Tecnologia da NASA revela que a saúde das plantas é a chave para prever a gravidade dos incêndios florestais

Observações espaciais revelam que a saúde da vegetação antes da ignição determina a intensidade dos fogos. Saiba mais aqui!

O estudo utilizou sensores da Estação Espacial Internacional para monitorizar o stresse das plantas antes da ignição dos fogos.
O estudo utilizou sensores da Estação Espacial Internacional para monitorizar o stresse das plantas antes da ignição dos fogos.

A investigação científica estudada detalha como os incêndios de janeiro de 2025 no condado de Los Angeles, especificamente os fogos Eaton, Palisades e Hughes, foram impulsionados principalmente pelo estado da vegetação antes da ignição.

Através de um modelo de aprendizagem automática (random forest), os investigadores demonstraram que as condições do combustível pré-fogo são os preditores dominantes da severidade da queima, superando frequentemente a influência imediata da meteorologia ou da topografia.

A tecnologia dos satélites ao serviço da previsão de riscos

A metodologia inovadora combinou dados de dois instrumentos da NASA na Estação Espacial Internacional: o ECOSTRESS, que mede o stress hídrico vegetal, e o EMIT, que avalia o conteúdo de água na copa das árvores.

Entre as variáveis analisadas, o Índice de Stress Evaporativo (ESI) e o conteúdo de água na copa (CWC) emergiram como os fatores mais críticos para prever a destruição.

O modelo revelou que áreas com maior abundância e conectividade de combustível tendem a sofrer incêndios mais severos, indicando que a biomassa disponível é o "motor" central do desastre.

Da resposta reativa à gestão proativa

Em termos de desempenho, o modelo alcançou uma precisão global de R2=0.60, embora a eficácia tenha variado entre os incêndios individuais. O incêndio de Hughes foi o mais previsível (R2=0.66), enquanto o de Eaton apresentou o maior desafio (R2=0.32), devido à sua complexa variabilidade topográfica que introduziu ruído nos preditores.

Os incêndios Eaton e Palisades destruíram 16.255 estruturas, sendo dos mais destrutivos na história registada do estado da Califórnia.
Os incêndios Eaton e Palisades destruíram 16.255 estruturas, sendo dos mais destrutivos na história registada do estado da Califórnia.

Além disso, a resposta do modelo variou conforme o tipo de cobertura terrestre, sendo mais estável em zonas de matagal (shrub/scrub) do que em florestas perenes ou mistas. Este estudo tem implicações diretas para a gestão proativa do território.

O modelo de inteligência artificial falhou mais no incêndio Eaton devido à sua topografia montanhosa extremamente variada e muito complexa.
O modelo de inteligência artificial falhou mais no incêndio Eaton devido à sua topografia montanhosa extremamente variada e muito complexa.

Ao monitorizar as tendências temporais da saúde da vegetação através de satélites, os gestores podem identificar zonas de perigo elevado e planear tratamentos de combustível, como queimadas controladas, de forma mais estratégica.

Esta abordagem prepara o caminho para futuras missões espaciais, como a missão EAGLE da NASA, focada na monitorização contínua dos riscos de incêndio em interfaces urbano-florestais.

Referência da notícia:

Ward-Baranyay, M., Lee, C., Pascolini-Campbell, M., Sousa, D., & Kinoshita, A. M. (2026). Pre-fire fuel conditions are dominant drivers of burn severity in the 2025 Los Angeles County fires. AGU Advances, 7, e2025AV002179. https://doi.org/10.1029/2025AV002179

https://phys.org/news/2026-05-wildfire-severity-state-vegetation.html

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