As cidades mais antigas da Europa: uma viagem às raízes da civilização

As raízes profundas do velho continente através de um roteiro pelas cidades habitadas continuamente desde os tempos da pré-história. Saiba mais aqui!

O nome do continente homenageia a princesa fenícia Europa, que, segundo a mitologia grega, foi levada por Zeus para Creta.
O nome do continente homenageia a princesa fenícia Europa, que, segundo a mitologia grega, foi levada por Zeus para Creta.

A Europa é frequentemente descrita como um "velho continente", mas a profundidade da sua história é verdadeiramente compreendida quando olhamos para as suas cidades mais resilientes.

Os centros urbanos que, apesar de guerras, desastres naturais e a queda de impérios, mantiveram uma ocupação humana contínua ao longo de milénios.

Determinar qual é a cidade mais antiga é um desafio arqueológico e histórico, pois a linha entre um assentamento temporário e uma cidade organizada é, muitas vezes, ténue.

O domínio dos Balcãs e da Grécia

No topo da lista surge, invariavelmente, Plovdiv, na Bulgária. Com mais de 6.000 a 8.000 anos de história, Plovdiv é considerada por muitos historiadores como a cidade mais antiga da Europa continuamente habitada.

Originalmente um assentamento trácio conhecido como Eumolpias, a cidade viu passar macedónios, romanos, bizantinos e otomanos.

Hoje, o seu teatro romano e as ruas de calçada do centro histórico são testemunhos vivos dessa sobreposição de épocas.

Plovdiv: Plovdiv, na Bulgária, é mais antiga que Roma e Atenas, tendo sido construída sobre sete colinas há seis mil anos.
Plovdiv: Plovdiv, na Bulgária, é mais antiga que Roma e Atenas, tendo sido construída sobre sete colinas há seis mil anos.

A Grécia, como berço da civilização ocidental, domina grande parte deste roteiro. Atenas é o exemplo mais icónico, com uma presença humana documentada há pelo menos 5.000 a 7.000 anos.

Mais do que a sua longevidade, Atenas destaca-se por ter sido o centro intelectual do mundo antigo.

No entanto, cidades como Argos disputam o título de cidade mais antiga da Grécia, com evidências de habitação contínua que remontam a tempos neolíticos, mantendo-se como um centro de poder importante durante a era micénica.

O Mediterrâneo e a herança fenícia

A importância dos fenícios na fundação de cidades estratégicas, como por exemplo Lárnaca, em Chipre (antiga Kition), foi estabelecida no século XIII a.C. e serviu como um porto vital no Mediterrâneo Oriental.

Fundada no século treze antes de Cristo, a antiga Kition foi um dos portos mais estratégicos para o comércio fenício
Fundada no século treze antes de Cristo, a antiga Kition foi um dos portos mais estratégicos para o comércio fenício

Na Península Ibérica, a influência fenícia é fundamental para entender a antiguidade de Cádis, em Espanha. Fundada por volta de 1100 a.C. como Gadir, é frequentemente citada como a cidade mais antiga da Europa Ocidental. A sua localização estratégica entre o Atlântico e o Mediterrâneo conferiu-lhe uma importância comercial que perdurou através dos séculos, desde os cartagineses até à exploração das Américas.

Portugal e o enigma de Ulisses

Lisboa ocupa um lugar de destaque nesta cronologia. Segundo a lenda, a cidade teria sido fundada por Ulisses, mas a arqueologia aponta para raízes fenícias sólidas (Olissipo).

Lisboa é mais antiga do que Roma (fundada em 753 a.C.), tendo sido um entreposto comercial crucial muito antes da chegada das legiões romanas.

A sua capacidade de se reinventar após o terramoto de 1755 é apenas o capítulo mais recente de uma história que já conta com três milénios.

A singularidade de Matera

Em Itália, o destaque vai para Matera. Famosa pelos seus Sassi (casas escavadas na rocha), Matera é um dos assentamentos mais antigos do mundo, com evidências de habitação que recuam ao Paleolítico. Embora tenha passado por períodos de declínio acentuado no século XX, a sua continuidade habitacional e a adaptação única ao terreno geológico tornam-na um caso extraordinário de sobrevivência humana.

Em suma, visitar estas cidades não é apenas um exercício de turismo, mas uma imersão na memória coletiva da humanidade. Da Bulgária a Portugal, estas metrópoles provam que, embora as fronteiras mudem e as línguas evoluam, a necessidade humana de comunidade e comércio em locais privilegiados permanece inalterada há milhares de anos. Estas cidades são os alicerces sobre os quais a identidade europeia foi construída.

Referência da notícia:

https://www.traveler.es/articulos/las-ciudades-mas-antiguas-de-europa

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