11 anos depois, regressa a festa que só acontece quando o povo quer
Depois de mais de uma década de espera, Campo Maior prepara-se para receber novamente as Festas do Povo, uma tradição única feita de flores de papel e vontade popular.

Depois de 11 anos, as Festas do Povo vão regressar ao concelho de Campo Maior, em Portalegre. Sim, leu bem, aquela que é uma celebração considerada património da UNESCO, vai acontecer este verão. Quando? Entre 8 e 16 de agosto, para sermos mais precisos.
Sim, porque, sempre que conseguem, os moradores juntam-se para criar milhares de flores de papel, que vão ser depois utilizadas para decorar as ruas da vila.
“Passaram dez anos desde as últimas Festas do Povo, a última vez que houve uma pausa tão longa foi entre 1972 e 1982. Realizadas apenas quando a vontade popular assim o dita, estas festas têm sido interrompidas por motivos que vão desde a falta de recursos manuais até à política”, lê-se no site ‘Sapo’.
A festa que só acontece “quando o povo quer”
Ao contrário da maioria das celebrações tradicionais que acontecem pelo País com uma periodicidade anual, as Festas do Povo não têm um calendário fixo. Em vez disso, acontecem, literalmente, “quando o povo quer”. Aliás, é este o mote, precisamente.
As Festas do Povo de Campo Maior têm origem no final do século XIX e surgem associadas às festividades dedicadas a São João Baptista, santo padroeiro da vila. Nessa época, a população começou a enfeitar as ruas com flores de papel produzidas artesanalmente, num gesto que combinava fé religiosa com espírito de união comunitária.
A edição deste ano foi pensada pela Associação Festa do Povo, um grupo de residentes que se juntou para reviver a tradição da região. O evento vai decorar mais de 100 ruas com flores de papel feitas pela própria população, segundo avançou a “SIC Notícias.”

“As Festas do Povo não são apenas memória, nem apenas futuro. Vivem num território emocional onde coexistem os que já partiram, os que estão e os que ainda virão”, lê-se no site da Associação. “São a lágrima discreta que acompanha o sorriso da recordação. São o orgulho silencioso de quem olha para cima e reconhece, em cada pétala, horas de trabalho invisível. São a certeza de que a tradição, quando cuidada, não envelhece — renova-se.”
Uma festa que se quer internacional
Após ter sido considerado Património Cultural Imaterial da UNESCO em 2021, o objetivo deste ano é ainda maior: a iniciativa quer internacionalizar-se e receber turistas de vários pontos do globo. Sim, são esperados mais de meio milhão de visitantes.
“A essência da nossa tradição está lá e será sempre preservada. Mas é natural que surjam novidades, tanto ao nível da programação cultural como da ornamentação das ruas”, afirmou Duarte Silvério, membro da associação (citado pelo ‘Sapo’). “O que estamos a ver hoje é a força de um povo. Se as pessoas querem Festas do Povo? Claro que querem. Saíram à rua em massa para mostrar que são elas que fazem as festas acontecer.”

E como é que pode ajudar? No site do projeto, existe a possibilidade de se voluntariar para apoiar a organização em áreas como a logística e as operações, comunicação (fotografia, vídeo, redes sociais, receção de visitantes, entre outros), coordenação no terreno e animação e apoio turístico.
Se optar por apenas visitar, saiba que os bilhetes para a edição deste ano serão colocados à venda em breve. Até lá, pode acompanhar as novidades através do site oficial.