O novo fenómeno entre os viajantes em 2026: escapadelas inspiradas em cenário de livros

Turismo literário nacional, uma imaginação ou uma realidade para não se perder? Saiba mais aqui!

Em 2026, o melhor GPS não é digital; é a alma de um grande livro.
Em 2026, o melhor GPS não é digital; é a alma de um grande livro.

No ano de 2026, o turismo literário está novamente na berra, assistimos ao regresso dos clássicos livros em vez de séries e filmes. As "escapadelas literárias" voltaram a ser uma tendência, não apenas como destino mas para a vivência da atmosfera, das cores e da alma das histórias.

Podia muito bem relatar exemplos internacionais, mas o que é nacional também é bom, aliás de excelência.

Sendo assim temos vários exemplos, que cada vez mais, saem da esfera das visitas de estudo dos alunos que têm nos seus programas curriculares, para serem os adultos a visitarem e a vivenciarem estas rotas. Neste sentido, destacam-se vários exemplos.

Turismo literário e os seus vários exemplos à escala nacional neste ano 2026

O primeiro, "A Cidade e as Serras", de Eça de Queirós, onde visualizamos o Douro, a majestosa linha ferroviária do Douro e o seu rio, as encostas, os vinhedos e as serras, onde "Jacinto" troca a tecnologia de Paris pela serenidade das "Serras", onde a gastronomia relatada no livro também é um ponto atrativo como o arroz de favas. Este é um local cada vez mais valorizado no contexto português, com as várias iniciativas dos Comboios de Portugal através do comboio histórico a vapor cada vez mais procurado por turistas.

A Fundação Eça de Queirós, em Tormes, é a casa real que inspirou o refúgio de Jacinto.
A Fundação Eça de Queirós, em Tormes, é a casa real que inspirou o refúgio de Jacinto.

Outro exemplo, é Fernando Pessoa, onde Lisboa torna-se a procura da sua identidade, como por exemplo na Baixa Pombalina, no Chiado e no Café "A Brasileira", onde podemos tomar um belo café com a sua estátua.

Além de Eça de Queirós e Fernando Pessoa, não nos podemos esquecer do "nosso" Nobel literário.

José Saramago, alvo de várias polémicas na altura com a Igreja Católica. Como exemplo turístico, temos o "Memorial do Convento" onde podemos imaginar o transporte das pedras para a sua construção, o esforço dos seus trabalhadores e o sonho de Blimunda e Baltasar. Também podemos visitar a sua Fundação José Saramago, em Lisboa, que poderá ser um ponto de partida para conhecer melhor as suas obras e a sua lente crítica.

No Memorial do Convento, foram precisos mil homens para mover uma pedra. Hoje, basta um livro para mover a nossa alma.
No Memorial do Convento, foram precisos mil homens para mover uma pedra. Hoje, basta um livro para mover a nossa alma.

Regressando ao norte, neste caso, a Trás-os-Montes, temos Miguel Torga com o "Reino Maravilhoso" onde retrata (uma da parte) a geologia imponente das arribas do Douro, ou António Tiza Pinela com "O Diabo e as Cinzas", com os vários contos de várias aldeias, uns ficcionais, outros não, onde retrata as gentes, o carnaval (Entrudo). Também em Tiago Patrício a ruralidade está sempre presente.

O Entrudo em Trás-os-Montes é onde o Diabo e as Cinzas dançam. Atreves-te a entrar na máscara?
O Entrudo em Trás-os-Montes é onde o Diabo e as Cinzas dançam. Atreves-te a entrar na máscara?

Mudando de território, temos Florbela Espanca com o seu livro "Charneca em Flor" onde a ligação emocional com as planícies está presente ou simplesmente Raul Brandão com "Os Pescadores", onde percorre a costa portuguesa, de Olhão a Caminha, descrevendo o mar e de quem vive dele.

Em suma, ler e imaginar, muitas das vezes podemos vivenciar um pouco da nossa imaginação, basta querer, afinal a utopia é real!