O jato polar influencia o modelo europeu: Portugal entra numa fase de rápida transição atmosférica

O comportamento mais ondulado do jato polar deverá manter o tempo em Portugal bastante variável nas próximas semanas, com alternância entre fases de chuva, descidas de temperatura e períodos temporários de estabilidade atmosférica.

Variabilidade atmosférica em destaque durante maio, com alternância entre períodos de instabilidade, trovoadas e abertas, refletindo a influência de um jato polar dinâmico e padrões em constante mudança sobre Portugal.
Variabilidade atmosférica em destaque durante maio, com alternância entre períodos de instabilidade, trovoadas e abertas, refletindo a influência de um jato polar dinâmico e padrões em constante mudança sobre Portugal.

O produto "Weather Regimes" do ECMWF indica uma elevada variabilidade atmosférica até, pelo menos, dia 25 de maio, com alternância entre fases de NAO+, períodos sem regime dominante e episódios de bloqueio escandinavo (Block) e Atlantic Ridge (ATR). Esta sucessão rápida de padrões revela uma atmosfera bastante dinâmica à escala sinóptica, marcada por mudanças frequentes na circulação dominante sobre o Atlântico Norte e a Europa.

Evolução da probabilidade dos principais regimes atmosféricos na Europa até final de maio. Destaca-se a alternância entre NAO+, bloqueio escandinavo e Atlantic Ridge, evidenciando elevada variabilidade da circulação.
Evolução da probabilidade dos principais regimes atmosféricos na Europa até final de maio. Destaca-se a alternância entre NAO+, bloqueio escandinavo e Atlantic Ridge, evidenciando elevada variabilidade da circulação.

Entre os dias 7 e 10 de maio destaca-se a transição de um regime NAO+, normalmente associado a maior estabilidade na Península Ibérica, para um cenário sem padrão atmosférico bem definido (dias 8 e 9) e, posteriormente, para uma maior probabilidade de bloqueio atmosférico (dia 10). Esta evolução está diretamente ligada ao comportamento do jato polar, atualmente mais ondulado e variável.

O papel do jato polar: porque está tudo mais dinâmico?

O jato polar é uma corrente de ar muito rápida em altitude, geralmente situada entre os 9 e os 12 quilómetros, que separa massas de ar frio polar, de ar mais quente subtropical. Quando apresenta uma trajetória mais retilínea e intensa, tende a favorecer padrões atmosféricos mais estáveis e previsíveis.

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Contudo, neste momento, o jato encontra-se mais meridionalizado, consequência da redução do gradiente térmico entre o Ártico e as latitudes médias.

Mapa do vento em altitude mostra um jato polar bastante ondulado, favorecendo a descida de ar frio para latitudes mais baixas e a formação de depressões próximas da Península Ibérica.
Mapa do vento em altitude mostra um jato polar bastante ondulado, favorecendo a descida de ar frio para latitudes mais baixas e a formação de depressões próximas da Península Ibérica.

Esta configuração favorece uma diminuição da velocidade do fluxo, maior ondulação da corrente e trocas mais acentuadas de massas de ar entre norte e sul.

Na prática, este comportamento facilita a formação de depressões frias isoladas e reduz a persistência dos padrões atmosféricos, exatamente o cenário sugerido pelos modelos para Portugal nas próximas semanas.

De 8 a 13 de maio haverá uma depressão fria e fase instável

A partir de 8 de maio, o jato polar ondulado deverá canalizar ar frio para latitudes mais baixas, contribuindo para o desenvolvimento de uma depressão fria nas proximidades da costa portuguesa. Este cenário enquadra-se num regime do tipo Atlantic Ridge (ATR), em que o anticiclone se posiciona mais a norte, em direção à Gronelândia e Islândia, abrindo espaço à descida de sistemas depressionários sobre a Península Ibérica.

Como consequência, prevê-se um período marcado por precipitação frequente, por vezes moderada ou forte, vento moderado a forte e uma descida das temperaturas.

Precipitação acumulada prevista entre 8 e 13 de maio poderá ultrapassar os 50 mm em várias regiões, e ultrapassar os 100 mm localmente, devido à passagem de uma depressão fria sobre a Península Ibérica.
Precipitação acumulada prevista entre 8 e 13 de maio poderá ultrapassar os 50 mm em várias regiões, e ultrapassar os 100 mm localmente, devido à passagem de uma depressão fria sobre a Península Ibérica.

Não se exclui também a ocorrência de instabilidade convectiva, com aguaceiros localmente intensos e possibilidade de trovoada. Esta fase mais instável poderá prolongar-se até cerca de 13 de maio, acompanhada pela passagem de vários sistemas frontais.

Regresso temporário da estabilidade de 16 a 19 de maio

Já a partir de meados do mês, os sinais atuais apontam para uma reorganização gradual da circulação atmosférica, com o anticiclone dos Açores a assumir uma posição mais clássica, típica de um regime NAO+. Este padrão deverá favorecer maior estabilidade atmosférica, redução significativa da precipitação e uma subida gradual das temperaturas.

Tendência para reforço e reposicionamento do anticiclone dos Açores em latitudes mais baixas, promovendo um padrão mais estável típico de NAO+.
Tendência para reforço e reposicionamento do anticiclone dos Açores em latitudes mais baixas, promovendo um padrão mais estável típico de NAO+.

Ainda assim, esta estabilização poderá ser apenas temporária.

Após 17 de maio o bloqueio escandinavo pode reabrir a instabilidade

Os ensembles continuam a indicar, para o período posterior a 17 de maio, um aumento da probabilidade de bloqueio escandinavo. Este tipo de regime caracteriza-se pela presença de um anticiclone robusto sobre o norte da Europa, capaz de bloquear a circulação zonal do jato polar e forçar a sua descida para latitudes mais baixas. Quando isso acontece, as depressões atlânticas tendem a ser redirecionadas para a Península Ibérica.

Em termos práticos, isto significa que, mesmo após uma fase mais estável, Portugal poderá voltar rapidamente a um padrão mais instável, com novas incursões de ar frio e a aproximação de sistemas depressionários vindos do Atlântico.

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