As depressões apontam para Portugal: o padrão NAO- consolida-se nos últimos 6 dias de agosto

Os últimos dias de agosto poderão trazer uma mudança importante a Portugal. O regime NAO- ganha consistência nas previsões, abrindo caminho às depressões atlânticas, à chuva e a temperaturas mais baixas.

Uma reorganização da circulação atmosférica, com a consolidação de um regime NAO-, poderá abrir caminho à chegada de frentes atlânticas a Portugal na última semana de agosto. A chuva poderá regressar a várias regiões do território, acompanhada por um ambiente mais fresco.
Uma reorganização da circulação atmosférica, com a consolidação de um regime NAO-, poderá abrir caminho à chegada de frentes atlânticas a Portugal na última semana de agosto. A chuva poderá regressar a várias regiões do território, acompanhada por um ambiente mais fresco.

Depois de várias semanas marcadas pelo calor e alguns períodos de estabilidade, os últimos dias de agosto poderão trazer uma alteração importante do padrão atmosférico em Portugal.

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O modelo europeu aponta para a consolidação de um regime de NAO- (fase negativa da Oscilação do Atlântico Norte) entre os dias 25 e 30, favorecendo uma circulação atlântica mais baixa em latitude. Mas será que desta vez as tempestades chegam realmente a Portugal?

NAO- ganha força no final de agosto

A previsão sub-sazonal do ECMWF permite avaliar a probabilidade de diferentes regimes meteorológicos na região euro-atlântica, entre eles NAO+, NAO-, bloqueio e crista atlântica. No verão, a consolidação de um regime de NAO- não é tão frequente como noutras alturas do ano. Além disso, ao longo deste verão de 2026, este padrão não se apresentou de forma tão persistente nas previsões.

Pela primeira vez neste verão, a previsão sub-sazonal do ECMWF mostra o regime NAO- consolidado durante vários dias, entre 25 e 30 de agosto. Esta configuração pode favorecer a circulação das depressões atlânticas por latitudes mais baixas.
Pela primeira vez neste verão, a previsão sub-sazonal do ECMWF mostra o regime NAO- consolidado durante vários dias, entre 25 e 30 de agosto. Esta configuração pode favorecer a circulação das depressões atlânticas por latitudes mais baixas.

Desta vez, o cenário é diferente. Entre 25 e 30 de agosto, o ECMWF favorece sucessivamente a NAO-, enquanto nos dias 24 e 31 não existe um regime claramente dominante.

A fase negativa da Oscilação do Atlântico Norte (NAO-) tende a favorecer uma circulação das depressões e frentes atlânticas até latitudes mais baixas, aumentando a possibilidade de instabilidade e precipitação em Portugal.

Em termos de pressão atmosférica, a NAO- corresponde a um enfraquecimento do contraste entre as altas pressões subtropicais dos Açores e as baixas pressões do Atlântico Norte. Contudo, a presença de NAO- não significa automaticamente chuva no nosso país. É necessário observar onde estarão efetivamente posicionados os centros de ação e as frentes.

Dia 24, o Atlântico começa a dar sinais de mudança

Na próxima segunda-feira, 24 de agosto, a configuração atmosférica já mostra sinais dessa alteração, apesar de a NAO- ainda não estar consolidada.

O anticiclone dos Açores aparece recuado para oeste, enquanto uma extensa depressão e a respetiva frente avançam pelo Atlântico. Portugal poderá já registar alguma instabilidade neste dia, antes da chegada do sistema principal.
O anticiclone dos Açores aparece recuado para oeste, enquanto uma extensa depressão e a respetiva frente avançam pelo Atlântico. Portugal poderá já registar alguma instabilidade neste dia, antes da chegada do sistema principal.

O anticiclone dos Açores surge bastante recuado para oeste, deixando de exercer uma influência tão direta sobre a Península Ibérica. Ao mesmo tempo, uma extensa depressão circula pelo Atlântico Norte, transportando consigo uma longa faixa de nebulosidade e precipitação.

Antes da chegada dessa frente, o próprio dia 24 poderá já registar alguns períodos de chuva, associados a uma perturbação mais isolada com aproximação pelo sul de Portugal.

26 e 27 de agosto poderão ser dias chuvosos

É a partir de quarta-feira, dia 26, que a situação se torna particularmente "interessante". Segundo a atual previsão do ECMWF, a extensa faixa de precipitação anteriormente localizada sobre o Atlântico deverá alcançar Portugal Continental.

A extensa faixa de precipitação atlântica deverá alcançar Portugal na quarta-feira, dia 26. A chuva poderá ser moderada a localmente forte no litoral Norte e Centro, estendendo-se também a regiões do interior.
A extensa faixa de precipitação atlântica deverá alcançar Portugal na quarta-feira, dia 26. A chuva poderá ser moderada a localmente forte no litoral Norte e Centro, estendendo-se também a regiões do interior.

A chuva poderá apresentar-se moderada a localmente forte, sobretudo no litoral Norte e Centro. Com o avanço da frente atlântica, a precipitação poderá alcançar várias regiões do interior e, eventualmente, alguns setores do Sul. A influência desta frente poderá prolongar-se por quinta-feira, dia 27, fazendo destes dois dias um dos períodos potencialmente mais chuvosos desta segunda metade de agosto.

Madrugadas frescas e calor extremo afastado

A mudança não deverá limitar-se à precipitação. A circulação atlântica favorecerá também um ambiente consideravelmente mais fresco.

A instabilidade será acompanhada por madrugadas frescas, com temperaturas relativamente baixas para o final de agosto em grande parte do território continental.
A instabilidade será acompanhada por madrugadas frescas, com temperaturas relativamente baixas para o final de agosto em grande parte do território continental.

As madrugadas poderão apresentar temperaturas relativamente baixas para a época, seguindo-se uma recuperação térmica durante as horas de maior insolação. Ainda assim, não se antevê, neste cenário, um regresso aos extremos de calor que Portugal registou anteriormente.

E até dia 31?

A NAO- permanece como o regime mais provável até 30 de agosto, porém, no dia 31 deixa de existir um regime claramente dominante.

Importa salientar que entramos aqui no médio e longo prazo, onde aumenta substancialmente a incerteza quanto à trajetória, intensidade e momento de chegada das depressões. Ainda assim, o sinal de fundo é relevante, a instabilidade Atlântica poderá finalmente ganhar espaço sobre Portugal nos últimos dias de agosto.