A corrente de jato polar está a deslocar-se para norte e irá mudar o tempo em Portugal nas últimas semanas de fevereiro

A corrente de jato polar está a deslocar-se para norte e o anticiclone ganha força sobre a Península Ibérica, trazendo uma mudança significativa no padrão atmosférico: após a chuva de quarta-feira, regressa a estabilidade e aumentam as amplitudes térmicas.
A tarde desta terça-feira será marcada por um contraste evidente entre o sul e o restante território. No sudoeste alentejano, Baixo Alentejo e Algarve esperam-se períodos de abertas, enquanto o norte e centro permanecem maioritariamente nublados.
No Minho e Trás-os-Montes (Viana do Castelo, Braga e Vila Real), poderá ocorrer precipitação fraca e dispersa, com acumulados horários inferiores a 0,8 mm/h, sem expressão significativa. Estamos ainda sob influência de circulação atlântica moderada, mas a mudança de padrão aproxima-se.
Quarta-feira: chuva e vento associados a uma depressão a norte
Na quarta-feira uma depressão a circular a norte da Península Ibérica (tempestade Pedro) irá influenciar o estado do tempo em Portugal, embora o seu centro não atravesse diretamente o território. Durante a madrugada, a chuva será fraca na faixa costeira do norte e centro. A partir das 08h, a precipitação intensifica-se, tornando-se generalizada nas regiões a norte de Lisboa, incluindo a capital.
Entre o final da manhã e início da tarde, o Minho e o litoral norte, especialmente Braga, Viana do Castelo e Vila Real, poderão registar acumulados horários superiores a 6 mm/h, correspondendo a chuva moderada. Ao longo da tarde, a precipitação estende-se ao Alto Alentejo e, já mais para a noite, poderá atingir o Algarve, embora com caráter fraco.
O vento será outro elemento de destaque, rajadas superiores a 80 km/h são possíveis nas terras altas do norte, em particular no distrito de Vila Real.
Aproximação do anticiclone e estabilização progressiva
Na quinta-feira, observa-se a aproximação de um centro de altas pressões (≈1030 hPa) em direção à Península Ibérica. Este reforço anticiclónico promove uma diminuição da instabilidade e o surgimento de abertas, sobretudo na região sul durante a tarde.

Este reposicionamento do anticiclone está associado à subida da corrente de jato polar para latitudes mais elevadas. A deslocação do jato polar para norte está relacionada com a redução do contraste térmico entre as latitudes médias e polares, à medida que a radiação solar aumenta no final do inverno.
Com menor gradiente térmico, o jato enfraquece e ondula para latitudes mais elevadas, permitindo que o anticiclone se expanda sobre a Península Ibérica. O que resulta em dias estáveis, mais amenos e com sensação primaveril nas últimas semanas de fevereiro.
Fim de semana de estabilidade e forte amplitude térmica
Com o domínio anticiclónico instalado sobre Portugal, a ausência de nebulosidade significativa favorece um aumento da amplitude térmica diária. No sábado de manhã, as temperaturas mínimas descem para valores entre 2°C e 6°C no interior norte e centro, podendo aproximar-se de 0°C em zonas mais interiores. No litoral, os valores mantêm-se mais amenos (5°C a 8°C).
Durante a tarde, as máximas sobem de forma expressiva, com grande parte do território a atingir 17°C a 20°C, sobretudo no Alentejo e vale do Tejo. Esta diferença acentuada entre manhã e tarde traduz um padrão típico de céu limpo e ar seco.