Uzbequistão: o destino da Ásia Central que está a surpreender os portugueses
De rival no Mundial para o radar das viagens. Descubra porque é que o Uzbequistão está a despertar tanta curiosidade.

Durante anos, o Uzbequistão foi um daqueles nomes que passavam ao lado da maioria dos portugueses. Afinal, trata-se de um país distante, algures no mapa da Ásia Central, mais associado às aulas de História do que a uma próxima viagem de férias.
Contudo, bastou um jogo frente a Portugal no Mundial de 2026 para o nome entrar, de repente, nas conversas, nas pesquisas do Google e na curiosidade de quem gosta de descobrir destinos fora do circuito mais óbvio.
A goleada portuguesa por 5-0, a 23 de junho, serviu de apresentação a muitas pessoas. E, para um país que nem sempre aparece nos radares europeus, isso acabou por funcionar como uma espécie de campanha de notoriedade involuntária.
O curioso é que o Uzbequistão já não é, há muito, um segredo para todos. Aliás, nos últimos anos, tem vindo a afirmar-se como um dos destinos mais procurados da Ásia Central, sobretudo por viajantes interessados em cidades históricas, arquitetura islâmica, paisagens de montanha e rotas culturais com mais séculos do que muitos países europeus. Já conhece este destino?
Um país com lagos e montanhas
No mapa, o Uzbequistão fica encaixado entre o Cazaquistão, o Turquemenistão, o Tajiquistão, o Quirguistão e o Afeganistão. Feitas as contas, tem mais de 37 milhões de habitantes e uma localização que, durante séculos, lhe deu um papel central no comércio entre o Oriente e o Ocidente.
“É precisamente esta herança histórica que atrai os turistas espanhóis, segundo o Comité de Turismo do Uzbequistão, que, no início deste ano, partilhou um documento a relatar o crescimento das viagens espanholas”, nota a revista ‘NiT’.
E é essa mesma herança que continua a fazer do Uzbequistão um destino especial. Samarcanda, por exemplo, é o nome que mais depressa surge em qualquer conversa sobre o país. Esta é “provavelmente a mais mítica cidade da Rota da Seda”, afirma o ‘Público’.
“A cidade de Samarcanda é um dos destinos mais famosos, destacando-se pela Praça Registan, rodeada de antigas madrassas decoradas com mosaicos coloridos.”

Com as suas madrassas monumentais revestidas de mosaicos azuis e turquesa, este é um dos grandes símbolos do país.
Porém, reduzir o Uzbequistão a Samarcanda seria injusto. Bucara é outra das paragens essenciais e tem um centro histórico que parece conservar, com uma serenidade impressionante, a memória de séculos de comércio, religião e poder.
Já Khiva — ou Quiva, na grafia portuguesa — é frequentemente descrita como uma cidade-museu, e percebe-se porquê: cercada por muralhas de adobe e recheada de edifícios históricos, dá a sensação de que o tempo ali decidiu andar mais devagar.
“Em Khiva, as belíssimas muralhas da cidade medieval Ichan Kala são igualmente visita obrigatória”, explica o jornal português. “Datadas do século XVIII, foram destruídas pelos persas e depois reconstruídas, e prolongam-se por 2,5 quilómetros, com dez metros de altura. Dentro das muralhas encontram-se muitos pequenos museus, mesquitas e madrassas, que contam a história deste local, o primeiro do Uzbequistão a ser declarado pela UNESCO como Património da Humanidade.”
Depois há Tashkent, a capital, que costuma ser subestimada por quem chega ao país com a cabeça nas antigas caravanas da Rota da Seda. E, no entanto, merece bem mais do que uma noite de passagem.
Tashkent é uma cidade marcada por várias camadas da história uzbeque: o legado soviético, a reconstrução após o terramoto de 1966, os bazares, os museus, as avenidas largas, as estações de metro decoradas quase como pequenas galerias subterrâneas e uma energia urbana que contrasta com a imagem mais monumental das cidades históricas. Sim, é verdade que não é o postal mais óbvio do país, mas ajuda a perceber o Uzbequistão de hoje, um que tenta equilibrar tradição, modernização e uma abertura crescente ao turismo internacional.

E se a imagem mais conhecida do país é a das cúpulas azuis, dos minaretes e dos mosaicos, sabemos também que o Uzbequistão tem muito mais para mostrar. A norte e a nordeste, surgem zonas de montanha e reservatórios que fazem parte do lado menos conhecido do país. A região de Chimgan e o lago Charvak, a poucas horas de Tashkent, são um bom exemplo disso.
“Um dos segredos mais bem guardados do país são, sem dúvida, as paisagens naturais, que continuam afastadas do turismo em massa do resto do mundo”, escreve também a revista ‘NiT’. “Embora seja mais conhecido pelas cidades históricas, o Uzebquistão possui praias, trilhos e montanhas paradisíacas.”
Mais a oeste e no interior do país, o cenário muda outra vez. O deserto de Kyzylkum, por exemplo, oferece uma versão completamente diferente da viagem. Conte com dunas, acampamentos, noites muito estreladas e aquela sensação de vastidão que só os lugares quase vazios conseguem dar.
Já o lago Aydarkul, numa zona semidesértica, aparece como um refúgio improvável para quem quer trocar o ritmo das cidades por silêncio, areia e água.
Sim, parece que o país tem esta capacidade curiosa de alternar, em poucas horas, entre cidades monumentais, montanhas verdes, estepes secas e paisagens que parecem saídas de geografias completamente diferentes.
E, claro que a gastronomia acompanha essa mistura de influências. “Na parte da comida, o país tem também algumas das opções mais ricas do continente.”
Uma cozinha com muitas influências
A cozinha uzbeque é robusta, generosa e pouco dada a minimalismos. O prato mais emblemático é o plov, feito com arroz, carne, cenoura e especiarias, cozinhado lentamente até tudo ganhar uma consistência quase cerimonial. É daquelas receitas que cada família, cada região e provavelmente cada avó jura saber fazer melhor do que todas as outras.
Depois há as samsas, que são uns pastéis assados recheados com carne, cebola ou abóbora; os manti, cozidos ao vapor; o lagman, com massa e molho de carne e legumes; e várias sopas e guisados.
História política
Também a história política do país ajuda a explicar a sua identidade atual. O território uzbeque foi dominado por vários impérios ao longo dos séculos, passou pela islamização medieval, integrou o mundo persa e turco-mongol, foi absorvido pelo Império Russo e, mais tarde, pela União Soviética. A independência só chegou em 1991, com o colapso soviético.
Esse processo não apaga os desafios internos nem transforma o país num destino “perfeito”, mas ajuda a perceber porque é que o Uzbequistão tem hoje mais voos, mais hotéis, mais investimento em infraestruturas e uma presença cada vez mais forte nas listas de destinos a descobrir.

E quando é que será a melhor altura para visitar este país? A ‘NiT’ garante que é em outubro ou na primeira semana de novembro. Isto porque alguns turistas se têm queixado de que os meses de julho e agosto são muito quentes na Ásia Central.
Referência da notícia
Público, Prado Coelho, A. (2026). O que sabemos sobre o Uzbequistão, país que vai jogar contra Portugal.
NiT, Pincelli, I. (2026). Uzbequistão: o país com lagos e montanhas onde os espanhóis adoram passar férias.