Das poeiras do Saara ao risco de trovoadas: eis a gota fria que vai mudar o tempo em Portugal

O tempo em Portugal continental vai alterar-se nos próximos dias, estando à vista um alívio térmico generalizado, a possibilidade de aguaceiros e trovoadas dispersas e ainda uma intrusão de poeiras do Saara.

Vem aí uma mudança significativa no estado do tempo em Portugal continental, marcada por uma descida gradual das temperaturas, alguma instabilidade atmosférica e uma ligeira intrusão de poeiras do Saara.

Tal dever-se-á à deslocação da massa de ar muito quente associada à crista anticiclónica, para es-nordeste, rumo a outros países da Europa, passando a afetar de forma mais direta várias regiões espanholas, França e outros países do continente. Assim, o nosso país ficará exposto à entrada de uma massa de ar mais fresco e húmido proveniente do Atlântico Norte e transportada pelos ventos de Noroeste.

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Ao mesmo tempo, a passagem de uma pequena bolsa de ar frio isolada em altitude na quinta-feira (9) antecederá a formação de uma depressão isolada em altitude (ou gota fria) entre sexta-feira (10) e sábado (11), que acabará por atravessar a Península Ibérica. Estas duas perturbações, associadas a uma ondulação mais pronunciada da corrente de jato polar, serão cruciais para o alívio térmico e para um ligeiro aumento da instabilidade meteorológica, mantendo a sua influência durante parte do fim de semana.

Descida gradual das temperaturas à medida que o final da semana se aproxima

Hoje - quarta-feira, 8 - ainda faz bastante calor em diversas zonas do interior, com máximas próximas entre 35 e 40 ºC. Porém, após o alívio térmico das temperaturas diurnas que se verificará na quinta-feira (9), espera-se uma nova descida das temperaturas máximas também na sexta-feira (10). No dia 10 de julho, prevê-se que variem entre 19 e 26 ºC no litoral e entre 30 e 35 ºC no interior, podendo nos locais mais quente atingir valores entre 36 e 39 ºC.

Esta sexta-feira, 10 de julho, já será bem mais notório o registo de temperaturas próximas à média climatológica de referência, sendo inclusive abaixo do normal em várias zonas costeiras ocidentais e meridionais.
Esta sexta-feira, 10 de julho, já será bem mais notório o registo de temperaturas próximas à média climatológica de referência, sendo inclusive abaixo do normal em várias zonas costeiras ocidentais e meridionais.

A diminuição das temperaturas será particularmente notória nas regiões do litoral (incluindo Algarve), onde os valores voltarão a enquadrar-se dentro da média climatológica de julho, ou até mesmo ligeiramente abaixo nalgumas áreas. No interior o ambiente ficará ligeiramente mais fresco e suportável, apesar da persistência de temperaturas elevadas nalgumas zonas. No fim de semana de 11 e 12 de julho o alívio das temperaturas continuará a espalhar-se pela nossa geografia.

Risco de aguaceiros e trovoadas dispersas nas próximas tardes, sobretudo nestas zonas

O ar frio contido no seio das perturbações isoladas em altitude e associado à advecção de ar fresco proveniente do Atlântico Norte, será responsável pelo risco de gerar precipitação convectiva, geralmente dispersa e irregularmente distribuída, embora com possibilidade de ser pontualmente forte à escala local.

Caso a previsão se concretize, as descargas elétricas terão tendência a concentrar-se no interior Norte e Centro durante as tardes de quinta, sexta e sábado, dias 9, 10 e 11 de julho.
Caso a previsão se concretize, as descargas elétricas terão tendência a concentrar-se no interior Norte e Centro durante as tardes de quinta, sexta e sábado, dias 9, 10 e 11 de julho.

Apesar da elevada incerteza da previsão quanto aos locais onde ocorrerá trovoada, algo decorrente da trajetória errática deste tipo de bolsas de ar frio e centros de baixas pressões e que já é habitual nestes episódios estivais de precipitação convectiva, os mapas de referência da Meteored, baseados no modelo ECMWF, sugerem que o risco de ocorrência de aguaceiros e trovoadas será mais provável durante as tardes de quinta-feira, sexta-feira e sábado, dias 9, 10 e 11 de julho.

A atividade elétrica poderá concentrar-se sobretudo nos distritos de Vila Real, Bragança, Viseu, Guarda, Castelo Branco e em áreas montanhosas do Minho. O risco estender-se-á, embora com menor frequência, à Beira Baixa e ao Alentejo, podendo surgir de forma mais rara noutros locais do país.

As últimas saídas do modelo Europeu quanto à distribuição geográfica da precipitação acumulada têm variado bastante, o que demonstra a elevada incerteza na previsão de aguaceiros e trovoadas, muito dependente da trajetória e posição que as perturbações isoladas em altitude acabarem por assumir.
As últimas saídas do modelo Europeu quanto à distribuição geográfica da precipitação acumulada têm variado bastante, o que demonstra a elevada incerteza na previsão de aguaceiros e trovoadas, muito dependente da trajetória e posição que as perturbações isoladas em altitude acabarem por assumir.

Ainda assim, espera-se que a precipitação acumulada seja geralmente escassa, dado que os aguaceiros convectivos são, por norma, bastante variáveis em termos de distribuição espacial e temporal. Não obstante, a possível ocorrência de um ou outro aguaceiro convectivo forte mantém-se, o que poderá ser bastante prejudicial para algumas culturas agrícolas.

Haverá uma ligeira intrusão de poeiras do Saara nestas próximas horas e dias

A mudança no padrão meteorológico em Portugal continental será suficientemente significativa para que se registe uma intrusão de poeiras do Saara, já desde hoje (8) e, pelo menos, até domingo (12).

De momento, prevê-se que a intrusão de poeiras do Saara em Portugal continental nestes próximos dias seja relativamente fraca. No entanto, a maior ou menor concentração destas partículas dependerá de possíveis ajustes na trajetória e distribuição dos centros de ação e massas de ar.
De momento, prevê-se que a intrusão de poeiras do Saara em Portugal continental nestes próximos dias seja relativamente fraca. No entanto, a maior ou menor concentração destas partículas dependerá de possíveis ajustes na trajetória e distribuição dos centros de ação e massas de ar.

A circulação induzida pela sucessiva passagem de perturbações em altitude sobre a Península Ibérica favorecerá o transporte de poeiras do Norte de África até ao nosso país. Porém, as concentrações previstas deverão ser reduzidas, pelo que os seus efeitos serão, previsivelmente, pouco expressivos.