Qual é a melhor época para andar neste comboio? Sempre que quiser

55 túneis e 196 pontes. O Bernina Express percorre uma das linhas ferroviárias mais impressionantes da Europa.

Este comboio atravessa os Alpes, passa por 196 pontes e chega a Itália entre glaciares e palmeiras. Foto: My Switzerland // André Meler
Este comboio atravessa os Alpes, passa por 196 pontes e chega a Itália entre glaciares e palmeiras. Foto: My Switzerland // André Meler

Quem é que já sonhou fazer uma viagem de comboio pela Suíça? Apostamos que a lista de candidatos é grande. Há, contudo, uma dúvida que chega a quase todos: qual fazer? Sim, porque, num país com montanhas, lagos e paisagens tão incríveis, o que não faltam são percursos ferroviários capazes de transformar uma simples deslocação numa viagem memorável.

Uma das nossas sugestões pode agradar àqueles que procuram opções mais acessíveis, mas tão deslumbrantes quanto as mais luxuosas.

Estamos a falar do Bernina Express. Curioso? Durante cerca de quatro horas, o comboio atravessa os Alpes suíços, sobe até aos 2.253 metros de altitude e depois desce em direção a Itália, onde a paisagem começa a trocar a neve pelas palmeiras.

O percurso liga Chur, na Suíça, a Tirano, em Itália, passando por St. Moritz e pela região do Passo de Bernina. Pelo caminho, contam-se 55 túneis e 196 pontes, numa sucessão de curvas, vales, lagos e montanhas.

Uma viagem que começou muito antes do Bernina Express

Apesar de hoje ser conhecido sobretudo como uma viagem panorâmica pelos Alpes, o Bernina Express aproveita uma infraestrutura ferroviária que tem mais de um século. A Linha do Albula chegou a St. Moritz em 1904, enquanto a ligação entre St. Moritz e Tirano, através da Linha do Bernina, foi concluída em 1910. O próprio Bernina Express só apareceu mais tarde, em 1973, quando a Ferrovia Rética criou este serviço turístico utilizando as duas linhas.

E há uma razão para esta ferrovia continuar a chamar a atenção mesmo quando não está a transportar turistas de máquina fotográfica em punho. A construção obrigou a encontrar soluções engenhosas para vencer grandes diferenças de altitude num território particularmente complicado.

A Linha do Bernina chega aos 2.253 metros no Ospizio Bernina e é uma das linhas ferroviárias transalpinas mais altas do mundo, funcionando sem cremalheira.

O trabalho feito há mais de 100 anos foi tão relevante que a UNESCO incluiu, em 2008, as linhas do Albula e do Bernina na lista do Património Mundial. Aliás, a organização destaca precisamente a combinação entre engenharia ferroviária, arquitetura e integração da linha no ambiente alpino.

É por isso que, neste caso, a própria ferrovia faz parte da atração. É que o comboio não está simplesmente a passar por uma paisagem bonita; está a percorrer uma obra de engenharia histórica que ajudou a ligar comunidades isoladas das montanhas.

Glaciares, lagos e uma ponte que parece desafiar a montanha

Ao longo do percurso há vários momentos em que é difícil não interromper a conversa para olhar pela janela. Um dos mais conhecidos surge ainda na parte norte da viagem: o Viaduto de Landwasser, uma estrutura de pedra com cerca de 65 metros de altura e 142 metros de comprimento que atravessa o vale antes de entrar diretamente num túnel. Este é um dos grandes símbolos da Ferrovia Rética.

Foto: My Switzerland // André Meler
Foto: My Switzerland // André Meler

Mais acima, a paisagem torna-se progressivamente alpina. O comboio passa pela zona de Montebello, com vistas para o maciço do Bernina, e aproxima-se do glaciar Morteratsch. Depois surgem os lagos Lej Pitschen, Lej Nair e Lago Bianco, antes de o percurso atingir o ponto mais elevado, junto ao Ospizio Bernina.

A partir daí começa a descida. E é precisamente nesta mudança que a viagem ganha outro ritmo. Neste momento, as montanhas continuam presentes, mas a paisagem vai ficando cada vez mais verde e mediterrânica até chegar a Tirano, em Itália. A própria Ferrovia Rética resume o percurso com uma expressão bastante apropriada: “from glaciers to palms”.

