Tendência a 10 dias em Portugal: chuva poderá regressar em força, mas antes, há locais que irão atingir os 40 °C

Os próximos 10 dias deverão ser marcados por sucessivas mudanças no estado do tempo, com calor intenso, uma descida temporária das temperaturas e possibilidade de 2 eventos de chuva durante a primeira semana de agosto.

Após calor intenso no primeiro sábado do mês de agosto, o estado do tempo poderá mudar de forma significativa. Os modelos indicam a aproximação de depressões atlânticas capazes de devolver a chuva a Portugal continental.
Após calor intenso no primeiro sábado do mês de agosto, o estado do tempo poderá mudar de forma significativa. Os modelos indicam a aproximação de depressões atlânticas capazes de devolver a chuva a Portugal continental.

Num horizonte temporal de 10 dias, haverá uma sucessão de mudanças na circulação atmosférica sobre Portugal continental. Entre dias de calor intenso, uma descida temporária das temperaturas e o possível regresso da chuva, os modelos apontam para dias dinâmicos.

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Ainda assim, importa recordar que esta é uma previsão de médio prazo, pelo que o foco está nas tendências e não nos valores exatos das variáveis atmosféricas.

Uma atmosfera em reorganização no início de agosto

O diagrama dos regimes atmosféricos Euro-Atlânticos do ECMWF mostra que, até ao dia 8 de agosto, não existe um padrão dominante. Em vez disso, verifica-se uma alternância entre períodos sem regime definido e fases em que predominam a Oscilação do Atlântico Norte positiva (NAO+) e, posteriormente, o Atlantic Ridge (ATR).

O diagrama dos regimes atmosféricos mostra uma primeira semana de agosto sem um padrão dominante, com alternância entre períodos de reorganização atmosférica, NAO+ e Atlantic Ridge.
O diagrama dos regimes atmosféricos mostra uma primeira semana de agosto sem um padrão dominante, com alternância entre períodos de reorganização atmosférica, NAO+ e Atlantic Ridge.

Esta ausência de bloqueios atmosféricos duradouros favorece uma maior variabilidade do estado do tempo. Em Portugal, traduz-se numa alternância entre períodos de calor, entradas temporárias de ar mais fresco e a possibilidade de passagem de depressões atlânticas.

Quinta e sexta-feira: litoral mais fresco, interior com calor de verão

Nos dias 30 e 31 de julho, o padrão mantém-se semelhante ao dos últimos dias. O interior continuará com temperaturas típicas de verão, enquanto o litoral permanecerá mais fresco devido à influência do Atlântico.

O contraste entre litoral e interior mantém-se evidente. Temperaturas ligeiramente abaixo da média junto à costa e valores um pouco acima da normal climatológica nas regiões do interior.
O contraste entre litoral e interior mantém-se evidente. Temperaturas ligeiramente abaixo da média junto à costa e valores um pouco acima da normal climatológica nas regiões do interior.

Os mapas de anomalia térmica evidenciam bem este contraste. O litoral apresenta temperaturas ligeiramente abaixo da média climatológica, enquanto o interior regista valores um pouco acima da média. Ainda assim, desvios de cerca de 2 a 3 °C, tanto positivos como negativos, continuam dentro da variabilidade normal para esta época do ano.

Sábado será o dia mais quente antes de uma descida das temperaturas

O sábado, dia 1 de agosto, deverá ser o dia mais quente deste período inicial. A subida das temperaturas será generalizada, incluindo o litoral, coincidindo com a breve predominância do regime NAO+.

O primeiro dia de agosto será marcado por uma subida generalizada das temperaturas, com máximas próximas dos 40 °C no interior do Algarve e no Baixo Alentejo.
O primeiro dia de agosto será marcado por uma subida generalizada das temperaturas, com máximas próximas dos 40 °C no interior do Algarve e no Baixo Alentejo.

Grande parte do país ultrapassará os 30 °C, sendo o interior do Algarve e o distrito de Beja as regiões mais quentes. Em concelhos como Alcoutim e Castro Marim, não se excluem máximas próximas dos 40 °C.

Apesar deste pico de calor, a situação será passageira. A partir de domingo inicia-se uma mudança gradual do estado do tempo.

Depressão atlântica traz chuva fraca e faz descer as temperaturas

Durante domingo, dia 2, uma depressão atlântica começa a deslocar-se a norte da Península Ibérica em direção a França. Embora o seu núcleo não atravesse Portugal continental, a sua proximidade será suficiente para alterar o padrão meteorológico.

Uma depressão atlântica aproxima-se da Península Ibérica a partir de 2 de agosto. Embora o núcleo da depressão permaneça a norte de Portugal, a sua aproximação será suficiente para alterar o estado do tempo nos dias seguintes.
Uma depressão atlântica aproxima-se da Península Ibérica a partir de 2 de agosto. Embora o núcleo da depressão permaneça a norte de Portugal, a sua aproximação será suficiente para alterar o estado do tempo nos dias seguintes.

Entre segunda e quarta-feira (3 a 5 de agosto) poderão ocorrer períodos de chuva fraca, sobretudo nas regiões do litoral Norte e Centro, mas também com possibilidade de aguaceiros dispersos noutras regiões do Norte. Ao mesmo tempo, verifica-se uma descida das temperaturas, especialmente no litoral Norte e Centro e até ao distrito de Lisboa.

No final da semana, uma nova depressão mais intensa poderá chegar a Portugal

Depois da passagem desta primeira depressão, surge nos modelos a possibilidade da aproximação de uma nova depressão atlântica durante os dias 6 e 7 de agosto. Caso esta tendência se confirme, poderá provocar um episódio de chuva mais persistente e abrangente do que o previsto no início da semana, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

Caso a tendência se confirme, a nova depressão poderá trazer chuva mais persistente e abrangente, sobretudo ao Norte e Centro, constituindo umepisódio mais significativo.
Caso a tendência se confirme, a nova depressão poderá trazer chuva mais persistente e abrangente, sobretudo ao Norte e Centro, constituindo umepisódio mais significativo.

Esta evolução coincide com uma fase em que o regime Atlantic Ridge (ATR) volta a ganhar maior probabilidade.

Apesar de este regime estar frequentemente associado a tempo estável em Portugal durante o verão, quando o anticiclone se posiciona mais a norte pode igualmente favorecer a descida de depressões atlânticas em direção à Península Ibérica.

Por se tratar de uma previsão de médio prazo, importa salientar que estas projeções representam tendências atmosféricas.

A trajetória das depressões, a distribuição e intensidade da precipitação, bem como os valores exatos das temperaturas, poderão ainda sofrer alterações nas próximas atualizações dos modelos numéricos.