Assim será o tempo em Portugal durante a última semana de agosto, segundo o modelo europeu

A última semana de agosto traz uma mudança acentuada do padrão térmico em Portugal. Depois de máximas superiores a 40 ºC, o ECMWF aponta para vários dias abaixo da média e para um final de mês potencialmente mais húmido.

Depois do calor, agosto poderá despedir-se com uma mudança significativa. Temperaturas abaixo da média e maior probabilidade de chuva em Portugal, especialmente no Nordeste Transmontano.
Depois do calor, agosto poderá despedir-se com uma mudança significativa. Temperaturas abaixo da média e maior probabilidade de chuva em Portugal, especialmente no Nordeste Transmontano.

Depois de um início da semana marcado por calor intenso e temperaturas superiores a 40 ºC, o cenário poderá inverter-se o modelo europeu antecipa um arrefecimento expressivo e um final de mês potencialmente mais chuvoso do que o habitual.

18 e 19 de agosto o calor ainda domina, sobretudo no Norte

Esta terça-feira, dia 18, será ainda marcada por temperaturas muito elevadas, especialmente nas regiões do Norte. As anomalias térmicas poderão atingir valores muito elevados, localmente próximos de +12 ºC em relação à média climatológica, enquanto as máximas poderão ultrapassar os 40 ºC em alguns pontos do interior.

O Norte concentra as anomalias térmicas mais elevadas, com desvios localmente próximos de +12 ºC. Em contraste, Algarve, sudoeste alentejano e alguns setores do litoral de Setúbal ficam ligeiramente abaixo da média.
O Norte concentra as anomalias térmicas mais elevadas, com desvios localmente próximos de +12 ºC. Em contraste, Algarve, sudoeste alentejano e alguns setores do litoral de Setúbal ficam ligeiramente abaixo da média.

Na quarta-feira, dia 19, o ambiente continuará quente e abafado, embora já seja percetível uma tendência de descida das temperaturas no Norte.

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O cenário é diferente no Algarve, sudoeste alentejano e em alguns setores do litoral de Setúbal, onde as temperaturas poderão ficar ligeiramente abaixo do habitual para esta altura do ano.

A partir de quinta-feira, dia 20, o cenário muda

A mudança torna-se bastante mais evidente a partir de quinta-feira, dia 20. Portugal deverá entrar numa fase caracterizada por anomalias térmicas negativas, abrangendo praticamente todo o território e várias horas do dia.

O contraste poderá tornar-se particularmente expressivo no domingo, dia 23. Ao final da tarde, o ECMWF projeta anomalias que poderão atingir cerca de -11 ºC no Nordeste Transmontano. Isto significa valores de temperatura até 11 ºC inferiores ao que seria climatologicamente esperado naquele local e hora.

O arrefecimento poderá intensificar-se no domingo, com anomalias muito negativas no interior Norte. No Nordeste Transmontano, os desvios poderão aproximar-se de -11 ºC em relação ao normal para a hora representada no mapa (19h).
O arrefecimento poderá intensificar-se no domingo, com anomalias muito negativas no interior Norte. No Nordeste Transmontano, os desvios poderão aproximar-se de -11 ºC em relação ao normal para a hora representada no mapa (19h).

Entre os dias 20 e 24, este arrefecimento poderá ainda ser acompanhado por períodos de precipitação.

A descida das temperaturas poderá ser acompanhada por precipitação mais organizada no domingo, sobretudo no Norte e em alguns setores do Centro.
A descida das temperaturas poderá ser acompanhada por precipitação mais organizada no domingo, sobretudo no Norte e em alguns setores do Centro.

Inicialmente, a chuva deverá apresentar um caráter mais fraco e disperso, mas no domingo o modelo europeu sugere precipitação mais organizada, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

Última semana de agosto poderá ser fresca e mais chuvosa

Olhando mais à frente, para o período entre 24 e 31 de agosto, as previsões sub-sazonais do modelo europeu ECMWF sugerem que o padrão mais fresco poderá prolongar-se durante grande parte da última semana do mês. O sinal de anomalias negativas de temperatura mantém-se sobre Portugal Continental, sendo mais evidente no interior Norte e, particularmente, no Nordeste Transmontano.

O sinal sub-sazonal do ECMWF mantém uma última semana de agosto mais fresca do que o habitual, principalmente no Nordeste. No litoral oeste, o sinal é menos robusto.
O sinal sub-sazonal do ECMWF mantém uma última semana de agosto mais fresca do que o habitual, principalmente no Nordeste. No litoral oeste, o sinal é menos robusto.

Isto significa que, considerando a semana como um todo, as temperaturas deverão ficar abaixo dos valores climatologicamente habituais para o final de agosto. Depois do calor muito intenso registado no início desta segunda quinzena, com máximas superiores a 40 ºC em alguns locais, a diferença poderá ser bastante percetível. No entanto, estes mapas representam médias semanais e não excluem a ocorrência de um ou outro dia temporariamente mais quente.

Na Grande Lisboa e em alguns setores do litoral oeste, o cenário é menos claro. Estas áreas aparecem a branco no produto sub-sazonal, o que significa que a previsão do ensemble não apresenta diferenças estatisticamente significativas relativamente à climatologia.

Por outras palavras, não existe atualmente um sinal suficientemente robusto para afirmar que a semana será mais quente ou mais fria do que o normal nestas regiões.

E a chuva?

Também a precipitação merece atenção. O mapa semanal do ECMWF apresenta anomalias positivas de precipitação em grande parte de Portugal Continental, sugerindo uma última semana de agosto potencialmente mais húmida do que é habitual nesta altura do ano.

Grande parte do território apresenta sinal de precipitação acima da média, mais expressivo no Norte e Centro. A tendência aponta, por agora, para um final de agosto mais húmido do que o normal.
Grande parte do território apresenta sinal de precipitação acima da média, mais expressivo no Norte e Centro. A tendência aponta, por agora, para um final de agosto mais húmido do que o normal.

O sinal é mais evidente em setores do Norte e alguns locais do Centro, onde o modelo aponta para valores semanais que poderão ficar cerca de 10 a 30 mm acima da média climatológica. Mais a sul, incluindo partes do Alentejo e Algarve, o sinal é menos pronunciado, situando-se geralmente entre 0 e 10 mm acima do normal.

É importante, contudo, interpretar estes valores como uma tendência semanal e não como uma previsão de acumulados concretos para cada local. A esta distância temporal ainda não é possível determinar em que dias choverá, durante quanto tempo ou se a precipitação estará associada a frentes, aguaceiros ou episódios de instabilidade.

O modelo europeu favorece, neste momento, um final de agosto mais fresco e mais húmido do que o habitual em várias regiões de Portugal, num contraste marcado com o calor intenso que caracterizou o início desta segunda quinzena.