Já conhece esta 'cidade morta'? Fica em Portugal e pode ser visitada gratuitamente
No Norte do País, há um antigo povoado onde ainda pode caminhar entre muralhas, casas e ruas com milhares de anos de história. O melhor? Não precisa de pagar entrada.

O nome é dramático, mas a história é bem mais interessante. Em Penafiel, o Castro de Monte Mozinho, também conhecido como a Cidade Morta, guarda as ruínas de um povoado que começou a ser construído há mais de dois mil anos. E, sim, hoje ainda pode ser visitado. O melhor é que pode fazê-lo gratuitamente.
Sobre o nome, a explicação é bastante simples. É que o local foi habitado durante vários séculos, mas acabou por ser abandonado. Agora, em vez de moradores, há vestígios de casas, muralhas e outras estruturas que ajudam a perceber como era a vida naquele monte há cerca de dois mil anos.
“Num monte do concelho de Penafiel, a 408 metros de altitude, existe uma povoação escondida com mais de dois mil anos de história”, escreve a revista ‘NiT. “Já não vive lá ninguém e o que resta são muralhas de pedra e vestígios de antigas habitações que marcaram a região.”
A ocupar uma área de aproximadamente 22 hectares (o equivalente a 30 campos de futebol), Castro de Monte Mozinho fica distribuído pelas freguesias de Galegos, Oldrões e Valpedre. É, por isso, um dos maiores povoados fortificados de época romana no Norte de Portugal.
Uma cidade com casas, muralhas e guerreiros de pedra
Mas a narrativa do povoado começou muito antes. Mais precisamente entre o final do século I a.C. e o início do século I d.C., numa altura em que a presença romana começava a transformar o noroeste da Península Ibérica.
E não pense que Roma apagou tudo o que já existia. Pelo contrário. Os vestígios encontrados em Monte Mozinho mostram uma mistura entre tradições castrejas e novas influências romanas.
Ao longo do tempo, o povoado foi crescendo e ganhou diferentes zonas, ruas e estruturas defensivas. Na parte superior, por exemplo, encontrava-se uma acrópole, delimitada por uma muralha, que terá servido para várias atividades comunitárias.
É também nesta parte mais elevada do castro que surgiram alguns dos vestígios mais conhecidos de Monte Mozinho. À entrada da muralha foram encontradas duas estátuas de guerreiros galaicos, esculpidas em granito. Hoje, quem quiser vê-las terá de passar pelo Museu Municipal de Penafiel, uma vez que as peças já não se encontram junto às ruínas.
O que aconteceu à “Cidade Morta”?
Apesar das mudanças que foi sofrendo, o povoado continuou ocupado durante vários séculos. Os vestígios arqueológicos apontam para uma ocupação que se prolongou até, pelo menos, ao século V.
Foi a partir dessa altura que o local começou a perder importância e a ser progressivamente abandonado. Não, este não terá sido um acontecimento repentino. Em vez disso, terá sido um processo gradual, com a população a procurar outros espaços para viver.
“Alguns habitantes terão procurado zonas mais baixas e abertas, enquanto outros terão deixado a região”, lê-se no site ‘Away’.

Durante muitos séculos, ficaram apenas as estruturas abandonadas no alto do monte. Só muito mais tarde é que o local voltaria a despertar o interesse de quem queria perceber o que ali tinha acontecido.
As primeiras investigações modernas remontam ao início do século XX, mas as escavações arqueológicas começaram oficialmente em 1943. Os trabalhos foram retomados décadas mais tarde e permitiram identificar casas, ruas, muralhas e outros vestígios, além de objetos como moedas e peças de cerâmica.
É graças a essas descobertas que hoje é possível reconstruir, pelo menos em parte, a história das pessoas que viveram em Monte Mozinho.
Uma visita gratuita em Penafiel
A melhor parte é que não precisa de reservar uma visita guiada nem de comprar bilhete para conhecer o castro. O acesso ao sítio arqueológico é gratuito e a visita pode ser feita ao ar livre, seguindo a informação existente no local.
Para complementar o passeio, existe ainda o Centro Interpretativo do Castro de Monte Mozinho, criado em 2004 e ligado ao Museu Municipal de Penafiel. O espaço foi pensado para contextualizar os vestígios encontrados durante as escavações e ajudar a perceber a evolução do povoado.
Nas proximidades existem também estacionamento e um parque de merendas, o que permite prolongar o passeio sem grande planeamento. Ainda assim, há uma regra simples que convém não esquecer: as ruínas são património arqueológico e não devem ser usadas como caminho, banco ou, muito menos, como parede de escalada improvisada.
“Para quem procura descobrir património português fora dos circuitos turísticos mais conhecidos, a ‘Cidade Morta’ é, assim, um daqueles lugares onde a história deixa de estar apenas nos livros e passa a estar literalmente debaixo dos nossos pés”, garante o site ‘Away’.
Referências da notícia
Museu de Penafiel. (2026). O Castro de Monte Mozinho integra a Rede de Castros do Noroeste Peninsular.
NiT, Pincelli, I. (2026). A “cidade morta” com mais de dois mil anos em Portugal que pode visitar à borla.
Away. (2026). Esta “cidade morta” tem mais de 2 mil anos, fica em Portugal e é de entrada gratuita.