O declínio dos polinizadores: uma crise silenciosa

A ciência confirma que o desaparecimento dos insetos na primavera é uma realidade causada pelas mudanças climáticas e pelos pesticidas. Saiba mais aqui!

A polinização animal contribui anualmente com cerca de quinhentos e setenta mil milhões de dólares para a economia agrícola global atual.
A polinização animal contribui anualmente com cerca de quinhentos e setenta mil milhões de dólares para a economia agrícola global atual.

A pergunta sobre se existem menos insetos polinizadores do que antigamente recebe uma resposta afirmativa e preocupante em ambas as fontes. A perceção comum de que "há menos bichos" na primavera é corroborada por dados científicos, fornecendo uma análise exaustiva da escala global deste problema.

O estado atual e a importância económica

A polinização animal é responsável por uma parte significativa da produção agrícola mundial, estimando-se que o valor económico anual das culturas que dependem de polinizadores varie entre 235 e 577 mil milhões de dólares.

No entanto, a biodiversidade está sob ameaça: cerca de 16% dos polinizadores vertebrados (como aves e morcegos) e uma percentagem ainda maior de invertebrados (como abelhas e borboletas) enfrentam o risco de extinção global.

Em algumas regiões, mais de 40% das espécies de polinizadores invertebrados locais estão ameaçadas.

Causas do declínio

As fontes convergem na identificação de múltiplos fatores que, combinados, criam um cenário hostil para os insetos:

  • Mudanças no uso do solo e perda de habitat: A agricultura intensiva e a urbanização fragmentam e destroem os habitats naturais, reduzindo a disponibilidade de alimento e locais de nidificação.
  • Pesticidas e químicos: O uso de inseticidas, especialmente os neonicotinoides, é apontado como uma causa direta de mortalidade e de efeitos subletais que prejudicam o comportamento e a reprodução dos insetos.
As alterações climáticas fazem as plantas florescerem cedo, mas os insetos podem não aparecer a tempo, causando um desajuste fatal.
As alterações climáticas fazem as plantas florescerem cedo, mas os insetos podem não aparecer a tempo, causando um desajuste fatal.
  • Alterações climáticas: O aquecimento global provoca um desajuste fenológico; as plantas podem florescer mais cedo devido às temperaturas elevadas, mas os insetos podem não emergir ao mesmo tempo, quebrando o ciclo de polinização essencial para ambos.
  • Espécies invasoras e doenças: O comércio global facilita a propagação de patógenos e de espécies exóticas que competem com os polinizadores nativos.

Impactos na segurança alimentar

A perda de polinizadores não afeta apenas a natureza; atinge diretamente a dieta humana.

Mais de 75% das principais culturas alimentares do mundo dependem, em algum grau, da polinização animal.

Sem estes insetos, a produção de frutas, vegetais, frutos secos e culturas de alto valor (como o café e o cacau) sofreria quebras drásticas, comprometendo a segurança alimentar e a estabilidade económica de milhões de pequenos agricultores.

Caminhos para a mitigação

Ambas as fontes sugerem que a reversão deste cenário exige mudanças sistémicas:

  • Promoção de Agricultura Sustentável: Incentivar a diversidade de culturas e a gestão integrada de pragas para reduzir a dependência de pesticidas.
  • Proteção de Infraestruturas Verdes: Criar "corredores" de flores silvestres em zonas agrícolas e urbanas para apoiar as populações de insetos.
  • Conhecimento Tradicional: A importância de integrar o conhecimento de comunidades indígenas e locais nas políticas de conservação.

O declínio dos polinizadores é uma realidade científica comprovada que ameaça o equilíbrio dos ecossistemas e a sobrevivência humana. A transição para práticas agrícolas mais amigas do ambiente e o combate urgente às alterações climáticas são passos imperativos para garantir que as primaveras do futuro não sejam silenciosas e desprovidas da biodiversidade que sustenta a vida na Terra.


Referência da notícia

https://greenefact.sapo.pt/fact-check/ha-menos-insetos-polinizadores-na-primavera-do-que-antigamente/

https://files.ipbes.net/ipbes-web-prod-public-files/downloads/pdf/ipbes_4_19_annex_ii_spm_pollination_en.pdf

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