Bruna e uma depressão subtropical: eis como as temperaturas e a chuva irão evoluir em Portugal de 8 a 15 de novembro

Bruna e uma depressão subtropical: eis como as temperaturas e a chuva irão evoluir em Portugal de 8 a 15 de novembro

A depressão Bruna irá trazer vários dias de chuva a Portugal continental, com acumulados expressivos e temperaturas acima da média. Entretanto, uma nova depressão poderá afetar a Madeira, enquanto a instabilidade no continente deverá prolongar-se até ao próximo domingo.

A depressão Bruna continua a influenciar o estado do tempo em Portugal, favorecendo uma semana marcada pela instabilidade, chuva por vezes forte e vento. Apesar deste cenário tipicamente outonal, as temperaturas poderão manter-se acima da média climatológica.

Domingo e segunda-feira: depressão Bruna aproxima-se e chuva poderá intensificar-se

Este domingo, 8 de novembro, a depressão Bruna continua a aproximar-se de Portugal continental, favorecendo o aumento da nebulosidade, da humidade e da intensidade do vento. A precipitação já começou a afetar algumas regiões, nomeadamente Lisboa, Setúbal e o sudoeste alentejano, podendo estender-se progressivamente a outras zonas do território.

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Durante a noite deste domingo e a madrugada de segunda-feira, 9, poderão ocorrer períodos de chuva forte em várias regiões. Segundo os mapas da Meteored, algumas zonas do interior Centro, nomeadamente nas proximidades da Covilhã e do Fundão, poderão registar acumulados superiores a 50 mm em aproximadamente 24 horas.

A depressão Bruna aproxima-se de Portugal continental, favorecendo a entrada de frentes de precipitação. A noite de domingo para segunda-feira poderá ser marcada por períodos de chuva moderadamente forte em várias regiões.
A depressão Bruna aproxima-se de Portugal continental, favorecendo a entrada de frentes de precipitação. A noite de domingo para segunda-feira poderá ser marcada por períodos de chuva moderadamente forte em várias regiões.

O vento também deverá intensificar-se, especialmente nas regiões costeiras, terras altas e locais expostos, onde poderão ocorrer rajadas superiores a 60 km/h. A proximidade do sistema depressionário poderá manter condições ventosas, com intensidade variável, até ao final da semana.

Na segunda-feira, entre o final da manhã e o início da tarde, poderá verificar-se uma diminuição temporária da precipitação, embora sem excluir chuva fraca em algumas regiões. Contudo, o final da tarde poderá marcar o início de um novo agravamento, com o regresso de precipitação mais persistente.

Até quarta-feira os acumulados de chuva poderão atingir valores expressivos

Terça-feira, dia 10, poderá ser um dos dias mais instáveis deste episódio, com chuva frequente e possibilidade de períodos localmente fortes. Segundo o mapa de precipitação acumulada, válido até quarta-feira, 11, às 21h, algumas regiões poderão apresentar valores bastante elevados.

O ECMWF projeta acumulados de precipitação expressivos até quarta-feira, com valores que poderão ultrapassar os 200 mm em algumas zonas do interior Centro. Estes valores são estimativas do modelo e permanecem sujeitos a alterações.
O ECMWF projeta acumulados de precipitação expressivos até quarta-feira, com valores que poderão ultrapassar os 200 mm em algumas zonas do interior Centro. Estes valores são estimativas do modelo e permanecem sujeitos a alterações.

Destacam-se projeções próximas de 210 mm na Covilhã, mais de 160 mm em Viseu, 135 mm em Aveiro e 120 mm em Castelo Branco. Em localidades como Porto, Braga, Coimbra e Lisboa, os valores apresentados aproximam-se ou ultrapassam os 95 mm.

Estes números devem, contudo, ser interpretados com prudência. Representam acumulados previstos pelo modelo ao longo do respetivo período de integração, e não precipitação concentrada num único dia. A sua concretização dependerá da trajetória das frentes e da distribuição espacial da chuva.

Caso os acumulados mais elevados se confirmem, poderão aumentar os riscos de inundações e outros impactos hidrológicos em zonas vulneráveis.

Porque estarão as temperaturas acima da média apesar da chuva?

A depressão Bruna apresenta um contraste térmico interessante, associado à interação entre massas de ar mais frias, de origem polar, e ar relativamente mais quente e húmido proveniente de latitudes subtropicais. O transporte de vapor de água, potencialmente organizado num rio atmosférico, irá contribuir para aumentar a disponibilidade de humidade e favorecer precipitação abundante.

