Outra cúpula de calor poderá afetar Portugal: semelhanças e diferenças face ao último grande episódio
Os modelos meteorológicos apontam para o regresso de uma cúpula de calor a Portugal no início de julho. A configuração atmosférica apresenta semelhanças com o episódio de maio, mas o contexto sazonal poderá favorecer temperaturas ainda mais elevadas.

Uma nova cúpula de calor poderá instalar-se sobre a Península Ibérica a partir de quarta-feira, 1 de julho, intensificando-se entre os dias 2 e 5, associada a um padrão de bloqueio atmosférico. Embora ainda exista alguma incerteza quanto à duração e intensidade do episódio, o modelo europeu ECMWF aponta para uma configuração muito semelhante à que deu origem ao calor excecional registado entre 20 e 31 de maio.
Bloqueio atmosférico favorece a formação da cúpula de calor
A evolução prevista resulta do reforço de uma dorsal anticiclónica sobre a Península Ibérica, enquanto a corrente de jato permanece posicionada em latitudes mais elevadas. Esta configuração favorece a subsidência, ou seja, o movimento descendente do ar na atmosfera.
À medida que o ar desce, é comprimido e aquece naturalmente, dificultando a formação de nuvens e a passagem de sistemas frontais. Como consequência, o calor tende a intensificar-se e a persistir durante vários dias, configurando aquilo que é habitualmente designado por uma cúpula de calor.

Os primeiros sinais desta evolução deverão fazer-se sentir na quarta-feira, mas será entre quinta-feira e o fim de semana que o calor poderá atingir maior intensidade. As previsões apontam para temperaturas superiores a 40 ºC no interior, enquanto cidades como Porto, Leiria e Lisboa poderão aproximar-se dos 36, 38 e 37 ºC, respetivamente. As noites deverão tornar-se progressivamente mais quentes, sobretudo no interior e em alguns pontos do litoral, reduzindo o arrefecimento noturno e aumentando o desconforto térmico.
Julho reúne condições mais favoráveis ao aquecimento
O padrão previsto apresenta várias semelhanças com o registado entre 20 e 31 de maio. Em ambos os casos, o calor resulta do fortalecimento de uma dorsal anticiclónica e de um bloqueio atmosférico que dificulta a progressão das depressões atlânticas, permitindo que uma massa de ar muito quente permaneça sobre a Península Ibérica durante vários dias. A principal diferença reside na época do ano.

Enquanto o episódio de maio ocorreu durante a transição para o verão climatológico, o cenário previsto para os primeiros dias de julho beneficia de um solo mais aquecido, maior insolação e uma atmosfera mais seca, fatores que poderão potenciar temperaturas ainda mais elevadas e prolongar os efeitos do calor.

Os mapas do ECMWF mostram anomalias térmicas que poderão ultrapassar os 10 ºC em grande parte do território, sobretudo a partir de quinta-feira, reforçando o carácter excecional deste episódio para o início de julho.
Aconselha-se o acompanhamento das previsões meteorológicas, pois pequenas alterações na circulação atmosférica poderão modificar a duração deste episódio e a intensidade do calor.