Por que está a Rotunda do Marquês de Pombal, em Lisboa, a transbordar de Amores-perfeitos?

Descubra aqui as virtudes das flores Viola tricolor e o motivo pelo qual foram selecionadas pela autarquia para colorir o inverno numa das zonas mais congestionadas da capital.

Plantação de Amores-perfeitos na Rotunda do Marquês de Pombal, em Lisboa
A autarquia de Lisboa elegeu a Viola tricolor para embelezar a rotunda do Marquês de Pombal. Foto: CML

Se vive em Lisboa e por estes dias passar pela rotunda do Marquês de Pombal, é bem possível ser surpreendido por onda cor a contrastar com o cinzentismo do intenso tráfego automóvel.

A equipa de jardineiros da câmara municipal concluiu recentemente a plantação da temporada de inverno com mais de 11.500 Viola tricolor, que agora ocupam os canteiros de uma das zonas mais congestionadas da capital.

Plantação de Amores-perfeitos na Rotunda do Marquês de Pombal, em Lisboa
Amores-perfeitos, sendo resistentes ao frio, são opções populares para os canteiros urbanos de Lisboa e de outras cidades portuguesas. Foto: CML

Também conhecidas como Amores-perfeitos ou Erva-trindade, as flores chegaram à rotunda do Marquês, trazendo uma panóplia de cores alegres que vão do vermelho ao azul, passando pelo roxo, amarelo e branco. Nos meses que se seguem, esta será a imagem de marca daquele que é um dos espaços mais emblemáticos da cidade.

A Viola tricolor é uma planta bissexual conseguindo reproduzir-se sem precisar de ajuda. As suas flores produzem cápsulas que podem conter até 50 sementes.

A operação implicou descompactar, nutrir e nivelar o solo, preparando a plantação desta temporada. A escolha das Viola tricolor não é apenas uma questão estética.

Já terá reparado, certamente, que a espécie é bastante popular em espaços públicos. Flores rústicas e resistentes, são ideais para ornamentar os canteiros, sobretudo durante os meses frios do ano.

Cor e alegria em dias invernosos

No inverno, quando boa parte das flores entra em dormência, as Viola tricolor sobressaem-se pela extrema capacidade de adaptação a qualquer ambiente, mesmo os mais urbanizados.

A sua delicadeza, sendo apenas aparente, pode suportar temperaturas baixas e sobreviver durante todo o inverno sem perder a vitalidade. São por isso a escolha óbvia para colorir os espaços urbanos mais inóspitos, como rotundas, separadores e bermas de estradas, com a sua combinação de cores quentes e vibrantes.

Sendo plantas robustas, necessitam de intervenções mínimas, mantendo a sua beleza até a primavera chegar. Nos anos mais recentes, as Amores-perfeitos ganharam também popularidade na gastronomia, como uma PANC (planta alimentícia não-convencional).

Plantação de amores-perfeitos na rotunda do Marquês de Pombal, em Lisboa
Durante o inverno, as Viola tricolor conseguem aguentar várias semanas sem rega. Foto: CML

Contendo ainda compostos com propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes, bactericidas e calmantes, as flores têm sido ainda muito usadas na indústria farmacêutica, especialmente na produção de fitoterápicos.

Cuidar com amor e carinho

Da família das violáceas, são oriundas de regiões temperadas da Europa e da Ásia, mas cultivadas em praticamente todo o mundo. Com flores pequenas, têm entre 15 e 25 cm de altura, prosperando em solos ácidos ou neutros.

A fama das Viola tricolor é bem antiga, aparecendo, inclusive, na peça teatral de 1590, "Sonho de Uma Noite de Verão", de William Shakespeare, onde é usada na poção do amor consumida por Demétrio, o protagonista.

Em regiões mediterrânicas, a sua floração ocorre quase todo o ano, exceto no verão, podendo singrar tanto perto do mar como em grandes altitudes. As estações intermediárias também são os melhores períodos para o cultivo.

Plantação de amores-perfeitos na rotunda do Marquês de Pombal, em Lisboa
A plantação de inverno nos canteiros da Rotunda do Marquês de Pombal implicou o cultivo com 11 500 plantas Viola Tricolor, conhecidas como Amor-perfeito ou Erva-trindade. Foto: CML

Para cultivar a Viola tricolor, é necessário plantá-la em ambientes de meia-sombra, com solos ricos em matéria orgânica e bem drenados, regando a cada 15 dias, durante o inverno, e entre duas e três vezes por semana na primavera, mas sem nunca encharcar. Deverá ainda remover as flores murchas para incentivar floração.

As linhas escuras das pétalas desta flor mostram às abelhas onde devem pousar para encontrar o néctar e o pólen.

Se, todavia, não é dado à jardinagem, poderá continuar a apreciar a sua beleza nos canteiros urbanos das nossas cidades. Da próxima vez que parar num semáforo da Rotunda do Marquês de Pombal, em Lisboa, esqueça aliás os dias invernosos e a confusão do trânsito. Deixe-se contagiar pela cor e alegria das Viola tricolor.

Referência da notícia

Onze mil plantas dão cor ao Marquês de Pombal. Câmara Municipal de Lisboa