Há uma tendência a crescer em Portugal: viajar sozinho nunca fez tanto sentido
Os portugueses já não esperam por companhia para fazer as malas. E os números deste estudo comprovam isso.

Antes de partir, muitos portugueses fazem uma pergunta simples: “E se fosse sozinho?”. O que há alguns anos podia parecer uma opção improvável é hoje uma escolha cada vez mais comum.
É esta a principal conclusão de um novo estudo da ‘eDreams’, realizado pela empresa independente OnePoll junto de 9.000 consumidores em sete países (Alemanha, Espanha, Estados Unidos, França, Itália, Portugal e Reino Unido). Nesta amostra estão incluídos 1.000 portugueses que viajaram nos últimos cinco anos.
O que é que os resultados mostram?
Os resultados mostram que viajar a solo está longe de ser um plano de recurso. Pelo contrário. Tornou-se uma experiência desejada por muitos, sobretudo por quem procura autonomia, flexibilidade e tempo para si.
A principal motivação apontada pelos portugueses é a liberdade total para fazer aquilo que lhes apetece, sem necessidade de negociar horários, roteiros ou escolhas. Aliás, esta razão foi referida por 40% dos inquiridos. Logo depois surge a vontade de experimentar este tipo de viagem (35%) e a oportunidade de se conhecerem melhor (33%).
Mas há razões mais práticas que também pesam na decisão. Cerca de 28% admite que viajar sozinho acontece porque familiares ou amigos não podem acompanhar a viagem, enquanto 22% vê nesta opção uma oportunidade para conhecer pessoas novas ao longo do percurso.
E tudo indica que esta tendência portuguesa acompanha um fenómeno global. Segundo dados da Grand View Research, o mercado mundial das viagens a solo foi avaliado em cerca de 549,8 mil milhões de dólares em 2025 e deverá continuar a crescer a um ritmo médio anual de 14,6% até 2033. A Europa representa atualmente mais de 37% deste mercado, consolidando-se como a região onde este tipo de turismo tem maior expressão.
Liberdade não significa improviso
Ainda assim, não se deixe enganar. Viajar sozinho pode transmitir uma ideia de espontaneidade, mas os portugueses continuam a preferir sair de casa com tudo bem organizado.
Questionados sobre aquilo que consideram indispensável numa viagem a solo, 45% colocam mesmo o planeamento em primeiro lugar.
A segurança ocupa a segunda posição, com 25% das respostas. Entre os objetos considerados importantes surgem os cintos porta-dinheiro, pequenos kits de primeiros socorros e contactos de emergência.

O conforto fecha o pódio, referido por 20% dos participantes, que destacam roupa adequada, calçado confortável, snacks e almofadas de viagem como alguns dos essenciais para tornar a experiência mais agradável.
Curiosamente, pouco mudou desde o estudo semelhante realizado pela ‘eDreams’ em 2023. Nessa altura, o planeamento já liderava as preferências (41%), seguido da segurança e do conforto, ambos com 24%. Estes dados mostram, então, que, apesar da evolução do perfil dos viajantes, as prioridades permanecem praticamente inalteradas.
Uma viagem que pode mudar mais do que o destino
Além disso, os portugueses acreditam que viajar sozinho pode deixar marcas para lá das fotografias e dos quilómetros percorridos.
Quatro em cada dez inquiridos consideram que este tipo de experiência ajuda a desenvolver a autossuficiência, obrigando cada pessoa a resolver desafios, tomar decisões e ganhar confiança nas próprias capacidades.
Além disso, 37% acreditam que uma viagem a solo proporciona maior clareza mental e ajuda a regressar com ideias mais organizadas sobre objetivos pessoais ou profissionais. Outros 30% destacam uma maior abertura a diferentes culturas e formas de viver, enquanto 20% referem um aumento da empatia e uma ligação mais profunda com o mundo que os rodeia.

Nem todas as gera��ões, no entanto, olham para esta experiência da mesma forma. Entre os portugueses com 65 ou mais anos, 37% consideram que viajar sozinho dificilmente teria impacto na forma como encaram a vida. Já entre a Geração Z, mais de metade (53%) acredita que uma viagem deste género ajuda a perceber que consegue lidar com qualquer situação de forma autónoma.
Portugal continua entre os países mais seguros do mundo
Para quem ainda hesita em reservar uma viagem sem companhia, há outro fator que pode transmitir confiança: a segurança.
Embora nenhum destino esteja totalmente livre de riscos, especialistas recomendam alguns cuidados simples para quem viaja sozinho. Alguns deles incluem informar alguém sobre o itinerário, guardar cópias digitais dos documentos, contratar um seguro de viagem, evitar divulgar em tempo real a localização nas redes sociais e conhecer previamente os contactos de emergência do destino.
Referência da notícia
Travel Magg, Costa, R. (2026). Sem companhia? Sem problema! Portugueses estão a abraçar as viagens a solo.
Marketeer. (2026). Cada vez mais portugueses querem viajar sozinhos. E o motivo principal pode surpreender.