Grande Lisboa sentiu um sismo e uma réplica em menos de dois minutos

Os abalos com magnitude de 4,1 na escala de Richter foram sentidos com maior intensidade em Loures. Proteção Civil apela a cuidados redobrados nas zonas afetadas por inundações e deslizamento de terras.

O sismo, com uma profundidade de 15 km, foi relativamente superficial, tendo por isso sido mais sentido pela população da Grande Lisboa. Imagem: IPMA
O sismo, com uma profundidade de 15 km, foi relativamente superficial, tendo por isso sido mais sentido pela população da Grande Lisboa. Imagem: IPMA

Em menos de dois minutos, um sismo, seguido de uma réplica, foi sentido ao início da tarde desta quinta-feira em diversos municípios da Região de Lisboa.

Os abalos, ambos com magnitude de 4,1 na escala de Richter, foram registados em locais como Oeiras, Cascais, Sintra, Alenquer, Alverca, Castanheira do Ribatejo, Vila Franca de Xira, Bucelas e Porto Alto.

O primeiro abalo foi registado às 12h14 e teve o seu epicentro a cerca de quatro quilómetros a Oeste-Noroeste de Alenquer, com uma profundidade de 15 quilómetros, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

A terra voltou a tremer com a mesma intensidade e com o mesmo epicentro às 12h16, tendo o abalo sido sentido também em vários municípios da Grande Lisboa.

Intensidade máxima em Loures

Segundo o IPMA, este sismo, "de acordo com a informação disponível até ao momento", não causou danos pessoais ou materiais e foi sentido com intensidade máxima IV/V no concelho de Loures.

Foi ainda sentido com menor intensidade nos concelhos de Montemor-o-Novo, Peniche, Alenquer, Lisboa, Sintra, Torres Vedras, Vila Franca de Xira, Benavente (Santarém), Almada e Barreiro (Setúbal).

Devido aos danos provocados pelas recentes tempestades, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil apelou à população da Região de Lisboa para reforçar os cuidados nas zonas já anteriormente afetadas por movimentos de massa e instabilidade de estruturas causadas pela forte precipitação das últimas semanas.

Terceiro sismo em dois meses

Desde o final do ano passado, já ocorreram três sismos em Portugal continental. O último aconteceu a 13 de dezembro, em Celorico da Beira, tendo atingido também uma magnitude de 4,1 na escala de Richter. Dois dias mais tarde, foi a vez de Évora sentir um abalo com magnitude de 3,5 na escala de Richter.

O sismo desta quinta-feira, juntamente com o ocorrido em dezembro em Celorico da Beira, foi o segundo mais forte desde o início de 2025.

Para identificar um evento sísmico de maior amplitude, é necessário retroceder até 17 de fevereiro do ano passado, quando um tremor de terra de magnitude 4,7 - com epicentro localizado no Atlântico, próximo ao Seixal - foi registado na Região de Lisboa.

A maior parte dos sismos sentidos em Portugal ocorre junto à fronteira das placas Euroasiática – onde se encontra a Península Ibérica – e Africana, afetando sobretudo o litoral sul e a região algarvia. Imagem: NASA, MODIS / LANCE
A maior parte dos sismos sentidos em Portugal ocorre junto à fronteira das placas Euroasiática – onde se encontra a Península Ibérica – e Africana, afetando sobretudo o litoral sul e a região algarvia. Imagem: NASA, MODIS / LANCE

Os sismos na Grande Lisboa e, em particular, na Região Sul estão relacionados com a interação da placa tectónica Africana a pressionar a Euroasiática.

Em constante movimento, as placas geram falhas ativas em Portugal Continental e uma maior sismicidade, como os abalos sentidos nos concelhos de Albufeira e Faro, em março, e em Almada, Sintra e Sesimbra, em fevereiro do ano passado.