Alfredo Graça avisa para um sábado com risco de trovoadas e salienta as regiões onde choverá mais

O tempo no fim de semana prolongado de maio será condicionado pela presença de uma baixa pressão que trará aguaceiros, trovoadas e vento pontualmente forte. Saiba o dia mais crítico e quais as regiões mais afetadas em Portugal continental.
A estação da primavera é sinónimo de uma grande variabilidade de estados do tempo. A atmosfera apresenta-se muito dinâmica nesta época do ano nas nossas latitudes, fruto de um jato polar muito ondulante - pode ser entendido como o “maestro” que conduz/modula a “orquestra” - que acarreta a já mencionada volatilidade.
De momento, a leitura das cartas sinópticas ‘denuncia’ a presença de uma depressão fria (isolamento de um núcleo de ar frio em altitude) sobre o Atlântico, nas imediações dos Açores. Porém, entre hoje e sábado (2), irá interagir com o jato polar ondulante, sendo eventualmente reabsorvido pelo mesmo.

Durante o período referido - alusivo aos próximos 2 a 3 dias - esta baixa pressão traduzir-se-á em instabilidade meteorológica à superfície. Na geografia de Portugal continental, os efeitos expectáveis deste sistema depressionário ativo e com certo grau de organização resultarão em altos e baixos térmicos, períodos de chuva ou aguaceiros, por vezes fortes e sob a forma de granizo, podendo ser acompanhados de trovoada.
A intensidade da precipitação, de carácter convectivo e geralmente intermitente, será variável, sendo também expectável uma distribuição pelo território bastante irregular. O tempo nem sempre estará húmido e instável, estando previsto uma alternância com períodos em que o céu estará somente nublado ou até mesmo com boas abertas, com o sol a espreitar timidamente.
O contraste (gradiente térmico vertical) entre o calor diurno e o ar mais frio em altitude fomentará o risco de trovoadas, que poderão em ocasiões e de forma mais localizada, acompanhar a precipitação, especialmente no sábado, 2 de maio, tal como indicam os mapas de referência da Meteored.
Sexta-feira muito nublada e com possibilidade de chuviscos em zonas de montanha
Na sexta-feira 1 de maio - feriado do Dia do Trabalhador - prevê-se céu muito nublado de norte a sul de Portugal continental, com possibilidade de aguaceiros fracos e dispersos a partir da tarde em pontos do Norte e Centro, sendo mais prováveis nas áreas montanhosas dos distritos de Vila Real e Viseu.

Espera-se ainda uma ligeira subida das temperaturas máximas. Os valores de máxima oscilarão desde 13 ºC nas montanhas do Alto Minho até 27 ºC no Baixo Alentejo. O vento soprará geralmente fraco do quadrante Oeste, aumentando temporariamente de intensidade durante a tarde.
Sábado, 2 de maio, com agravamento do estado do tempo, especialmente nestas regiões
Na madrugada de sábado (2) surgirão os primeiros aguaceiros, fracos e dispersos, gerados pela aproximação do referido centro de baixas pressões, traduzindo-se à superfície no interior das Regiões Norte e Centro e em particular nas áreas montanhosas. Já no período com luz solar, espera-se nevoeiro matinal em vários pontos do território, com grande destaque para o litoral Centro e Oeste e alguns locais do interior Norte e Centro.
Entretanto, com o passar das horas, o céu ora se apresentará parcialmente nublado, ora muito nublado e com ocorrência de precipitação. A referida baixa pressão estará às portas de Portugal continental por volta das 07:00/08:00 da manhã, e entre o meio da manhã e o meio-dia resultará em aguaceiros fracos a pontualmente moderados no litoral entre Caminha e Sesimbra.

A partir do início da tarde e até às 21:00 a baixa descreverá uma trajetória sudoeste-nordeste, entranhando-se pelo interior do país, com a precipitação a surgir fraca a moderada em várias regiões a norte do Tejo, sendo pouco provável ou até mesmo inexistente a sul deste rio. Em algumas zonas do Norte, situadas nos distritos de Viana do Castelo, Braga e Bragança a precipitação será pontualmente forte, não se excluindo o risco de inundações localizadas.
O extremo Norte, correspondente às localidades raianas que se estendem ao longo da fronteira norte com Espanha e abrangendo os distritos de Viana do Castelo, Braga, Vila Real e Bragança, será a última área do território a registar precipitação, prevendo-se que se dissipe por volta das 21:00/22:00.
Em localidades pertencentes aos distritos de Aveiro, Viseu, Guarda e Vila Real, sobretudo as mais expostas e com maior altitude, a precipitação poderá temporariamente apresentar um carácter moderado a forte. Além disso, poderão surgir rajadas de até 50 km/h, especialmente nas terras altas do Norte e Centro.
Onde serão mais prováveis as trovoadas de sábado?
Quanto às trovoadas, o mapa baseado no modelo Europeu sugere que serão mais prováveis, frequentes e por vezes de forte intensidade no Nordeste Transmontano (distrito de Bragança) no período entre as 11:00 e as 17:00.

Poderão surgir de forma fraca, dispersa e mais pontual em locais dos distritos de Braga, Vila Real e Guarda neste mesmo período.
Chuva acumulada no sábado 2 e projeção do panorama meteorológico no Dia da Mãe, 3 de maio
Por fim, importa perceber a distribuição pluviométrica e a quantidade de precipitação acumulada no episódio instável de sábado (2). O mapa prevê que os registos mais elevados ocorram nos distritos de Viana do Castelo, Braga e em alguns locais de Bragança (10 a 15 mm). Nos restantes distritos onde choverá, a precipitação acumulada variará entre 1 e 10 mm. Somente em grande parte do distrito de Castelo Branco, em algumas zonas de Portalegre e Évora e na totalidade do Baixo Alentejo e Algarve é que não se vislumbra ocorrência de chuva.

Mesmo dentro de um determinado distrito haverá uma distribuição muito desigual da precipitação entre locais próximos, típicos da trajetória errática deste tipo de baixas, que não só acrescenta uma elevada incerteza à previsão (pode sofrer ajustes de última hora), como também é significado de algo muito característico desta época do ano: pode “chover a cântaros” num lugar e noutro muito próximo “nem gota cair”.
No domingo (3) - Dia da Mãe- o centro de baixas pressões afasta-se, mas deixa para trás um ambiente ainda instável. Espera-se precipitação residual, menos organizada e mais dispersa, sendo mais provável nas áreas montanhosas do Norte e do Centro, e ainda um panorama com abertas ocasionais. As temperaturas deverão manter-se sem grandes variações.
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