Treinar na cidade: as estratégias essenciais para proteger os pulmões da poluição

Do asfalto para a natureza: as estratégias essenciais para proteger os seus pulmões e respirar ar puro enquanto treina. Saiba mais aqui!

Afastar-se apenas 50 metros de uma estrada movimentada pode reduzir a inalação de gases tóxicos em quase metade.
Afastar-se apenas 50 metros de uma estrada movimentada pode reduzir a inalação de gases tóxicos em quase metade.

Quem corre conhece bem a diferença entre a sensação de uma estrada movimentada e o alívio de um percurso em plena natureza. Embora os benefícios do exercício ao ar livre superem, por norma, os riscos da poluição, a atividade física intensa altera drasticamente a nossa fisiologia respiratória.

Durante o esforço, inalamos entre 10 a 20 vezes mais ar do que em repouso e passamos a respirar predominantemente pela boca.

Ao contornar a filtragem natural das fossas nasais, abrimos caminho para que poluentes tóxicos, como o dióxido de azoto, o monóxido de carbono, o ozono e as partículas finas (PM2.5), penetrem nas zonas mais profundas dos pulmões.

Ao correr, inalamos até 20 vezes mais ar do que em repouso, aumentando drasticamente a absorção de poluentes no organismo.
Ao correr, inalamos até 20 vezes mais ar do que em repouso, aumentando drasticamente a absorção de poluentes no organismo.

A inalação prolongada e profunda destes compostos causa inflamação pulmonar, prejudica o desenvolvimento respiratório e pode aumentar o risco de doenças neurológicas ou agravar condições como a asma.

A importância da escolha do local, do horário e da intensidade

Para mitigar estes riscos, a escolha do local e do horário de treino é a principal linha de defesa. Deve-se evitar praticar exercício durante as horas de ponta, dando preferência ao início da manhã, quando há menos tráfego, as temperaturas são mais baixas e os níveis de ozono estão reduzidos.

Afastar-se apenas 50 a 100 metros de uma estrada principal reduz drasticamente a inalação de toxinas.

É recomendável evitar cruzamentos e ruas ladeadas por edifícios altos que aprisionam os gases, optando sempre por parques, florestas ou vias residenciais calmas. Além disso, monitorizar o Índice de Qualidade do Ar (AQI) permite ajustar o ritmo: em dias críticos, reduzir a intensidade (optar por uma caminhada rápida em vez de uma corrida intensa) limita significativamente o volume de ar poluído inalado.

Alternativas em recintos fechados e cuidados complementares

Se o ar estiver severamente poluído, transferir o treino para um ambiente fechado (ginásio ou em casa) é a decisão mais segura. Contudo, ao treinar em casa, garanta que o espaço está bem ventilado, pois o dióxido de carbono exalado durante o esforço acumula-se rapidamente num quarto fechado, prejudicando o desempenho.

Treinar bem cedo de manhã é ideal: há menos tráfego e os níveis de ozono estão no ponto mais baixo.
Treinar bem cedo de manhã é ideal: há menos tráfego e os níveis de ozono estão no ponto mais baixo.

Quanto ao uso de máscaras (como as FFP2), embora filtrem partículas de forma eficaz, dificultam a respiração em esforços vigorosos, sendo mais adequadas para deslocações a ritmos moderados. Por fim, apostar numa dieta rica em antioxidantes e ómega-3 ajuda o organismo a combater a inflamação celular induzida pelos poluentes.

Com o devido planeamento estratégico, é perfeitamente possível manter-se ativo e colher os benefícios do desporto protegendo a saúde respiratória.

Referência da notícia

Hogenboom, Melissa. (2026). How to minimise the amount of polluted air you inhale while exercising.