A partir das 13 horas aumenta o risco de aguaceiros localmente fortes, trovoada, rajadas fortes e granizo em 6 distritos

Na tarde desta segunda-feira, 17 de agosto, prevê-se uma das fases mais ativas da instabilidade gerada pela depressão isolada em altitude. Saiba as horas mais críticas dos aguaceiros, trovoadas e granizo e as zonas mais expostas em Portugal.
Nas próximas horas e dias, num período que abrangerá parcialmente a semana de 17 a 24 de agosto, o estado do tempo em boa parte do Centro e Sul de Portugal continental será fortemente condicionado pela presença de uma depressão isolada em altitude, atualmente posicionada entre o arquipélago da Madeira e o Cabo de São Vicente, e que deverá manter-se separada da circulação principal durante alguns dias.
A configuração sinóptica associada a esta baixa pressão está a favorecer o transporte de uma massa de ar quente e seca, acompanhada também de poeiras do Saara, desde o Norte de África até à Península Ibérica.
Esta combinação de fatores está a contribuir para a rápida intensificação das temperaturas máximas no nosso país, num contexto em que quase todos os distritos de Portugal continental (17) estão sob aviso amarelo e/ou laranja de tempo quente entre hoje e amanhã, segunda e terça-feira 17 e 18 de agosto.

A proximidade da referida depressão isolada será simultaneamente responsável pelo aumento da instabilidade atmosférica no nosso país. Os efeitos previstos para a tarde desta segunda-feira (17) incluem aguaceiros localmente fortes, acompanhados de trovoada, rajadas fortes, e pontualmente possibilidade de queda de granizo.
Hoje, quais poderão ser as horas mais críticas e as áreas potencialmente mais expostas?
Tendo em conta a distribuição e concentração geográfica de descargas elétricas atmosférica plasmadas nos mapas de referência da Meteored, prevê-se que o período mais ativo das trovoadas ocorra entre as 13:00 e as 17:00. No entanto, os mesmos mapas mostram que, de forma mais irregular e dispersa no tempo e no espaço, alguma atividade elétrica poderá já ter ocorrido esta manhã e prolongar-se para além do intervalo referido.

Embora o IPMA tenha colocado aviso amarelo de trovoada para um período que se estende das 06:00 até às 21:00 desta segunda-feira (17), o cenário atualmente disponível, evidenciado pelo modelo ECMWF, aponta para uma maior probabilidade de intensificação da atividade convectiva durante a tarde, com o aquecimento da superfície ao longo do dia a surgir como um dos fatores causantes de formação de nuvens de desenvolvimento vertical.
Analisando os mapas, salta à vista a possibilidade de algumas das áreas potencialmente mais favoráveis ao desenvolvimento de células convectivas se localizarem em torno de concelhos como Alvito, Viana do Alentejo, Alcácer do Sal, Redondo, Estremoz, Évora Monte, Mora, Coruche, Elvas, Golegã, Chamusca, Abrantes e Sardoal.

Contudo, é importante interpretar esta indicação com alguma cautela, dado que pequenas alterações na localização, intensidade ou trajetória das células podem resultar em diferenças significativas entre o que o modelo previu e o que se observou realmente no terreno.
Apesar deste cenário, sobressai ainda a possibilidade de ocorrência de trovoada dispersa e irregular em zonas mais a oeste ou a norte das principais áreas de instabilidade, tais como algumas zonas dos distritos de Setúbal e Coimbra, sendo que a probabilidade de atividade convectiva tenderá a ser menor a norte do Mondego.
Possível distribuição da precipitação acumulada e antevisão da evolução das trovoadas na terça, 18 de agosto
Devido à estrutura vertical da atmosfera e aos reduzidos níveis de humidade previstos, o potencial para a ocorrência de chuva significativa será mais limitado.

Nas restantes zonas onde se prevê precipitação, esta será bem mais irregular e localizada. Além disto, num ambiente em que há níveis reduzidos de humidade, não são de excluir as trovoadas com precipitação escassa ou até mesmo com predominantemente secas.
Para terça-feira (18) os cenários atualmente projetados pelos nossos mapas não preveem uma atividade elétrica tão frequente e localmente intensa como a que poderá ocorrer durante a tarde de hoje. Não obstante, segundo os mesmos, espera-se que a fase mais ativa das possíveis trovoadas dispersas se possa desenrolar entre as 15:00 e as 17:00, com o Ribatejo, Beira Baixa e grande parte do Alentejo novamente dentro do principal foco de instabilidade.
Mesmo assim, amanhã (18), não se exclui a possibilidade de ocorrência de aguaceiros e trovoadas dispersos também em algumas zonas montanhosas do interior Norte e Centro.
Tendo em conta a típica volatilidade da evolução destes sistemas depressionários isolados em altitude, existe uma incerteza inerente à previsão, sobretudo no que toca à localização das áreas potencialmente mais afetadas, à distribuição e intensidade dos fenómenos e, nalguns casos, no que toca à ocorrência dos fenómenos per se.
Devido a isto, até mesmo a escassas horas do desenrolar deste episódio, a previsão poderá sofrer ajustes em relação aos cenários atualmente projetados. Espera-se que a tarde desta segunda-feira (17), em particular entre as 13:00 e as 17:00 seja o período mais ativo, porém, o acompanhamento da evolução em tempo real das células convectivas será determinante para perceber onde e com que intensidade os fenómenos realmente ocorrerão.