Mudanças no tempo para junho: a última previsão do modelo europeu na Meteored

O modelo europeu acaba de atualizar as suas tendências para o resto de junho: analisa-se que hipóteses existem para um novo episódio de temperaturas muito elevadas, bem como a possibilidade de chuva e/ou trovoadas fortes em Portugal.

Na transição para o verão (mês de junho) costuma-se gerar um fortalecimento do anticiclone dos Açores, que interage com o oceano e a orografia portuguesa, tornando mais frequente o aparecimento de fenómenos como os nevoeiros de advecção, as brisas marítimas e a nortada.
Na transição para o verão (mês de junho) costuma-se gerar um fortalecimento do anticiclone dos Açores, que interage com o oceano e a orografia portuguesa, tornando mais frequente o aparecimento de fenómenos como os nevoeiros de advecção, as brisas marítimas e a nortada.

Maio de 2026 finalizou com um episódio de temperaturas muito elevadas no Sudoeste Europeu, com centenas de recordes espalhados por Reino Unido, França, Espanha e Portugal. Junho arrancou com calor, mas sem valores tão elevados e, além disso, depressa se produziu o regresso da precipitação atlântica de carácter frontal ao nosso país, sobretudo nas regiões do litoral Norte e Centro, devido à passagem de algumas frentes e depressões.

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Na manhã deste primeiro sábado de junho, dia 6, manteve-se a situação de céu muito nublado e voltou a chover no litoral Norte e Centro. Não obstante, para este fim de semana, os mapas antecipam uma situação em que o tempo ficará gradualmente mais estável em toda a geografia de Portugal continental, com tendência para uma certa variabilidade das temperaturas (podem subir ou descer conforme a região).

Estarão previstos novos episódios de calor e precipitação (seja ela frontal - chuva ou chuviscos; ou convectiva - trovoadas fortes) no que resta de junho?

O modelo europeu é explícito quanto às temperaturas

O modelo europeu acaba de atualizar a sua previsão para o resto do mês de junho no nosso território. Tudo indica que, este mês, seja bastante provável as temperaturas registarem valores acima da média em grande parte de Portugal, com anomalias positivas que serão mais significativas nas zonas de fronteira com Espanha destes três distritos: Bragança, Guarda e Castelo Branco.

Se o cenário previsto atualmente se concretizar, nas extremidades orientais dos três referidos distritos as temperaturas poderão registar mais de 3 ºC acima da média de junho.

O modelo europeu sugere um mês de junho mais quente do que o habitual em Portugal continental, sobretudo no interior Norte, Centro e em várias zonas do Alentejo.
O modelo europeu sugere um mês de junho mais quente do que o habitual em Portugal continental, sobretudo no interior Norte, Centro e em várias zonas do Alentejo.

No resto do interior Norte e Centro, e numa parte do Alentejo mais próxima à fronteira com Espanha, as temperaturas poderão ser entre 2 a 3 ºC mais elevadas do que as médias registadas para esta época do ano. Tendo isto em conta, não se pode descartar a possibilidade de ocorrência de um novo episódio de temperaturas muito elevadas nas próximas semanas, cuja probabilidade seria maior nas regiões do interior, sobretudo nas zonas mais próximas à fronteira com Espanha.

Embora o calor possa vir a ser intenso, é provável que haja alguns períodos temporários de maior frescura. Quanto mais para oeste e, por conseguinte, mais próximos do litoral e da influência marítima, observam-se valores de anomalia térmica positiva gradualmente mais moderados ou suaves. Numa extensa parte de Portugal continental - correspondente à zona intermédia entre as regiões mais próximas ao litoral e as mais próximas à fronteira com Espanha - as temperaturas poderão registar entre 1 e 2 ºC acima do normal.

Quanto às anomalias térmicas positivas mais suaves, estas poderão surgir no litoral Centro, litoral Oeste, litoral Alentejano, Barlavento Algarvio e arquipélago dos Açores (entre 0,5 e 1 ºC) graças ao efeito termorregulador do mar. Por enquanto, no arquipélago da Madeira e em algumas áreas da faixa costeira ocidental do Continente, não se preveem anomalias de qualquer tipo no que diz respeito às temperaturas.

Para as próximas semanas estarão à vista mais episódios de precipitação frontal atlântica ou trovoadas fortes?

No que diz respeito à chuva a análise adquire um grau de complexidade superior. A precipitação do início do verão costuma ser convectiva (aguaceiros, trovoada e granizo), com distribuição e intensidade irregulares. Não obstante, tampouco é incomum o aparecimento de sistemas frontais atlânticos, como os que trouxeram precipitação fraca e chuvisco nestes primeiros dias de junho ao litoral Norte e Centro. Irá, a médio e longo prazo, surgir mais precipitação, seja ela de carácter frontal, ou convectivo?

No que resta da primeira quinzena de junho, espera-se que a precipitação registe níveis inferiores à média climatológica de referência para a época do ano devido à influência das altas pressões. A mesma tendência - anomalia negativa de precipitação - é observada nos arquipélagos dos Açores e da Madeira. No entanto, tanto no Continente, como nas Ilhas, não se exclui a passagem pontual de alguma frente enfraquecida que possa gerar precipitação fraca e dispersa.

O modelo europeu aponta para uma segunda metade de junho ligeiramente mais instável nalgumas zonas de Portugal continental, com precipitação superior à média também na Madeira.
O modelo europeu aponta para uma segunda metade de junho ligeiramente mais instável nalgumas zonas de Portugal continental, com precipitação superior à média também na Madeira.

Para a segunda quinzena de junho, o modelo Europeu começa a desenhar possíveis alterações, com um jato polar mais ondulante, abrindo caminho à possibilidade de formação de bloqueios nas latitudes altas e à chegada de massas ou bolsas de ar frio à nossa geografia.

Por enquanto, os mapas mostram uma possibilidade de precipitação acima da média para esta época do ano em zonas do interior Centro e Sul e arquipélago da Madeira, e uma possibilidade de precipitação inferior à média em toda a faixa costeira ocidental. Quanto ao resto do território continental e nos Açores, ainda está tudo muito indefinido.

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