Qual é a melhor época para andar neste comboio? Sempre que quiser
55 túneis e 196 pontes. O Bernina Express percorre uma das linhas ferroviárias mais impressionantes da Europa.

Quem é que já sonhou fazer uma viagem de comboio pela Suíça? Apostamos que a lista de candidatos é grande. Há, contudo, uma dúvida que chega a quase todos: qual fazer? Sim, porque, num país com montanhas, lagos e paisagens tão incríveis, o que não faltam são percursos ferroviários capazes de transformar uma simples deslocação numa viagem memorável.
Estamos a falar do Bernina Express. Curioso? Durante cerca de quatro horas, o comboio atravessa os Alpes suíços, sobe até aos 2.253 metros de altitude e depois desce em direção a Itália, onde a paisagem começa a trocar a neve pelas palmeiras.
O percurso liga Chur, na Suíça, a Tirano, em Itália, passando por St. Moritz e pela região do Passo de Bernina. Pelo caminho, contam-se 55 túneis e 196 pontes, numa sucessão de curvas, vales, lagos e montanhas.
Uma viagem que começou muito antes do Bernina Express
Apesar de hoje ser conhecido sobretudo como uma viagem panorâmica pelos Alpes, o Bernina Express aproveita uma infraestrutura ferroviária que tem mais de um século. A Linha do Albula chegou a St. Moritz em 1904, enquanto a ligação entre St. Moritz e Tirano, através da Linha do Bernina, foi concluída em 1910. O próprio Bernina Express só apareceu mais tarde, em 1973, quando a Ferrovia Rética criou este serviço turístico utilizando as duas linhas.
E há uma razão para esta ferrovia continuar a chamar a atenção mesmo quando não está a transportar turistas de máquina fotográfica em punho. A construção obrigou a encontrar soluções engenhosas para vencer grandes diferenças de altitude num território particularmente complicado.
O trabalho feito há mais de 100 anos foi tão relevante que a UNESCO incluiu, em 2008, as linhas do Albula e do Bernina na lista do Património Mundial. Aliás, a organização destaca precisamente a combinação entre engenharia ferroviária, arquitetura e integração da linha no ambiente alpino.
É por isso que, neste caso, a própria ferrovia faz parte da atração. É que o comboio não está simplesmente a passar por uma paisagem bonita; está a percorrer uma obra de engenharia histórica que ajudou a ligar comunidades isoladas das montanhas.
Glaciares, lagos e uma ponte que parece desafiar a montanha
Ao longo do percurso há vários momentos em que é difícil não interromper a conversa para olhar pela janela. Um dos mais conhecidos surge ainda na parte norte da viagem: o Viaduto de Landwasser, uma estrutura de pedra com cerca de 65 metros de altura e 142 metros de comprimento que atravessa o vale antes de entrar diretamente num túnel. Este é um dos grandes símbolos da Ferrovia Rética.

Mais acima, a paisagem torna-se progressivamente alpina. O comboio passa pela zona de Montebello, com vistas para o maciço do Bernina, e aproxima-se do glaciar Morteratsch. Depois surgem os lagos Lej Pitschen, Lej Nair e Lago Bianco, antes de o percurso atingir o ponto mais elevado, junto ao Ospizio Bernina.
A partir daí começa a descida. E é precisamente nesta mudança que a viagem ganha outro ritmo. Neste momento, as montanhas continuam presentes, mas a paisagem vai ficando cada vez mais verde e mediterrânica até chegar a Tirano, em Itália. A própria Ferrovia Rética resume o percurso com uma expressão bastante apropriada: “from glaciers to palms”.
Antes de chegar ao destino, há ainda outro momento particularmente curioso: o Viaduto Circular de Brusio. Em vez de construir uma descida demasiado inclinada, os engenheiros fizeram a linha descrever uma curva em espiral. É como se o comboio desse uma volta sobre si próprio para perder altitude de forma gradual.
O melhor? Pode fazer esta viagem em qualquer época do ano
“O Bernina Express é operado por diferentes comboios, cujos tamanhos podem variar. Todos, no entanto, têm a mesma composição e contam com carruagens panorâmicas divididas em primeira e segunda classe”, lê-se na revista ‘NiT’. “Enquanto a primeira tem mais espaço e grandes janelas, a segunda é ligeiramente mais pequena. Um dos destaques do serviço é que está disponível ao longo de todo o ano.”
Isto significa que não existe propriamente uma altura certa para fazer o percurso. No verão, os vales estão verdes e as montanhas surgem com menos neve; no outono, aparecem os tons dourados das florestas; no inverno, a linha transforma-se num cenário completamente diferente, com neve a acompanhar boa parte do trajeto.
Também é possível fazer a viagem no sentido contrário, de Tirano para a Suíça. E, durante a época em que funciona, há ainda a possibilidade de continuar de Tirano até Lugano no Bernina Express Bus, acrescentando cerca de três horas de viagem panorâmica por estrada.

Quanto aos preços, em 2026, o bilhete normal de segunda classe entre Chur e Tirano custa 66 francos suíços, enquanto a primeira classe fica nos 113 francos. A estes valores é necessário acrescentar a reserva obrigatória de lugar: em 2026, a reserva para o percurso completo custa 44 francos na época principal e 40 francos na época baixa.
“Os passageiros com Swiss Travel Pass beneficiam de viagem gratuita, pagando apenas a reserva de lugar”, acrescenta o site ‘Ekonomista’.
“Para o percurso completo, os bilhetes começam nos 83€ na época baixa. Muitos viajantes, por sua vez, optam por comprar o Swiss Pass Travel, um bilhete de transporte que permite viagens ilimitadas em toda a rede de transportes do país”, nota também a ‘NiT’ “É uma boa opção caso tenha mais passeios de comboio em mente, com o preço a começar nos 268€, com três dias de transportes ilimitados.”
Há, por isso, um pequeno detalhe que convém não esquecer na hora de fazer as contas: no Bernina Express, comprar apenas o bilhete não chega. A reserva de lugar é obrigatória.
E há uma alternativa interessante para quem quer poupar. A mesma Linha do Bernina também é servida por comboios regionais. Não são o Bernina Express, não têm as carruagens panorâmicas nem os mesmos serviços, mas percorrem a mesma linha e permitem conhecer a paisagem. Neste caso, a reserva não é obrigatória e custa 5 francos suíços, caso queira garantir lugar.
No Bernina Express existe ainda serviço de catering no lugar, com snacks e bebidas, além de Wi-Fi gratuito e um guia digital com informações sobre o percurso. Não há, contudo, um restaurante tradicional com carruagem própria.
“A bordo do comboio, os passageiros têm ainda a oportunidade de pedir snacks e bebidas. As opções são todas locais e destacam-se o pão de pera com queijo de quinta de Chur (12,62€), batatas fritas Zweifel de paprika (4,23€), fatias de maçã desidratada de Chur (7,40€), entre outros. Na parte das bebidas, destacam-se os vinhos suíços e italianos, a partir de 9,50€.”
Referências da notícia
My Switzerland. Do Norte ao Sul da Europa viajando em comboio panorâmico pela Ferrovia Rética, Património Cultural da UNESCO. De glaciares a palmeiras..
Ekonomista, Pinto, M. (2025). Bernina Express: a viagem mais espetacular pelos Alpes.
NiT, Pincelli, I. (2026). Este comboio panorâmico atravessa 55 túneis e 196 pontes. Funciona o ano inteiro.