De junho a agosto: revelamos as primeiras tendências para o verão em Portugal

O modelo europeu atualizou a sua previsão para o verão em Portugal. Além do calor, estão em perspetiva possíveis surpresas, com trovoadas no interior e mais chuva do que o normal nos Arquipélagos.

Análise às primeiras tendências para o verão 2026 em Portugal. Das temperaturas à precipitação, saiba o que revela o modelo de referência da Meteored.
Análise às primeiras tendências para o verão 2026 em Portugal. Das temperaturas à precipitação, saiba o que revela o modelo de referência da Meteored.

A primavera climatológica ainda tem pouco mais de 1 mês diante de si. Recordemos que, do ponto de vista climatológico, a estação primaveril termina a 31 de maio. No entanto, para os portugueses e estrangeiros que já estão a planear as viagens que farão nas férias de verão pelo nosso país, importa saber as primeiras tendências do tempo que os poderá esperar na estação estival.

Para a Climatologia, o verão arranca a 1 de junho e termina a 31 de agosto. Neste período de três meses são registadas as temperaturas mais elevadas do ano e a precipitação tende a ser bastante escassa em praticamente todo o país. Ainda assim, há anos em que ocorrem surpresas...

O modelo sazonal do ECMWF, no seu sistema SEAS5, atualizou as suas primeiras tendências para o verão climatológico de 2026 na Europa. A previsão é concebida a partir de um conjunto de 51 ensembles relativos ao período climatológico de referência entre 1993 e 2016 e fornece uma primeira aproximação no que concerne ao possível comportamento da atmosfera ao longo deste próximo trimestre estival.

Camadas médias da troposfera: qual a dinâmica expectável?

Uma das variáveis meteorológicas que melhores pistas oferece neste tipo de análises é o geopotencial a 500 hPa, ou seja, a altitude a que se teria de subir na atmosfera para atingir este valor de pressão. Valores elevados deste parâmetro demonstram que a troposfera, nas camadas médias (em média a 5500 m) expande-se, o que está diretamente relacionado com sistemas de altas pressões à superfície.

Mapa sazonal do modelo Europeu em relação às anomalias do geopotencial a 500 hPa à escala global para o próximo trimestre estival.
Mapa sazonal do modelo Europeu em relação às anomalias do geopotencial a 500 hPa à escala global para o próximo trimestre estival.

Na imagem acima constata-se que existe uma probabilidade de cerca de 60 a 70% de que, em Portugal continental, o valor médio do geopotencial 500 hPa para o próximo trimestre de verão (JJA) seja superior ao tercil superior do registo estabelecido no período 1993-2016, o que sugere a ideia de que na nossa geografia haveria uma probabilidade elevada de uma maior prevalência de tempo anticiclónico.

Todavia, observa-se uma certa redução desta probabilidade nos Arquipélagos dos Açores e da Madeira, com valores que, por vezes, rondam os 50-60%, o que poderá indicar um domínio um pouco menos evidente do tempo estável nestas regiões insulares portuguesas durante o próximo verão, embora isso ainda tenha de ser confirmado mais adiante.

Um verão abrasador e com risco de trovoadas?

Em relação à temperatura à superfície, vislumbra-se uma probabilidade média-alta de os valores serem mais elevados do que o período climatológico de referência em grande parte de Portugal continental e Arquipélago dos Açores, destacando-se no Continente as Regiões Norte, Centro e Alto Alentejo.

No arquipélago da Madeira observa-se uma probabilidade ligeiramente mais reduzida do que nas outras duas unidades territoriais portuguesas, mas mesmo assim considerável. Por último, verifica-se uma maior incerteza no extremo sul de Portugal continental (região do Algarve), onde não existe uma tendência definida.

Observando somente o mapa de anomalia térmica de junho 2026, o Norte, o Centro e várias zonas do Alentejo poderão registar temperaturas acima do habitual nesse mês, o que converge, em grande medida, com a tendência para o período estival (trimestre junho-julho-agosto) salientada pelo modelo ECMWF, e analisada nos parágrafos acima.
Observando somente o mapa de anomalia térmica de junho 2026, o Norte, o Centro e várias zonas do Alentejo poderão registar temperaturas acima do habitual nesse mês, o que converge, em grande medida, com a tendência para o período estival (trimestre junho-julho-agosto) salientada pelo modelo ECMWF, e analisada nos parágrafos acima.

Centrando agora a atenção na chuva, o modelo europeu revela uma probabilidade de cerca de 50 a 60% de que, nalgumas ilhas dos Açores (Grupo Oriental) e no Arquipélago da Madeira, os valores de precipitação se situem acima do tercil superior do período climático de referência. Nos Grupos Central e Ocidental a probabilidade observada ronda os 40-50%.

A possibilidade de que o estado do tempo nestes territórios insulares possa ser ligeiramente mais húmido do que o habitual poderá estar relacionado com a probabilidade mais reduzida de nestas área se registar valores elevados do geopotencial 500 hPa, tal como descrito alguns parágrafos acima. De norte a sul de Portugal continental predomina a incerteza, mas recordemo-nos que, de acordo com os dados climatológicos, as trovoadas de verão surgem com alguma frequência na faixa do interior, por exemplo em distritos como os de Vila Real, Bragança, Guarda e/ou Beja (entre outros).

Em suma, as primeiras projeções sugerem um verão de 2026 com um sinal quente bastante consistente em vastas áreas de Portugal, especialmente no Norte, Centro e Alto Alentejo. A possibilidade de uma maior prevalência de situações anticiclónicas nas imediações da Península Ibérica reforça esta tendência, embora com nuances em algumas zonas do Continente e nos Arquipélagos dos Açores e da Madeira.

Contudo, a incerteza continua a ser muito significativa, pelo que há que acompanhar a próxima atualização desta previsão a fim de se poder confirmar, ou descartar, a sua consolidação.

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