A tempestade Ingrid levantará ondas de até 20 metros: tão altas como um edifício de seis andares

A tempestade Ingrid está a provocar um forte agravamento do estado do mar no Atlântico Norte, com ondulação muito elevada e impacto significativo na costa ocidental de Portugal até ao fim de semana.
A passagem da tempestade Ingrid está a gerar um forte agravamento do estado do mar no Atlântico Norte, com ondas de grande dimensão previstas para os próximos dias. Trata-se de um dos episódios de agitação marítima mais relevantes da semana na Europa, com impacto também em Portugal continental, sobretudo ao longo da costa ocidental, entre quarta-feira e o fim de semana.
Ondulação extrema associada à tempestade Ingrid
Os mapas marítimos indicam que, em mar aberto no Atlântico Norte, particularmente a oeste das Ilhas Britânicas, a tempestade Ingrid poderá gerar ondas extremamente elevadas, com alturas máximas que localmente podem aproximar-se dos 20 metros, valores comparáveis à altura de um edifício de seis andares. Estes picos extremos ocorrem longe da costa e resultam da combinação entre ventos muito intensos e um longo percurso de geração da ondulação associado a uma depressão profunda.
À medida que a ondulação se propaga para sul e se aproxima da Península Ibérica, perde parte da sua energia, mas mantém-se suficientemente intensa para provocar junto à costa portuguesa, ondas entre 6 e 8 metros de altura significativa e ondas isoladas que podem ultrapassar os 12 a 15 metros de altura máxima nas zonas mais expostas.

Em Portugal continental, a agitação marítima começará a agravar-se de forma progressiva a partir de hoje, quarta-feira, inicialmente no litoral Norte e Centro. Na quinta-feira, o mar tornar-se-á já muito agitado, com ondulação forte e períodos longos, aumentando o risco em zonas costeiras expostas, como arribas, estruturas portuárias e zonas de rebentação.
Sexta e sábado concentram os períodos mais críticos
Os momentos mais críticos deverão ocorrer entre sexta-feira e sábado, quando a ondulação de noroeste atingirá os valores mais elevados. Nestes dias, prevê-se altura significativa entre 6 e 8 metros na costa ocidental, podendo a altura máxima das ondas alcançar valores próximos dos 13 a 15 metros, sobretudo entre o Minho e a região Centro. Também a sul do Cabo Carvoeiro poderão ocorrer episódios de forte rebentação, especialmente durante a maré cheia, aumentando o risco de galgamentos costeiros.

No domingo, a tendência aponta para uma descida gradual da ondulação, embora o mar possa permanecer agitado em vários troços da costa, prolongando condições adversas para atividades marítimas e costeiras.
Este episódio resulta de um bloqueio muito robusto de altas pressões entre a Gronelândia e a Escandinávia, que força o jato polar a deslocar-se para latitudes mais a sul do que o habitual, favorecendo a formação de depressões atlânticas profundas e a sucessão de frentes muito ativas no Atlântico Norte.