Previsão de um especialista da Meteored Portugal: quando irão acabar os dias de chuva e vento?

Fevereiro vai arrancar com o mesmo padrão meteorológico que vai atingindo Portugal por estes dias. Isto significa que vêm aí mais tempestades e frentes atlânticas que produzirão chuva abundante. Quando mudará esta situação?

Por enquanto, o modelo Europeu continua sem vislumbrar uma alteração significativa no padrão meteorológico dominante no Atlântico Norte. Isto significa que o mês de fevereiro vai arrancar com um estado do tempo semelhante ao dos últimos dias e semanas, sendo por isso expectáveis mais temporais de vento, agitação marítima e precipitação (chuva, neve, granizo), possivelmente acompanhada de trovoada nalgumas ocasiões.

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No curto prazo, tanto hoje como no fim de semana em que se iniciará fevereiro, os fenómenos meteorológicos adversos manter-se-ão. Este sábado (31) será notícia pelas expectáveis tréguas no tempo instável e chuvoso, mas que, ainda assim, serão momentâneas devido à chegada de uma tempestade e respetiva frente entre domingo (1) e segunda (2). De momento, o IPMA mantém ativos os avisos de chuva, neve e vento (Norte, Centro e litoral Oeste, incluindo Lisboa) e de agitação marítima para toda a faixa costeira ocidental.

O jato polar mantém-se mais a sul que o habitual: mais tempestades encaminhadas para Portugal

Como temos explicado na Meteored ultimamente, um bloqueio forte e persistente de altas pressões entre a Gronelândia e a Escandinávia e uma NAO negativa persistente sobre o Atlântico Norte faz com que o jato polar circule mais forte, ondulado e muito mais a sul do que o habitual, fazendo com que um "comboio" de tempestades continue a conseguir chegar até Portugal.

Mapa de previsão até quinta-feira, 5 de fevereiro. Muitas regiões voltarão a superar os 150/200 milímetros de precipitação acumulada.
Mapa de previsão até quinta-feira, 5 de fevereiro. Muitas regiões voltarão a superar os 150/200 milímetros de precipitação acumulada.

O nascimento destas tempestades é, entre outros fatores, proporcionado pelo ar frio de origem polar. Porém, como estas baixas pressões vão circulando em latitudes mais a sul do que o habitual, interagem ao longo da sua trajetória e evolução com o ar tropical marítimo situado a sul, incluindo os rios atmosféricos carregados de humidade que são impulsionados desde as Caraíbas até Portugal: este fator traduz-se em chuva abundante e muito eficiente.

Isto não quer dizer que mais tempestades com o grau de destruição de Kristin estejam por chegar, mas sim que os meios de vigilância, de prevenção e a sociedade civil devem estar atempadamente preparados em caso de tal se verificar.

Neste momento, até mesmo uma tempestade atlântica típica de inverno pode revelar-se mais gravosa do que o expectável, uma vez que acentuaria os danos e os efeitos no território das suas antecessoras.

Tudo indica que a sequência de episódios invernais praticamente incessantes verificada neste janeiro irá manter-se até meados de fevereiro, com a chuva, neve e vento que estão por vir a constituírem grande preocupação, especialmente nas regiões de Portugal continental mais expostas aos fluxos muito húmidos de Oeste, impulsionados pelas tempestades e frentes que nos estão a atingir, ou que passam perto do nosso país.

Início de fevereiro chuvoso e instável em praticamente todo o país

Na primeira semana de fevereiro os sinais evidenciados pelos mapas de previsão do modelo Europeu são claros: a circulação atlântica de Oeste irá manter-se muito ativa, o que resultará na ocorrência de mais chuva abundante de norte a sul de Portugal continental e no arquipélago dos Açores. Já no arquipélago da Madeira a precipitação será muito mais escassa, comparativamente.

Toda a geografia do Continente continuará a registar precipitação acima da média na primeira semana de fevereiro, contribuindo para um risco (ou agravamento) de cheias e inundações.
Toda a geografia do Continente continuará a registar precipitação acima da média na primeira semana de fevereiro, contribuindo para um risco (ou agravamento) de cheias e inundações.

Para a segunda semana de fevereiro é provável que o estado do tempo continue a comportar-se de forma semelhante, com novos temporais de chuva, neve, vento e mar agitado. Não obstante, é importante realçar que estes episódios de tempo instável poderão intercalar com um ou outro dia de sol, com os fenómenos meteorológicos adversos a gerarem tréguas pontualmente.

Como referido acima, existe preocupação face à continuidade do tempo instável, com a precipitação (e possivelmente o vento) a assumir-se como o elemento climático potencialmente mais perigoso dos próximos dias e semanas.

Em primeiro lugar porque os solos estão saturados e já não conseguem absorver água da mesma forma. Em segundo lugar, a queda de neve e o seu derretimento devido às oscilações na temperatura (descidas e subidas) derivadas da constante alternância de massas de ar (polares e temperadas).

A neve derretida, ao transformar-se em água e ao combinar-se com a precipitação abundante que já caiu e à que ainda está por vir, especialmente nas zonas de Portugal continental mais expostas aos fluxos de Oeste e Sudoeste, contribuirá para um agravamento do risco de cheias, inundações, enxurradas, derrocadas e deslizamentos de terras.

Quando poderá o “comboio” de tempestades atlânticas começar a abrandar?

Neste momento os mapas de previsão sub-sazonais do modelo Europeu começam a perspetivar mudanças algures entre a terceira e a quarta semana de fevereiro. Isto porque o padrão de NAO negativa poderá deixar de dominar, cedendo perante outros padrões meteorológicos como o da NAO positiva e bloqueio. No entanto, é preciso encarar esta previsão a longo prazo com a devida cautela, interpretando-a como uma tendência.