Na Antártida, contar pinguins pode valer 2.500€ por mês
Trocar o escritório por uma ilha gelada e receber um ordenado com alojamento e alimentação incluídos. Parece estranho, mas é uma real. E, sim, uma das tarefas é contar pinguins.
Há quem ambicione não ter de sair de casa para trabalhar. Outros preferem ir todos para o escritório. E depois há aqueles que vão até ao continente mais isolado do planeta.
Do que é que estamos a falar? Uma organização britânica recruta pessoas para passar vários meses na Antártida, entre gelo, icebergs e centenas de pinguins.
A proposta é da UK Antarctic Heritage Trust (UKAHT), uma organização dedicada à preservação do património histórico britânico na Antártida. O trabalho decorre em Port Lockroy, uma antiga base militar situada na ilha Goudier, junto à Península Antártica, que hoje funciona como museu, loja de recordações e estação de correios.
Sim, é verdade que as candidaturas para a temporada de 2026/2027 já encerraram. Ainda assim, a organização costuma realizar recrutamentos sazonais. Por isso, quem estiver interessado pode começar a acompanhar as próximas oportunidades.
Contar pinguins não é a única tarefa
A principal particularidade deste emprego está na variedade de funções. Uma parte da equipa é responsável por acompanhar uma colónia de pinguins-gentoo que vive na ilha. O trabalho passa por registar ninhos, ovos e crias, permitindo acompanhar a evolução da população e perceber de que forma a presença humana pode influenciar estes animais. Talvez por isso, há quem diga que se recebe milhares de euros para contar pinguins. Mas não se deixe enganar. É mais complexo do que isso.

O programa de monitorização da fauna assinala 30 anos durante a temporada de 2026/2027 e representa uma importante fonte de informação sobre a vida destas aves.
E, não, as 9 horas de trabalho diárias não são passadas a observar pinguins. Os trabalhadores também recebem turistas que chegam à ilha a bordo de navios de cruzeiro, ajudam a gerir a loja de recordações, tratam da correspondência e asseguram a limpeza e manutenção das instalações.
“Os membros da equipa recebem turistas, ajudam a gerir uma loja de recordações, tratam da correspondência e asseguram a manutenção das instalações”, nota a revista ‘Versa’.
Port Lockroy tem também uma história interessante. A base foi criada em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, e funcionou posteriormente como estação científica britânica. Depois de ter sido restaurada, abriu ao público em 1996, tornando-se um dos pontos de interesse para quem visita a Península Antártica.
Salário até 2.500€, mas não espere grandes luxos
A remuneração anunciada nos recrutamentos mais recentes varia consoante a função, situando-se entre 1.449 e 2.096 libras por mês, o equivalente a aproximadamente 1.700 a 2.500 euros.
Além do ordenado, a organização assegura alojamento, alimentação, equipamento adequado às condições meteorológicas e deslocações relacionadas com a expedição.
Admitimos que o pacote parece bastante apelativo, sobretudo para quem está habituado a fazer contas à renda, ao supermercado e às despesas mensais. No entanto, há algumas contrapartidas que convém conhecer antes de trocar a rotina habitual por esta aventura.

É que a base não tem água corrente nem sanitas com autoclismo. Aliás, a água potável chega através dos navios que abastecem a ilha e é transportada em recipientes, pelo que a sua utilização tem de ser cuidadosamente gerida.
O alojamento também é simples, com quartos partilhados e beliches. A alimentação é preparada pela própria equipa e recorre sobretudo a produtos secos e enlatados, transportados para a ilha. Isto porque não há frigoríficos, o que exige que só se consiga comer aquilo que possa ser mantido à temperatura ambiente.
Além disso, a eletricidade é limitada e a ligação ao exterior depende dos meios de comunicação disponíveis na base.
Há ainda outra particularidade: durante o verão austral, os dias podem ter praticamente 24 horas de luz natural. Dormir com tanta claridade pode exigir alguma habituação, mesmo para quem não tem dificuldade em acordar cedo.
Nem toda a gente está preparada para viver na Antártida
Gostar de animais e ter vontade de conhecer lugares diferentes são bons pontos de partida, mas não chegam para conseguir este emprego. Apesar de uma das poucas condições é ser maior de 18 anos, a organização diz procurar candidatos com capacidade de adaptação, espírito de equipa e resistência física.
Entre as tarefas estão transportar recipientes de água com cerca de 20 quilos, levantar caixas, retirar neve e ajudar nas operações de desembarque. Também é necessário estar preparado para viver durante vários meses num espaço reduzido, com poucas pessoas e sem as comodidades habituais.
Existe ainda uma condição importante para quem pensa candidatar-se a partir de Portugal. Apesar de aceitar candidatos de outras nacionalidades, a UK Antarctic Heritage Trust exige que estes tenham autorização para trabalhar no Reino Unido e residam no país durante o processo de seleção. A organização não assegura vistos de trabalho.
“A organização recorda que a experiência é exigente, mas também oferece a oportunidade de conhecer uma das regiões mais isoladas do planeta e participar na preservação do seu património natural e histórico”, escreve o ‘Executive Digest’.
Referências da notícia
Versa, Simões, R. (2026). Este trabalho na Antártida paga até 2.500 euros por mês e inclui alojamento e despesas.
Executive Digest, Laranjeira, F. (2026). Contar pinguins e ganhar até 2.500 euros: provavelmente o emprego mais invulgar do mundo está disponível.