O fenómeno que poderá alterar drasticamente o tempo em Portugal em março persiste: situação atual

O bloqueio anticiclónico escandinavo continua a condicionar o tempo em Portugal, forçando a ondulação do jato polar, promovendo instabilidade, descida de temperatura e precipitação até ao início da próxima semana, antes do regresso gradual do anticiclone dos Açores.

O bloqueio anticiclónico escandinavo continua a desempenhar um papel determinante na configuração atmosférica sobre a Europa e mantém influência indireta no estado do tempo em Portugal até ao início da próxima semana.

Bloqueio no Norte, instabilidade no Sul

A atmosfera encontra-se em reorganização. O anticiclone escandinavo, bem instalado no norte da Europa, impede a progressão normal das depressões atlânticas para latitudes mais elevadas. Como consequência, o jato polar ondula de forma mais acentuada e força a formação de um cavado sobre a Península Ibérica.

Representação do jato polar em altitude (500 hPa), evidenciando forte ondulação. O bloqueio anticiclónico escandinavo (~1029 hPa) impede a progressão zonal da circulação, forçando a formação de um cavado pronunciado sobre a Península Ibérica.
Representação do jato polar em altitude (500 hPa), evidenciando forte ondulação. O bloqueio anticiclónico escandinavo (~1029 hPa) impede a progressão zonal da circulação, forçando a formação de um cavado pronunciado sobre a Península Ibérica.

Durante a tarde de hoje, mantém-se chuva moderada, sobretudo no Alentejo, onde os acumulados horários poderão atingir 6 mm, especialmente na região de Beja. No Algarve, a precipitação será mais fraca, podendo prolongar-se até à noite.

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Simultaneamente, poeiras do deserto do Saara continuam a afetar a qualidade do ar, com concentrações elevadas de partículas inaláveis (≤10 μm), também com maior incidência na região alentejana.

Cavado mais pronunciado e precipitação a entrar por dois flancos

Na quinta-feira, o cavado aprofunda-se e posiciona-se quase meridionalmente sobre Portugal. A circulação atmosférica permite a entrada de uma frente fria pelo litoral oeste, enquanto um centro de baixas pressões sobre o leste da Península Ibérica gera instabilidade adicional.

Cavado aprofundado e alinhado meridionalmente. Entrada de frente fria pelo litoral oeste e precipitação associada a centro de baixas pressões ativo (~1008 hPa) no leste peninsular. Precipitação a entrar por oeste e interior.
Cavado aprofundado e alinhado meridionalmente. Entrada de frente fria pelo litoral oeste e precipitação associada a centro de baixas pressões ativo (~1008 hPa) no leste peninsular. Precipitação a entrar por oeste e interior.

Assim, a chuva entrará tanto pelo oeste, associada à frente, como pelo interior leste, ligada à depressão peninsular. No litoral, prevê-se precipitação fraca a moderada. A partir das 15h, a chuva moderada e mais desorganizada poderá afetar regiões ao longo da fronteira com Espanha.

Ar polar em altitude e possibilidade de neve

Na sexta-feira, o cavado mantém-se bem estabelecido e continua a canalizar ar mais frio em altitude sobre a Península Ibérica. O centro de baixas pressões permanece ativo, alimentado por essa injeção de ar polar.

A precipitação será geral, afetando Norte, Centro, Sul e Interior. As temperaturas descem e poderão verificar-se condições para queda de neve nas cotas mais elevadas da Serra da Estrela.

Mapa de temperatura a 850 hPa (~1500 m de altitude) evidenciando a advecção de ar polar mais frio sobre a Península Ibérica.Esta intrusão fria em médios níveis favorece a instabilidade atmosférica e cria condições para queda de neve nos pontos mais elevados, nomeadamente na Serra da Estrela.
Mapa de temperatura a 850 hPa (~1500 m de altitude) evidenciando a advecção de ar polar mais frio sobre a Península Ibérica.Esta intrusão fria em médios níveis favorece a instabilidade atmosférica e cria condições para queda de neve nos pontos mais elevados, nomeadamente na Serra da Estrela.

No sábado, a instabilidade persiste, embora com menor organização. São esperados aguaceiros fracos no Norte e Centro, num ambiente ainda influenciado pela circulação depressionária.

Domingo e segunda-feira: bloqueio desloca-se e o anticiclone aproxima-se

A partir de domingo, o bloqueio escandinavo começa a deslocar-se mais para leste, enfraquecendo a sua influência direta na dinâmica de Portugal. Em simultâneo, o anticiclone dos Açores aproxima-se do continente.

Na segunda-feira à noite, o padrão atmosférico altera-se de forma mais evidente. O cavado dissipa-se progressivamente e Portugal passa a ficar sob maior proteção anticiclónica, com tendência para estabilização do tempo.

Anticiclone dos Açores reforçado (~1033 hPa) aproxima-se do continente. Bloqueio escandinavo deslocado para leste. Dissipação do cavado e transição para padrão atmosférico mais estável.
Anticiclone dos Açores reforçado (~1033 hPa) aproxima-se do continente. Bloqueio escandinavo deslocado para leste. Dissipação do cavado e transição para padrão atmosférico mais estável.

O bloqueio escandinavo mostrou, mais uma vez, como um fenómeno distante pode reorganizar profundamente o clima regional em março, desviando frentes, ondulando o jato polar e prolongando a instabilidade sobre a Península Ibérica.