No mapa de temperatura a 850 hPa, aproximadamente 1500 metros de altitude, observa-se ar mais frio a oeste do centro depressionário, com valores localmente negativos. Já no setor oriental, onde se encontra Portugal, as temperaturas rondam os 10 a 12 °C.

A depressão Bruna evidencia um contraste entre o ar mais frio a oeste do seu centro (verde escuro e branco) e uma massa de ar relativamente mais amena sobre Portugal (verde mais claro). Esta configuração poderá contribuir para temperaturas superiores ao habitual, apesar da instabilidade.
A depressão Bruna evidencia um contraste entre o ar mais frio a oeste do seu centro (verde escuro e branco) e uma massa de ar relativamente mais amena sobre Portugal (verde mais claro). Esta configuração poderá contribuir para temperaturas superiores ao habitual, apesar da instabilidade.

Esta configuração ajuda a explicar as anomalias térmicas positivas previstas. Por exemplo, na manhã de terça-feira, algumas regiões poderão apresentar temperaturas entre 4 e 8 °C acima da média habitual para aquela hora.

Apesar da chuva e do vento, as manhãs poderão apresentar temperaturas entre 4 e 8 °C acima da média climatológica em várias regiões. A nebulosidade e a circulação de ar ameno poderão limitar o arrefecimento noturno.
Apesar da chuva e do vento, as manhãs poderão apresentar temperaturas entre 4 e 8 °C acima da média climatológica em várias regiões. A nebulosidade e a circulação de ar ameno poderão limitar o arrefecimento noturno.

A nebulosidade abundante e o vento poderão limitar o arrefecimento noturno, tornando as madrugadas menos frias durante esta semana. Contudo, temperaturas acima da média não significam necessariamente tempo quente ou uma sensação térmica confortável.

A partir de quinta-feira (12) a instabilidade poderá persistir sobretudo no Norte e Centro

Após quarta-feira, o ECMWF sugere que o centro depressionário poderá permanecer nas proximidades do noroeste da Península Ibérica durante alguns dias. Esta configuração poderá favorecer a continuidade de períodos de chuva, sobretudo nas regiões Norte e Centro, geralmente fraca a moderada, mas potencialmente persistente. No Sul, poderão ocorrer intervalos mais prolongados sem precipitação.

A instabilidade poderá prolongar-se até pelo menos até domingo (15), com o centro depressionário nas proximidades do noroeste da Península Ibérica. A chuva poderá continuar a afetar sobretudo as regiões Norte e Centro.
A instabilidade poderá prolongar-se até pelo menos até domingo (15), com o centro depressionário nas proximidades do noroeste da Península Ibérica. A chuva poderá continuar a afetar sobretudo as regiões Norte e Centro.

Até domingo, 15, a evolução dependerá da posição e deslocação dos centros depressionários no Atlântico. A incerteza aumenta significativamente nesta fase, pelo que estas indicações devem ser interpretadas como tendências, e não como previsões horárias definitivas.

Açores e Madeira: depois da Bruna, outra depressão poderá afetar a Madeira

Nos arquipélagos, a passagem da depressão Bruna provocou condições meteorológicas adversas, com relatos de cheias e quedas de árvores na Madeira durante sábado. A manhã de domingo trouxe uma acalmia relativa.

Ainda assim, poderão ocorrer períodos de chuva fraca a moderada durante domingo e segunda-feira, tanto na Madeira como nos Açores. No arquipélago açoriano, o vento poderá continuar moderado a forte, especialmente durante a noite de segunda-feira.

Entretanto, uma nova depressão com características subtropicais poderá desenvolver-se nas proximidades da Madeira entre terça e quarta-feira, 10 e 11 de novembro.

Uma nova depressão poderá desenvolver-se no Atlântico e deslocar-se até à Madeira, transportando ar húmido e favorecendo períodos de precipitação intensa. A sua evolução e eventual deslocação para a Península Ibérica ainda apresentam incerteza.
Uma nova depressão poderá desenvolver-se no Atlântico e deslocar-se até à Madeira, transportando ar húmido e favorecendo períodos de precipitação intensa. A sua evolução e eventual deslocação para a Península Ibérica ainda apresentam incerteza.

O sistema poderá transportar ar muito húmido e provocar períodos de precipitação intensa em intervalos relativamente curtos. Posteriormente, poderá deslocar-se para leste, em direção à Península Ibérica, com possibilidade de alguma influência no Algarve.

A formação, classificação e trajetória desta nova depressão ainda apresentam incerteza, sendo essencial acompanhar as próximas atualizações dos modelos meteorológicos, das nossas previsões aqui na Meteored Portugal, e os avisos oficiais do IPMA.