A última previsão do especialista Alfredo Graça para outubro: o tempo em Portugal poderá sofrer uma mudança brusca

Fica para trás um setembro bastante quente e predominantemente seco em Portugal. Quanto a outubro 2026, o modelo europeu prevê uma mudança significativa na situação meteorológica.

O modelo europeu antecipa uma possível mudança de tempo para o mês de outubro em Portugal.
O modelo europeu antecipa uma possível mudança de tempo para o mês de outubro em Portugal.

Está prestes a terminar um mês de setembro consideravelmente quente em Portugal, marcado por vários dias de persistência de valores elevados da temperatura máxima e que foi, essencialmente, um prolongamento do verão. A ausência de precipitação foi generalizada no Continente com o tempo seco e anticiclónico a impor-se de forma categórica, exceto de forma ocasional e relativamente irregular nos Açores, e por vezes, na Madeira.

Não obstante, é preciso ter em conta que a mudança de tempo prevista para a reta final de setembro ainda tem o potencial de alterar a precipitação para valores próximos à média mensal, tanto em Portugal continental, como nos arquipélagos.

As primeiras tendências do modelo europeu antecipam uma mudança significativa no tempo para o mês de outubro, o que, por outro lado, é habitual no outono. Estará à vista uma alteração radical da circulação atmosférica, após vários meses estivais tendencialmente secos, quentes e soalheiros?

Como costuma ser o mês de outubro em Portugal?

De seguida, recordamos algumas características climáticas de outubro, o primeiro mês plenamente outonal. Segundo as normais climatológicas de referência, as temperaturas médias são 4/5 ºC mais baixas do que em setembro nos distritos do interior, enquanto nos do litoral e nos arquipélagos a descida é mais moderada por causa do efeito termorregulador do oceano Atlântico.

Nas Regiões Norte e Centro, especialmente no interior e em particular nas zonas montanhosas, será recomendável ter um casaco sempre à mão, pois o tempo ficará mais fresco. À noite, em outubro, a geada começa lentamente a surgir nos locais mais abrigados e a poder estender-se a outras zonas. Em contrapartida, em boa parte do Alentejo, no Algarve, nos Açores e na Madeira, poderá continuar a usar roupa de manga curta com bastante frequência durante o dia.

Em outubro começa a ser cada vez mais comum o uso de casacos de chuva, impermeáveis e agasalhos em boa parte do país, embora em certas zonas ainda persista o uso frequente de roupa de manga curta.
Em outubro começa a ser cada vez mais comum o uso de casacos de chuva, impermeáveis e agasalhos em boa parte do país, embora em certas zonas ainda persista o uso frequente de roupa de manga curta.

No que diz concerne à precipitação, é normal que em outubro comecem a chegar ao nosso país as primeiras depressões atlânticas de grande impacto - como Elsa em 2019, que provocou inundações no Norte e no Centro e inúmeras ocorrências, ou as incessantes depressões atlânticas e suas frentes associadas que originaram um outubro de 2023 imensamente chuvoso (duas vezes mais chuvoso do que o normal).

Basicamente, em outubro podem ocorrer diferentes tipos de situações sinópticas, capazes de gerar precipitação na geografia do Continente, desde perturbações atlânticas de carácter frontal (as mais comuns nesta época do ano no nosso país) até depressões isoladas em altitude (gotas frias).

Outubro é um dos meses mais chuvosos do ano de norte a sul de Portugal continental e nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira. Em 13 das 19 principais estações meteorológicas do Continente acumulam-se, normalmente, mais de 100 mm.

O modelo Europeu vislumbra uma mudança considerável do tempo em outubro

Os mapas semanais do modelo ECMWF - que são uma referência para a Meteored - insistem que grande parte de Portugal irá registar temperaturas dentro do normal para o mês de outubro durante a primeira quinzena (até dia 12, concretamente), algo que poderá ser o resultado da presença mais próxima e frequente de baixas pressões e do ar frio na nossa latitude.

Ainda assim, em alguns dias da primeira quinzena é possível que algumas zonas registem valores entre 1 e 3 ºC superiores à média climatológica (Madeira e áreas fronteiriças do Baixo Alentejo e do Sotavento Algarvio) e que outras zonas registem anomalias térmicas negativas (algumas ilhas açorianas e áreas do litoral Norte e Centro).

O modelo europeu indica que, no conjunto do mês de outubro, as temperaturas poderão ser ligeiramente acima da média em algumas zonas (até 1 ºC), situando-se dentro do normal no resto do território continental.
O modelo europeu indica que, no conjunto do mês de outubro, as temperaturas poderão ser ligeiramente acima da média em algumas zonas (até 1 ºC), situando-se dentro do normal no resto do território continental.

Para a segunda quinzena do mês verifica-se a possibilidade de se registarem temperaturas ligeiramente superiores à média climatológica de referência. As anomalias térmicas positivas tenderão a generalizar-se por grande parte do território de Portugal continental, Açores e Madeira, mas, tal como referido anteriormente, serão normalmente suaves (até 1 ºC acima do normal).

Como já foi anteriormente referido na Meteored, outubro é um mês extremamente complexo para a previsão de chuva a médio e longo prazo, dado que esta pode estar associada a diversas situações sinópticas e, por vezes, é extremamente irregular. Deste modo, será apresentada aqui uma aproximação geral, cuja fiabilidade é reduzida.

Mapa de anomalia de precipitação na semana de 5 a 12 de outubro. Possivelmente, somente a Madeira e uma pequena área do interior de Portugal continental é que poderiam registar valores de pluviosidade acima do normal.
Mapa de anomalia de precipitação na semana de 5 a 12 de outubro. Possivelmente, somente a Madeira e uma pequena área do interior de Portugal continental é que poderiam registar valores de pluviosidade acima do normal.

Está em perspetiva uma mudança de tempo para os primeiros dias do mês, que seria a eventual continuidade da chuva gerada pelas frentes frias associadas ao ciclone-bomba que se formará no Atlântico Norte na reta final de setembro. Assim, para a semana de 28 de setembro a 5 de outubro, os mapas contemplam precipitação superior à média de norte a sul de Portugal continental e Açores, sem desvios em relação ao normal na Madeira.

No resto da primeira quinzena não se observam desvios significativos em relação aos valores médios de precipitação, exceto nalgumas zonas do Continente e na Madeira, onde se poderão registar episódios muito localizados de precipitação que se traduziriam em anomalias positivas.

Quanto à segunda quinzena de outubro, não existem, para já, sinais muito claros, mas o modelo europeu indica que poderá ocorrer um domínio de configurações atmosféricas favoráveis a condições meteorológicas de tempo seco em Portugal continental e Açores, mas mais húmido e chuvoso na Madeira.

Os mapas do modelo europeu apostam na possível alternância de situações anticiclónicas e atlânticas em Portugal, incluindo Açores e Madeira. A ausência de um sinal consistente no que toca à evolução da precipitação acarreta um grau de incerteza bastante elevado à previsão, impedindo assim de se avançar com detalhes muito concretos em relação a esta variável, que é muito complexa de prever para o mês de outubro.

No entanto, a incerteza é bastante elevada e é bem provável que ocorram ajustes significativos. Por fim, apesar do super El Niño ser um dos fenómenos climáticos mais impactantes no tempo à escala global e um dos mais comentados para este outono 2026, os seus efeitos são praticamente residuais em Portugal, dado que o nosso país é afetado mais diretamente por outros fenómenos, como o jato polar ou a Oscilação do Atlântico Norte (NAO).