Mito vs. Realidade: o verdadeiro impacto das renováveis no preço da eletricidade
As renováveis não são culpadas pela luz cara; são o escudo que impede que a crise dos combustíveis fósseis seja pior. Saiba mais aqui!

Este artigo analisa uma das narrativas mais persistentes no debate público sobre a crise energética: a ideia de que a eletricidade está mais cara devido à aposta nas energias renováveis e aos custos da transição energética. Através de um "fact-check" detalhado, o artigo desmonta esta tese, classificando-a como "desastre" (no sentido de ser um mito infundado ou enganador), e explica por que razão a realidade é substancialmente diferente.
O Mito vs. a Realidade do mercado
O resumo do fact-check começa por reconhecer que o preço da eletricidade tem subido em diversos países europeus, incluindo Portugal. No entanto, a atribuição desta subida às fontes renováveis (como a eólica e a solar) ignora o funcionamento técnico e económico do mercado elétrico.

O principal argumento para desmentir este mito reside no chamado efeito de ordem de mérito (Merit Order Effect). No mercado grossista (OMIE), as energias renováveis entram com um custo marginal quase nulo (o vento e o sol são gratuitos), o que as coloca na frente da fila de produção. Ao entrarem primeiro, elas expulsam do mercado as fontes mais caras, como as centrais a gás natural. Portanto, quanto maior é a incorporação de renováveis, menor tende a ser o preço do mercado grossista.
O verdadeiro culpado: os combustíveis fósseis
O artigo sublinha que o verdadeiro motor da inflação energética nos últimos anos tem sido a volatilidade e o preço elevado dos combustíveis fósseis, em particular do gás natural, agravado por tensões geopolíticas (como a guerra na Ucrânia).
As renováveis funcionam, na verdade, como um escudo contra esta volatilidade. O fact-check cita dados que demonstram que, sem a contribuição das renováveis, a fatura das famílias e empresas portuguesas teria sido drasticamente superior, uma vez que o país teria de importar muito mais gás a preços de mercado exorbitantes.
O peso dos custos de promoção
Um dos pontos mais sensíveis da fatura elétrica são os chamados CIEG (Custos de Interesse Económico Geral), que incluem os subsídios e incentivos à produção renovável. Embora estes custos existam, os estudos académicos (como um publicado na revista Energy Policy) indicam que o impacto destes incentivos no preço final pago pelo consumidor é estatisticamente pequeno.
Em Portugal, a situação é ainda mais curiosa: em vários períodos recentes, o diferencial entre o preço das renováveis (fixado em contrato) e o preço altíssimo do mercado grossista resultou num saldo positivo para o sistema, que ajudou a baixar as Tarifas de Acesso às Redes e, consequentemente, a fatura final.
Conclusão
Para concluir, se não fosse o investimento feito na última década em fontes limpas, a dependência externa e os preços de mercado seriam muito mais punitivos. A transição energética é, portanto, apresentada não como um custo, mas como uma ferramenta de independência económica e de estabilização de preços a longo prazo.
Em suma, o fact-check reforça que culpar as renováveis pela subida dos preços é uma simplificação abusiva que ignora os milhares de milhões de euros poupados em importações de gás e o efeito deflacionário que estas fontes têm no mercado livre.
Referência da notícia:
https://greenefact.sapo.pt/fact-check/a-eletricidade-esta-mais-cara-devido-as-energias-renovaveis/