Península Ibérica nos próximos dias, com a possível formação de uma depressão com expressão em altitude a partir de domingo (4).

De acordo com as últimas simulações do modelo ECMWF, a gota fria irá separar-se do jato polar a partir de domingo, 4 de outubro, situando-se a oeste de Portugal continental. De momento, existe uma elevada incerteza quanto à sua evolução posterior.

Posição da gota fria prevista pelo modelo europeu para segunda-feira (5). É possível identificar a gota fria a oeste de Portugal continental através do movimento ciclónico do vento a aproximadamente 9000 metros de altitude.
Posição da gota fria prevista pelo modelo europeu para segunda-feira (5). É possível identificar a gota fria a oeste de Portugal continental através do movimento ciclónico do vento a aproximadamente 9000 metros de altitude.

Como referido anteriormente, tudo indica que esta bolsa de ar frio irá posicionar-se a oeste de Portugal continental. É importante esclarecer que qualquer pequena variação na posição da gota fria pode alterar radicalmente a previsão!

Modelos ECMWF e GFS coincidem na formação do sistema, mas a sua evolução mantém-se incerta na próxima semana

O modelo GFS (americano) apresenta semelhanças com o cenário projetado pelo modelo ECMWF (europeu), coincidindo quanto ao desprendimento da bolsa de ar frio do jato polar a partir de domingo (4) e situando-a em pleno Atlântico, a oeste de Portugal continental.

Uma gota fria é uma depressão que se isola nos níveis superiores da troposfera, separando-se da corrente de jato polar. Estas perturbações depressionárias são acompanhadas por um núcleo de ar frio na troposfera média e superior, frequentemente bem visíveis nos mapas de 500 hPa.
Uma gota fria é uma depressão que se isola nos níveis superiores da troposfera, separando-se da corrente de jato polar. Estas perturbações depressionárias são acompanhadas por um núcleo de ar frio na troposfera média e superior, frequentemente bem visíveis nos mapas de 500 hPa.

A concordância entre os dois principais modelos meteorológicos à escala global quanto à formação do sistema é relevante, sobretudo porque as gotas frias costumam ser muito difíceis de prever.

Efeitos expectáveis em Portugal… Ainda é difícil dizer quando e onde, mas…

Caso a previsão atualmente disponível do modelo Europeu se concretize, poderão ocorrer aguaceiros e trovoadas irregulares, ainda muito difíceis de quantificar e determinar quanto à sua intensidade e distribuição, tanto no domingo 4, como na segunda-feira 5 de outubro (e especialmente mais prováveis durante a tarde deste dois dias, embora não se descarte que surjam noutros momentos dos dias).

Importa ainda clarificar: Não só não estará sempre a chover nas datas em análise, como também haverá alternância de períodos de céu nublado e abertas com a precipitação convectiva, que é geralmente irregular na distribuição geográfica e possui um carácter intermitente.

Os mapas de probabilidade da Meteored - baseados no ECMWF - situam a instabilidade convectiva intermitente como mais provável de surgir nas Regiões Norte e Centro. O modelo GFS reforça esta previsão ao sugerir também uma probabilidade mais ou menos significativa de ocorrência da instabilidade convectiva no Norte e no Centro.