A previsão do tempo em Portugal até domingo, 1 de março: chuva e trovoada, poeiras do Saara e “montanha-russa” térmica

Nos próximos dias as condições meteorológicas em Portugal continental irão registar vários fenómenos. Desde a chuva, trovoada, granizo e "montanha-russa" nas temperaturas às poeiras em suspensão, saiba o que esperar do tempo na sua região.
Esta terça-feira (24) o anticiclone vai mantendo a sua influência sobre Portugal continental, traduzindo-se em céu pouco nublado ou limpo e em temperaturas amenas, com valores acima da média para a época do ano, apesar da descida das máximas ocorrida de ontem para hoje nas regiões Norte e Centro.
Distribuição da chuva acumulada em Portugal nos próximos dias devido à entrada de uma frente atlântica de fraca atividade e pouco organizada. A combinação da precipitação com poeiras em suspensão poderá gerar o fenómeno “chuva de lama”, não se descartando a possibilidade de surgir sob a forma de granizo. Adicionalmente, poderá ser acompanhada de trovoada nalguns locais.
Nos locais onde a concentração de poeiras do Saara em suspensão é maior o céu vai apresentando um aspeto esbranquiçado/turvo, que ganhará outros contornos esta tarde à medida que uma frente atlântica pouco organizada e de fraca atividade, associada a um vale depressionário, se for aproximando do nosso país e gerar um aumento da nebulosidade, do litoral para o interior.
Quarta-feira 25 com aguaceiros e possibilidade de trovoada e granizo
Nesta terça (24) já são percetíveis os sinais de mudança do tempo, com o vento a soprar fraco a moderado do quadrante sul, esperando-se que se mantenha também na quarta-feira (25), aquando da chegada da frente atlântica. Isto coincidirá também com as concentrações mais elevadas de poeiras do Saara na nossa geografia (hoje e amanhã).
O surgimento destas partículas, para além de produzir um aspeto turvo no céu (acinzentado/esbranquiçado com pouca quantidade ou alaranjado/acastanhado em grande quantidade), poderá gerar o fenómeno “chuva de lama” ao combinar-se com a precipitação gerada pela iminente frente atlântica.

Deste modo - amanhã, quarta-feira 25 - prevê-se precipitação, mais provável e frequente no litoral, sendo mais fraca, intermitente e dispersa no interior. Não se descarta a possibilidade de os aguaceiros surgirem ocasionalmente sob a forma de granizo. Além disto, perspetiva-se a possibilidade de trovoada, mais provável nas regiões a sul do Tejo (como por exemplo Alentejo Litoral, entre outros) em qualquer momento da tarde e possivelmente ao início da noite.
Poeiras mantêm-se mais uns dias
Como já foi referido, a intrusão de poeiras do Saara nos céus do nosso país atingirá o seu pico de máxima concentração hoje e amanhã, dias 24 e 25 de fevereiro. Não obstante, os mapas indicam a sua permanência em suspensão sobre toda a geografia de Portugal continental até sexta-feira, dia 27.

No fim de semana de 28 de fevereiro e 1 de março, tudo indica que as poeiras retirar-se-ão gradualmente do Norte e do Centro, devendo manter-se em suspensão apenas sobre as regiões a sul do sistema montanhoso Montejunto-Estrela.
Prevê-se que voltem a alcançar outro pico de concentração elevado no domingo 1 de março na região do Algarve devido não só a uma depressão posicionada sobre o Norte de África que impulsionará uma nova ‘língua’ de poeiras até ao sul da Península Ibérica, como também à mudança de quadrante do vento, que passará a soprar de Leste neste dia.
A partir de quinta-feira a estabilidade atmosférica volta a impor-se, com “montanha-russa” das temperaturas à vista
Entre hoje e amanhã as temperaturas máximas irão baixar de uma forma geral. Porém, entre quinta-feira (26) e domingo (1) preveem-se altos e baixos térmicos, produzidos pelos ajustes no posicionamento dos centros de ação, pela alternância de massas de ar e pelos ventos dominantes.
Este ambiente primaveril, com valores diurnos iguais ou superiores a 20 ºC em várias capitais distritais (Vila Real, Coimbra, Lisboa, Santarém, Castelo Branco, Portalegre, Évora, Beja e Faro, entre outras) resultará da influência das altas pressões na nossa geografia. O céu limpo, o processo de subsidência do ar do próprio anticiclone e a maior eficiência do aquecimento diurno explicam este padrão temporário de tempo ameno.

Já na sexta-feira (27) espera-se a aproximação de uma nova frente atlântica, muito débil e pouco organizada, que todavia deverá enfraquecer antes de entrar plenamente na geografia de Portugal continental. Deste modo, prevê-se chuva fraca e dispersa no Norte, com distribuição pouco uniforme e tendencialmente mais concentrada na metade ocidental da região. Esta alteração temporária no padrão meteorológico, com a frente associada a ventos de Norte, voltará a produzir outra oscilação térmica, com as temperaturas máximas a baixarem neste dia.
Para o fim de semana (sábado 28 e domingo 1) ainda existe alguma incerteza quanto à variação térmica. No entanto, os mapas sugerem uma nova e gradual subida das temperaturas, não só devido à maior influência da crista subtropical anticiclónica, como também por causa da mudança de rumo do vento dominante: de Norte e Oeste poderá passar a soprar de Leste.