Phobos: a lua de Marte envolta em mistério

Sabe-se que Phobos é uma lua de Marte e que orbita o planeta a cada 7,4 horas. Tem uma enorme cratera de impacto chamada Stickney, que mede cerca de 9 km de largura. Para além disto, Phobos apresenta alguns mistérios. Saiba quais, aqui!

Phobos mede 28 km de largura no seu lado mais longo.
Phobos mede 28 km de largura no seu lado mais longo.

Este pequeno mundo estranhamente escuro fascina os cientistas planetários devido à sua superfície espantosamente recheada de crateras. Os investigadores procuram saber se se trata de um corpo sólido ou de uma pilha de escombros flutuante. Seja o que for, como é que ficou assim?

Mais importante, querem saber como é que chegou a ser o maior satélite de Marte. Todas estas perguntas indicam que, por agora, Phobos continua a ser um mistério à espera de uma resposta.

A exploração de Phobos

Recentemente, o instrumento de órbita Mars Express da Agência Espacial Europeia, voou por Phobos como parte da sua missão regular. A ideia era chegar perto desta lua e bombardeá-la com ondas de rádio de baixa frequência, a partir do instrumento MARSIS a bordo.

Havia apenas um obstáculo: uma típica passagem de Phobos pela nave espacial colocá-la-ia demasiado perto para obter dados MARSIS que fossem úteis. Isto porque este instrumento faz sempre o seu melhor trabalho à distância. O software original permitiu-lhe estudar a superfície marciana (e por baixo dela) a cerca de 250 quilómetros de distância.

A importância de MARSIS

As ondas de rádio MARSIS enviam, essencialmente, reflexos da superfície de um objeto e fornecem informações valiosas sobre as condições e estruturas do mesmo. Mas, alguns sinais penetram na crosta e refletem de volta a partir de camadas mais profundas.

Estes reflexos ajudaram os cientistas a mapear as subestruturas em Marte e a descobrir se existem diferentes camadas de gelo, rocha, água ou solo. O instrumento também desempenhou um papel na procura de sinais de água em estado líquido no Planeta Vermelho.

Então, como pode MARSIS ajudar a descobrir as grandes questões sobre Phobos e a sua origem? Neste momento, os cientistas têm duas hipóteses sobre o seu passado.

"Se as duas pequenas luas (Phobos e Deimos) de Marte são asteroides capturados ou feitas de material arrancado de Marte durante uma colisão" é uma questão em aberto, disse o cientista da Mars Express, Colin Wilson. "A sua aparência sugere que eram asteroides, mas a forma como orbitam Marte sugere, sem dúvida, o contrário".

MARSIS dá um olhar precoce

A melhor maneira de descobrir a sua origem é olhar para dentro de Phobos. As imagens óticas típicas não dizem muito aos cientistas. Mas, instrumentos que podem sondar dentro de Phobos podem revelar muita coisa. É aí que entra MARSIS. Graças a uma grande atualização de software, MARSIS fez observações durante a recente abordagem de proximidade. Agora pode "ver" por baixo da superfície desta pequena lua enquanto voa à procura de pistas estruturais.

"Durante este voo, utilizámos MARSIS para estudar Phobos a 83 km de distância", disse Andrea Cicchetti da equipa MARSIS do Instituto Nacional Italiano de Astrofísica.

"Aproximarmo-nos permite-nos estudar a sua estrutura com mais detalhe e identificar características importantes que nunca teríamos visto de longe. No futuro, estamos confiantes de que podemos utilizar MARSIS a cerca de 40 km de distância. A órbita da Mars Express foi afinada para nos aproximar o mais possível de Phobos durante algumas passagens entre 2023 e 2025, o que nos dará grandes oportunidades para tentar saber mais". - disse Andrea Cicchetti, integrante da equipa MARSIS.

Os dados indicam algo no interior de Phobos

MARSIS emitiu um radargram baseado em dados capturados a 23 de setembro de 2022. Essencialmente, este radargram retrata "ecos" criados quando o sinal da antena MARSIS de 40 metros de comprimento acerta em algo abaixo da superfície. Isto poderia indicar uma estrutura em camadas, o que poderia indicar que Phobos é um asteroide capturado.

Poderia também significar que há uma variedade de objetos dentro de Phobos que poderiam fazer dela uma pilha de escombros flutuante. É claro que mais voos irão capturar mais dados, o que deverá dar mais detalhes sobre o que se esconde por baixo da crosta de Phobos.

Apesar desta missão ter mostrado mais acerca de Phobos, ainda há incertezas quanto à sua origem e composição, pelo que uma nova missão que deverá disponibilizar dados em 2029, poderá ajudar na resposta a estas questões.

Os estudos feitos de perto ajudarão os cientistas a programar a próxima missão eXploration (MMX) das Luas Marcianas que aterrará em Phobos não antes de 2024. Esta reunirá amostras e devolvê-las-á à Terra em 2029. Os dados dessas amostras deverão ajudar a resolver de uma vez por todas a questão da origem de Phobos.