Tempestade Ingrid em Portugal: uma espiral gigante de nuvens com chuva, neve e vento forte – última hora

A tempestade Ingrid está a influenciar o estado do tempo em Portugal continental, trazendo chuva frequente, vento forte, neve nas terras altas e um agravamento significativo da agitação marítima.

A tempestade Ingrid está hoje a marcar de forma significativa o estado do tempo em Portugal continental, apresentando uma estrutura em espiral bem definida nas imagens de satélite, típica de um sistema depressionário intenso e bem organizado. A circulação associada a esta tempestade está a condicionar o território com chuva persistente, vento forte, queda de neve em altitude e um agravamento expressivo da agitação marítima, num cenário de instabilidade que se prolonga ao longo do fim de semana.

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Durante esta sexta-feira, a passagem sucessiva de frentes ativas ligadas à Ingrid continua a provocar precipitação frequente, mais contínua e por vezes intensa nas regiões do Norte e Centro, sobretudo nas áreas mais expostas à circulação de oeste e noroeste.

Imagem de Satélite da Tempestade Ingrid às 14:00 de sexta-feira (23), cujo centro está situado entre o sudoeste do Reino Unido e o noroeste da Bretanha francesa. Observam-se bandas de nebulosidade, precipitação e linhas de instabilidade pós-frontais muito robustas a oeste de Portugal continental, que resultarão num agravamento do temporal nas próximas horas.
Imagem de Satélite da Tempestade Ingrid às 14:00 de sexta-feira (23), cujo centro está situado entre o sudoeste do Reino Unido e o noroeste da Bretanha francesa. Observam-se bandas de nebulosidade, precipitação e linhas de instabilidade pós-frontais muito robustas a oeste de Portugal continental, que resultarão num agravamento do temporal nas próximas horas.

No Sul, a chuva surge de forma mais irregular, alternando com períodos de menor intensidade, embora o céu se mantenha geralmente muito nublado. Pontualmente, a precipitação poderá ser acompanhada de rajadas fortes, reforçando o desconforto térmico e a sensação de tempo adverso.

Frio permite queda de neve nas zonas mais altas

A entrada de ar mais frio na retaguarda das frentes está a favorecer a ocorrência de neve nas terras altas, com a cota a oscilar entre os 700 e os 900 metros, podendo descer temporariamente em zonas do interior Norte e Centro durante os períodos de precipitação mais intensa. As maiores acumulações deverão concentrar-se nas serras, onde a combinação entre frio persistente e precipitação se mantém mais favorável à queda de neve.

O vento assume um papel central neste episódio meteorológico. A circulação apertada em torno do centro da tempestade está a originar rajadas fortes, especialmente no litoral e nas terras altas, com impacto na circulação rodoviária exposta, na vegetação e em estruturas mais vulneráveis.

Rajadas de vento intensas associadas à tempestade Ingrid.
Rajadas de vento intensas associadas à tempestade Ingrid.

A sensação térmica torna-se particularmente baixa, mesmo fora das zonas de precipitação.

Mar muito agitado ao longo da costa

A agitação marítima é um dos fenómenos mais relevantes associados à tempestade Ingrid. Na costa ocidental, o mar encontra-se muito agitado, com ondas entre 6 e 8 metros de altura significativa e ondas máximas isoladas que podem atingir valores da ordem dos 13 a 15 metros nas zonas mais expostas. Estas condições mantêm risco elevado junto à orla costeira, sobretudo em arribas, frentes marítimas, acessos ao mar e estruturas portuárias.

Ondulação extrema em mar aberto junto à costa ocidental.
Ondulação extrema em mar aberto junto à costa ocidental.

A tempestade Ingrid resulta de um bloqueio persistente de altas pressões em latitudes elevadas, que força o jato polar a deslocar-se para sul e favorece a intensificação das depressões atlânticas. Os fenómenos mais severos concentram-se entre hoje e o fim de semana.