Padrão NAO+ vai manter-se até 11 de setembro, alerta Marta Godinho: "com efeitos evidentes no clima em Portugal"

O início de setembro será marcado pela alternância entre os regimes NAO+ e Atlantic Ridge, com predomínio do primeiro. Após alguns dias de calor e um sábado instável, as previsões apontam para temperaturas acima da média e pouca chuva.
As previsões do ECMWF apontam para a manutenção de um padrão atmosférico dominado maioritariamente pela fase positiva da Oscilação do Atlântico Norte (NAO+) durante os próximos dias.
Em Portugal, os seus efeitos serão evidentes e, apesar de um episódio de instabilidade no sábado (5), a tendência para a segunda semana de setembro será de temperaturas acima da média e precipitação abaixo do normal.
A NAO+ estará presente no início de setembro, mas o Atlantic Ridge também terá influência
A previsão sub-sazonal dos regimes meteorológicos do ECMWF mostra que a NAO+ (fase positiva da Oscilação do Atlântico Norte) será o padrão predominante durante grande parte dos primeiros dias de setembro, embora não de forma contínua. O gráfico evidencia algumas interrupções, com destaque para a influência temporária do regime Atlantic Ridge (ATR), representado a roxo, particularmente em torno do dia 5/6. Posteriormente, a probabilidade de NAO+ volta a aumentar de forma bastante expressiva, tornando-se novamente o regime dominante aproximadamente entre os dias 7 e 10 de setembro.
O regime NAO+ caracteriza-se, de forma simplificada, por um reforço do contraste de pressão entre as altas pressões subtropicais do Atlântico e as baixas pressões nas latitudes mais elevadas. Esta configuração tende a intensificar e deslocar para norte a circulação das principais depressões e frentes atlânticas, deixando Portugal mais frequentemente sob influência anticiclónica e, consequentemente, com tempo mais seco e estável.
Contudo, o gráfico mostra também alguns dias sob maior influência do Atlantic Ridge, um regime caracterizado pelo desenvolvimento de uma dorsal de altas pressões sobre o Atlântico Norte. É precisamente neste contexto que se enquadra a maior instabilidade prevista para sábado, dia 5.
Assim, mais do que uma situação de NAO+ permanente, os próximos dias deverão apresentar uma alternância entre NAO+ e Atlantic Ridge, com clara predominância do primeiro no conjunto do período, algo que terá efeitos evidentes no tempo em Portugal.
Até sexta-feira o anticiclone bloqueia as principais tempestades atlânticas
Entre esta quarta-feira, dia 2, e sexta-feira, dia 4, as altas pressões deverão manter uma influência importante sobre a Península Ibérica.
A configuração atmosférica prevista para sexta-feira é bastante ilustrativa: a noroeste dos Açores encontra-se uma depressão atlântica, acompanhada por uma extensa massa de nebulosidade e precipitação. Contudo, entre este sistema e Portugal estabelece-se uma região de altas pressões.

Este "escudo" anticiclónico deverá impedir que as principais frentes atlânticas avancem diretamente sobre Portugal continental, desviando a circulação mais perturbada para norte.
Ao mesmo tempo, o território continuará sob influência de uma massa de ar bastante quente. Quinta-feira deverá ser um dos dias mais quentes deste período, com o Alentejo a poder registar máximas superiores a 40 ºC em alguns locais. Na sexta-feira (4), apesar da manutenção de um ambiente quente, começarão a surgir alguns sinais de mudança. A nebulosidade deverá aumentar e não se exclui a ocorrência pontual de precipitação fraca.
Sábado interrompe temporariamente a estabilidade com trovoadas de norte a sul
Será no sábado, dia 5, que a situação meteorológica poderá tornar-se bastante mais interessante. As projeções atuais apontam para um aumento significativo da atividade convectiva durante o dia. As primeiras células poderão surgir durante a manhã, incluindo em zonas do litoral, nomeadamente nas regiões de Lisboa e Leiria. Com o avançar das horas, a instabilidade deverá estender-se para o interior e para outras regiões do país.
Durante a tarde, o modelo Meteored projeta descargas elétricas em vários pontos de Portugal continental, com maior atividade em algumas zonas do Norte e Centro. Localmente, a densidade de raios prevista ultrapassa os 12 raios/km².
A combinação de temperaturas elevadas junto à superfície e ar relativamente mais frio em altitude favorece movimentos verticais vigorosos na atmosfera. O ar quente ascende, arrefece e condensa, permitindo o rápido desenvolvimento de nuvens convectivas. Por isso, além das trovoadas, poderão ocorrer aguaceiros localmente intensos, granizo e rajadas fortes de vento associados às células mais desenvolvidas.
Depois da instabilidade, o NAO+ volta a deixar a sua marca
O episódio de sábado não deverá representar uma alteração definitiva do padrão atmosférico. Pelo contrário, quando se olha para a escala de vários dias, as projeções continuam a favorecer condições compatíveis com a influência do NAO+. E é aqui que os mapas sub-sazonais do ECMWF para a semana de 7 a 14 de setembro se tornam particularmente relevantes.
A previsão das anomalias da temperatura a 2 metros apresenta praticamente todo o território continental sob anomalia positiva, indicando temperaturas médias semanais superiores aos valores climatológicos.

O sinal quente deverá ser mais pronunciado no Sul e em partes do interior das regiões Norte e Centro. Junto ao litoral Norte e Centro, a influência marítima deverá contribuir para limitar o aquecimento, pelo que as anomalias serão tendencialmente mais modestas.
Importa recordar que uma anomalia positiva semanal não significa necessariamente calor extremo todos os dias. Significa, neste caso, que a temperatura média do conjunto da semana deverá ficar acima da média climatológica para esta altura do ano.
Até dia 11, setembro poderá continuar mais quente e seco que o normal
A precipitação reforça ainda mais este cenário. O mapa semanal do ECMWF aponta para anomalias negativas de precipitação em Portugal, sinal de que, no conjunto da semana, deverá chover menos do que seria climatologicamente expectável.

Assim, depois da exceção mais instável prevista para sábado, a tendência de médio prazo volta a favorecer tempo predominantemente seco e temperaturas acima da média.