Mudança radical nos modelos: prevê-se que as próximas 2 semanas sejam secas nestas zonas de Portugal
A previsão do tempo para a segunda quinzena de fevereiro antecipa um cenário muito diferente do que prevaleceu até agora em Portugal. Saiba o que esperar da chuva e temperatura.

Devido a um bloqueio de altas pressões forte e extremamente persistente entre a Groenlândia e a Escandinávia, o jato polar foi forçado a fluir por latitudes muito mais a sul do que o habitual e praticamente sem ondulações nas últimas semanas, com as frentes e as tempestades a terem via aberta para alcançar de forma incessante Portugal.
Além disso, a disposição dos centros de ação atmosférica (anticiclones e depressões) foi bastante favorável à chegada de vários rios atmosféricos provenientes das Caraíbas, o que acabou por intensificar a chuva de forma muito significativa na nossa geografia.
"Comboio de tempestades" dará lugar a jato polar ondulante. Que significa isto para o tempo em Portugal?
Está prestes a alterar-se o padrão que vigorou até agora. Na reta final desta semana o jato polar irá abrandar, diminuindo a sua velocidade na nossa latitude, o que fará com que comece a traçar ondulações significativas que darão origem a uma sequência alternada de cristas anticiclónicas e depressões carregadas de ar polar.

Esta dinâmica atmosférica é um indício de que a primavera está próxima (o inverno climatológico termina a 28 de fevereiro). Os mapas preveem um jato polar mais ondulante, o que provavelmente resultará num estado do tempo mais variável em Portugal a curto e médio prazo. Assim, os dias mais estáveis e amenos, associados à subida em latitude da crista anticiclónica, poderão alternar com dias mais frios e instáveis, coincidindo com a passagem de tempestades e frentes associadas.
O que esperar da chuva para a segunda quinzena de fevereiro?
Após a passagem de uma frente atlântica entre hoje e sexta-feira (13), associada a uma região depressionária posicionada a norte da Península Ibérica e que mais tarde se transformará em pleno Mediterrâneo na tempestade Oriana, o tempo estabilizará temporariamente em Portugal continental graças à subida em latitude do anticiclone dos Açores, o que resultará num sábado (14) seco e maioritariamente soalheiro e num domingo (15) com pouca precipitação.
Ora, no médio prazo, tudo indica que o anticiclone dos Açores, ao estender a sua influência até nós, irá gerar alguns dias de céu parcialmente nublado ou limpo, ainda que intercalados com outros mais chuvosos, sobretudo nas Regiões Norte e Centro, como por exemplo, na segunda e na quarta-feira, dias 16 e 18 de fevereiro, devido à chegada de frentes associadas a tempestades atlânticas.

Nas zonas pintadas a castanho no mapa acima plasmado não significa que não choverá em nenhum dia da próxima semana, mas sim que a precipitação prevista será substancialmente inferior à média, uma vez que haverá uma maior variabilidade meteorológica. Este panorama será fruto de um jato polar ondulante, que ora permite uma maior influência do anticiclone dos Açores, ora permite a entrada em cena de frentes atlânticas, mais ou menos ativas que atingirão, como referido acima, alguns distritos do Norte e Centro, tendo mais dificuldade em chegar mais a sul.
Daí em diante, e já entrando na última semana de fevereiro, entra-se num domínio de pura especulação, pois a incerteza torna-se elevada. Não obstante, as primeiras tendências sugerem dois possíveis cenários: o estabelecimento de um poderoso bloqueio de altas pressões no Sudoeste Europeu (anticiclone dos Açores a gerar um tempo tendencialmente seco e soalheiro em Portugal continental) ou a continuidade do jato polar ondulante (tempo variável).
Temperaturas estarão dentro do normal ou ligeiramente acima da média
Quanto às temperaturas, os mapas de anomalia térmica para a semana de 16 a 22 de fevereiro evidenciam valores dentro do expectável, ou ligeiramente acima da média em Portugal continental (poderão variar desde +0,5 ºC a 1,5 ºC). Mesmo assim, espera-se que sejam geralmente inferiores aos da presente semana e mais próximos do normal.

Isto provavelmente resultará da menor exposição ao ar muito quente e húmido continuamente ‘bombeado’ pelos rios atmosféricos das últimas semanas, e da maior influência do anticiclone dos Açores (ar quente e seco traduzir-se-á em dias amenos, mas em noites mais frias, o que poderá justificar a descida da temperatura para valores mais próximos ao normal na terceira semana de fevereiro).
Para a última semana de fevereiro a incerteza aumenta de forma considerável devido ao horizonte temporal da previsão, mas os primeiros sinais indicam que as temperaturas estarão geralmente dentro do expectável para esta época do ano, exceto no interior Norte e Centro onde poderão registar-se valores um pouco acima da média (anomalia de 0,5 ºC).
Tempo para a segunda quinzena de fevereiro na Madeira e nos Açores
No arquipélago da Madeira não se detetam anomalias estatisticamente significativas do ponto de vista térmico para as próximas duas semanas, pelo que as temperaturas manter-se-ão dentro do normal para a época do ano. Quanto à precipitação, tampouco se verificam alterações de grande escala: poderá chover de forma muito ocasional e restrita, mas o tempo continuará muito mais seco do que o normal.
No arquipélago dos Açores observa-se a tendência para um estado do tempo geralmente mais seco do que o normal, sobretudo nos Grupos Central e Oriental, embora isso não exclua a possibilidade da ocorrência ocasional de aguaceiros fracos.
Já no Grupo Ocidental prevê-se que o padrão chuvoso e instável se mantenha mais uma semana. Quanto às temperaturas, preveem-se valores ligeiramente acima da média em todo o território insular açoriano na próxima semana, embora a anomalia térmica positiva (0,5 ºC) não seja tão acentuada como na presente semana.
Para a última semana de fevereiro a incerteza aumenta consideravelmente nos Açores, mas, tanto na precipitação como na temperatura, não se detetam, para já, desvios em relação aos valores médios de referência.