Antes de chegar ao destino, há ainda outro momento particularmente curioso: o Viaduto Circular de Brusio. Em vez de construir uma descida demasiado inclinada, os engenheiros fizeram a linha descrever uma curva em espiral. É como se o comboio desse uma volta sobre si próprio para perder altitude de forma gradual.

O melhor? Pode fazer esta viagem em qualquer época do ano

“O Bernina Express é operado por diferentes comboios, cujos tamanhos podem variar. Todos, no entanto, têm a mesma composição e contam com carruagens panorâmicas divididas em primeira e segunda classe”, lê-se na revista ‘NiT’. “Enquanto a primeira tem mais espaço e grandes janelas, a segunda é ligeiramente mais pequena. Um dos destaques do serviço é que está disponível ao longo de todo o ano.”

É verdade. O Bernina Express circula durante todo o ano, embora os horários e a frequência variem consoante a época.

Isto significa que não existe propriamente uma altura certa para fazer o percurso. No verão, os vales estão verdes e as montanhas surgem com menos neve; no outono, aparecem os tons dourados das florestas; no inverno, a linha transforma-se num cenário completamente diferente, com neve a acompanhar boa parte do trajeto.

Também é possível fazer a viagem no sentido contrário, de Tirano para a Suíça. E, durante a época em que funciona, há ainda a possibilidade de continuar de Tirano até Lugano no Bernina Express Bus, acrescentando cerca de três horas de viagem panorâmica por estrada.

Foto: My Switzerland // André Meler
Foto: My Switzerland // André Meler

Quanto aos preços, em 2026, o bilhete normal de segunda classe entre Chur e Tirano custa 66 francos suíços, enquanto a primeira classe fica nos 113 francos. A estes valores é necessário acrescentar a reserva obrigatória de lugar: em 2026, a reserva para o percurso completo custa 44 francos na época principal e 40 francos na época baixa.

O Swiss Travel Pass é aceite como título de transporte, mas a reserva continua a ser necessária.

“Os passageiros com Swiss Travel Pass beneficiam de viagem gratuita, pagando apenas a reserva de lugar”, acrescenta o site ‘Ekonomista’.

“Para o percurso completo, os bilhetes começam nos 83€ na época baixa. Muitos viajantes, por sua vez, optam por comprar o Swiss Pass Travel, um bilhete de transporte que permite viagens ilimitadas em toda a rede de transportes do país”, nota também a ‘NiT’ “É uma boa opção caso tenha mais passeios de comboio em mente, com o preço a começar nos 268€, com três dias de transportes ilimitados.”

Há, por isso, um pequeno detalhe que convém não esquecer na hora de fazer as contas: no Bernina Express, comprar apenas o bilhete não chega. A reserva de lugar é obrigatória.

A Ferrovia Rética também disponibiliza lugares panorâmicos em primeira e segunda classe, sendo que ambas têm as grandes janelas que permitem acompanhar a paisagem praticamente sem obstáculos.

E há uma alternativa interessante para quem quer poupar. A mesma Linha do Bernina também é servida por comboios regionais. Não são o Bernina Express, não têm as carruagens panorâmicas nem os mesmos serviços, mas percorrem a mesma linha e permitem conhecer a paisagem. Neste caso, a reserva não é obrigatória e custa 5 francos suíços, caso queira garantir lugar.

No Bernina Express existe ainda serviço de catering no lugar, com snacks e bebidas, além de Wi-Fi gratuito e um guia digital com informações sobre o percurso. Não há, contudo, um restaurante tradicional com carruagem própria.

“A bordo do comboio, os passageiros têm ainda a oportunidade de pedir snacks e bebidas. As opções são todas locais e destacam-se o pão de pera com queijo de quinta de Chur (12,62€), batatas fritas Zweifel de paprika (4,23€), fatias de maçã desidratada de Chur (7,40€), entre outros. Na parte das bebidas, destacam-se os vinhos suíços e italianos, a partir de 9,50€.”

Referências da notícia

My Switzerland. Do Norte ao Sul da Europa viajando em comboio panorâmico pela Ferrovia Rética, Património Cultural da UNESCO. De glaciares a palmeiras..
Ekonomista, Pinto, M. (2025). Bernina Express: a viagem mais espetacular pelos Alpes.
NiT, Pincelli, I. (2026). Este comboio panorâmico atravessa 55 túneis e 196 pontes. Funciona o ano inteiro.