Risco de bruma seca em Portugal: a primeira grande intrusão de poeiras do Saara do ano já tem data marcada

A primeira grande intrusão de poeiras do Saara de 2026 em Portugal continental está prevista para o fim de semana de 28 de fevereiro e 1 de março. Se a previsão se mantiver, estas serão as zonas mais afetadas.
Após esta quarta-feira (25) de chuva ou aguaceiros, principalmente no litoral, acompanhada de trovoada e por vezes sob a forma de granizo, com poeiras em suspensão oriundas do Saara (chuva de lama), o estado do tempo em Portugal continental rapidamente voltará a mudar no dia de amanhã.
Deste modo, para quinta-feira (26) prevê-se um tempo predominantemente estável, seco e soalheiro. A influência do anticiclone sobre a nossa geografia promoverá céu limpo ou pouco nublado e a entrada de ventos de Norte. A presença de algumas poeiras em suspensão poderá ‘emprestar’ um tom mais acinzentado ou esbranquiçado ao céu. Além disto, espera-se uma subida das temperaturas máximas.

Na sexta-feira (27) a aproximação de uma frente atlântica, que perderá força e organização antes de entrar no nosso país, provocará uma descida das temperaturas e chuva fraca e dispersa na Região Norte. As poeiras retirar-se-ão gradualmente do nosso território, persistindo apenas nas regiões do Interior (em particular no Centro e Sul) até às últimas horas de sábado (28).
Prevê-se aumento da concentração de poeiras do Saara para valores muito elevados no domingo, 1 de março
Será então entre as últimas horas de sábado (28) e ao longo de todo o dia de domingo, 1 de março, que a primeira grande intrusão de poeiras do Saara de 2026 entrará por Portugal continental adentro, deixando o céu sobre o nosso território muito turvo.
De acordo com os mapas, a vasta ‘língua’ de poeiras em suspensão subirá do sudeste (Sotavento Algarvio) para o noroeste da nossa geografia. Isto ocorrerá devido à movimentação da depressão posicionada entre Marrocos, Argélia e Mauritânia e à mudança de direção do vento, que passará a soprar de leste, arrastando as poeiras até nós e intensificando a sua concentração.

Prevê-se que as poeiras causem uma redução drástica da visibilidade, afetem a qualidade do ar e que o céu adquira tons alaranjados/acastanhados, sobretudo nas regiões a sul do sistema montanhoso Montejunto-Estrela e em particular no Alentejo e no Algarve, onde se preveem as concentrações mais elevadas.
O posicionamento e trajetória dos diferentes centros de ação (anticiclones e depressões), bem como os ventos dominantes, poderão condicionar decisivamente a distribuição e intensidade das poeiras do Saara na nossa geografia no domingo, 1 de março. Deste modo, esta previsão deve ser encarada com cautela devido ao horizonte temporal (5 dias).
Riscos para a saúde humana
Este aerossol de origem natural constitui um risco para a saúde humana, clima e alguns ecossistemas. No caso dos seres humanos pode causar ou agravar problemas em pessoas com doenças respiratórias e/ou cardiovasculares, tendo o potencial de desencadear reações alérgicas e crises de asma.
Apesar de as poeiras serem constituídas por minerais, o perigo destas partículas reside na possibilidade de transportarem bactérias, vírus, pólens, fungos, ferro, mercúrio e pesticidas, que são recolhidas durante o seu trajeto.