IPMA mudou os avisos de trovoada e passou a considerar chuva intensa, granizo e vento forte

A nova escala fornece uma leitura mais precisa do risco, facilitando decisões em casos de instabilidade atmosférica. Saiba quando o fenómeno é mais frequente e como se proteger.

Os novos critérios do IPMA para avisos de trovoada passam a incluir outros fenómenos meteorológicos associados com potencial impacto. Foto: Pixabay
Os novos critérios do IPMA para avisos de trovoada passam a incluir outros fenómenos meteorológicos associados com potencial impacto. Foto: Pixabay

Um aviso de trovoada já não significa apenas que há relâmpagos a caminho. A partir da revisão recentemente feita pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o alerta passou a incluir também alguns dos fenómenos mais perigosos que podem acompanhar uma célula convectiva, como chuva muito intensa, granizo e rajadas fortes.

A alteração visa alinhar os avisos meteorológicos com o que as pessoas podem vir a enfrentar no terreno.

Até agora, a classificação assentava sobretudo nas previsões de ocorrência, frequência e distribuição das descargas elétricas. Os novos critérios cruzam essa informação com a intensidade de outros fenómenos associados e o potencial de impacto.

A cor do aviso passou a refletir, além da frequência das descargas, perigos como chuva intensa, rajadas ou granizo. Foto: Pixabay
A cor do aviso passou a refletir, além da frequência das descargas, perigos como chuva intensa, rajadas ou granizo. Foto: Pixabay

Isso também muda a forma de interpretar as três cores. Um aviso amarelo não significa simplesmente “alguns relâmpagos”. Pode indicar condições favoráveis a trovoadas acompanhadas de precipitação forte, granizo ou rajadas que já justificam cuidados maiores. Nos níveis superiores, a possibilidade de fenómenos severos ou extremos aumenta.

O que passa a significar cada cor

Os critérios definidos pelo IPMA para Portugal continental estabelecem três patamares. Os valores de chuva e vento ajudam a entender a dimensão do perigo associado a cada aviso.

AvisoO que pode acontecer
AmareloTrovoada localizada, 10 a 20 mm de chuva numa hora, granizo inferior a 2 cm e rajadas entre 70 e 90 km/h
LaranjaTrovoada severa localizada, 20 a 40 mm numa hora, granizo igual ou superior a 2 cm e rajadas a partir de 90 km/h
VermelhoTrovoadas extremas localizadas, pelo menos 40 mm numa hora, granizo de grandes dimensões e rajadas muito destrutivas
Fonte: IPMA

A mudança mais importante é a cor do aviso que passa a transmitir mais informação sobre o tipo de perigo esperado, e não apenas sobre a presença ou frequência de descargas elétricas. O IPMA enquadra esta revisão num processo mais amplo de modernização do sistema de avisos meteorológicos, que deverá continuar nos próximos meses.

Mais do que um relâmpago

A importância desta alteração percebe-se melhor olhando para o que será expectável durante uma trovoada intensa. Uma célula convectiva pode descarregar grande quantidade de chuva num curto período, provocar granizo e gerar rajadas capazes de derrubar ramos, árvores ou estruturas.

A chuva intensa também pode provocar inundações rápidas em zonas urbanas, sobretudo se os sistemas de drenagem estiverem obstruídos.

A circulação rodoviária pode tornar-se perigosa devido à água acumulada e a Proteção Civil recomenda especial atenção em zonas historicamente vulneráveis e junto de linhas de água. O aviso deve ser lido, por isso, como uma indicação para adaptar comportamentos. Não é preciso esperar pelo primeiro trovão para começar a agir.

O que fazer durante uma trovoada

Quanto mais intensa for a situação prevista, mais importante é reduzir a exposição. O IPMA recomenda procurar abrigo numa casa ou num carro e afastar-se de árvores isoladas e locais elevados. Se não existir um refúgio próximo, deve manter-se uma posição baixa, sem se deitar no chão.

A Proteção Civil acrescenta outros cuidados, sobretudo diante de chuva intensa e vento. Entre as medidas estão desobstruir previamente os sistemas de escoamento de água, evitar zonas inundáveis e adotar uma condução defensiva. Também deve ser evitada a permanência junto de árvores ou de estruturas que possam cair.

SituaçãoO mais seguro é
Está ao ar livreProcurar abrigo num edifício ou veículo e afastar-se de árvores isoladas e zonas elevadas
Está a conduzirReduzir a velocidade, aumentar a atenção e evitar zonas com água acumulada
Há chuva intensaNão atravessar zonas inundadas nem permanecer junto de linhas de água
Há vento forteManter distância de árvores, estruturas suspensas e elementos que possam cair
Fontes: IPMA e ANPEC

A trovoada não é apenas um fenómeno típico dos dias quentes de verão. Os dados mais recentes do IPMA mostram uma forte variabilidade entre anos e estações. Em 2025, o outono concentrou 43,1% das descargas elétricas atmosféricas nuvem-solo e novembro foi o mês com maior número de descargas desde 2010. Abril e junho também estiveram entre os meses com mais ocorrências.

Em 2024, pelo contrário, o verão concentrou a maior parcela das descargas nuvem-solo, seguido da primavera.

Embora o aquecimento do solo possa favorecer trovoadas de verão, sobretudo no interior e durante a tarde, os episódios podem surgir noutras alturas e estar associados a sistemas depressionários e frentes. O próprio IPMA identifica a instabilidade atmosférica, a humidade e a ascensão do ar como ingredientes fundamentais para a formação destes fenómenos.

Árvores isoladas e locais elevados são de evitar quando há trovoada. Foto: Pixabay
Árvores isoladas e locais elevados são de evitar quando há trovoada. Foto: Pixabay

Há, por isso, uma mudança que vale a pena reter. Consultar um aviso de trovoada passa a ser também uma forma de saber o que pode vir com os relâmpagos. E essa informação pode ser decisiva para escolher entre continuar o caminho, mudar o percurso ou simplesmente procurar abrigo.

Referências da notícia

Instituto Português do Mar e da Atmosfera. IPMA atualiza critérios do aviso meteorológico de trovoada.
IPMA. Critérios de emissão dos avisos meteorológicos.
Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. Precipitação forte, vento e trovoada – medidas preventivas.
IPMA. O que fazer quando somos surpreendidos por uma trovoada e nos encontramos no exterior?.
IPMA. Boletim Descargas elétricas 2024.
IPMA. Boletim Descargas elétricas 2025.
IPMA. Área Educativa - Trovoadas.