"Já começou a sucessão de fenómenos que poderá trazer 43 ºC a Portugal", avisa Marta Godinho

Portugal entra numa sequência de dias muito quentes que poderá culminar numa cúpula de calor com temperaturas até 43 ºC no interior. O calor extremo deverá instalar-se gradualmente a partir de sábado, ainda sem data precisa de final.
A sucessão de fenómenos atmosféricos que poderá culminar num episódio de calor extremo já está em curso. Os modelos do ECMWF mostram que a circulação atmosférica está a favorecer o transporte contínuo de ar muito quente desde o Norte de África para a Península Ibérica, enquanto uma zona de alta pressão em altitude atua como uma "tampa", aprisionando esse ar quente e permitindo o seu aquecimento progressivo.

No mapa de temperatura a 925 hPa (cerca de 700 a 800 metros de altitude) já é possível observar, durante a noite desta quinta-feira (18), um fluxo persistente de sul a transportar ar cada vez mais quente para latitudes mais elevadas.
Quinta e sexta-feira já serão mais quentes do que o normal
Entre quinta e sexta-feira (18 e 19 de junho), o calor intensifica-se sobretudo no interior do país. Em várias regiões do interior Norte, Centro e Alentejo, a anomalia térmica deverá ultrapassar os +5 a +6 ºC relativamente à média climatológica, sinalizando um ambiente significativamente mais quente do que é habitual para a segunda quinzena de junho.

Apesar das temperaturas elevadas, estes dois dias deverão decorrer com tempo estável na generalidade do território.
Sábado marca o início da cúpula de calor, mas também poderá trazer trovoadas
No sábado (20), a cúpula de calor deverá instalar-se de forma mais evidente sobre Portugal Continental. As temperaturas poderão atingir 37 a 39 ºC em grande parte do Alentejo, aproximando-se dos 40 ºC em Ponte de Sor, no distrito de Castelo Branco e em alguns pontos do Vale do Douro. Apesar do calor intenso, o forte aquecimento diurno poderá favorecer a formação de células convectivas, podendo originar trovoadas durante a tarde.
No domingo (21), além da continuação do calor intenso, o forte aquecimento da superfície poderá favorecer o desenvolvimento de células convectivas, aumentando a probabilidade de aguaceiros e trovoadas fortes localizadas durante a tarde, sobretudo no interior Norte e Centro, mas com possibilidade de ocorrerem noutros pontos do território como no Alentejo.

Assim, o domingo poderá ser um dia meteorologicamente complexo, combinando temperaturas muito elevadas com instabilidade convectiva típica de massas de ar muito quentes.
Segunda e terça-feira poderão trazer o pico do calor
Na segunda-feira vai continuar a verificar-se uma anomalia térmica muito elevada em praticamente toda a Península Ibérica. O interior algarvio será também afetado, embora o litoral do Algarve e grande parte da faixa costeira portuguesa apresentem temperaturas mais moderadas devido à influência marítima.
Terça-feira (23), a maioria das regiões do interior poderá registar temperaturas entre 38 e 41 ºC, enquanto alguns locais poderão atingir 42 a 43 ºC, caso dos vales interiores do Centro e Sul.

Para terça-feira, o modelo europeu prevê uma Península Ibérica praticamente dominada por temperaturas extremas superiores a 40 ºC.
Os mapas de geopotencial (700 hPa) mostram ainda uma bolsa de ar mais frio isolada a sudoeste de Portugal que poderá, mais tarde, contribuir para enfraquecer esta cúpula de calor e quebrar o ciclo de aquecimento.

Porém os modelos indicam o "final da cúpula", apenas para depois de dia 25 de junho. Contudo, essa evolução continua envolta em incerteza.